30.9.03

 
   Agora com as empresas de comunicação indo de pires na mão bater às portas daquele prédio enorme da Avenida Chile, quero ver os coleguinhas de economia chamarem o BNDES de hospital. É como dizia minha vó Sinhá: "não se deve cuspir pra cima sem um guarda-chuva aberto na mão".

 
   Ia esquecendo...ABERT, ANER e ANJ vão passar o chapéu no velho e bom BNDES a fim de ver se dá para escapar da quabradeira. O mais constrangedor na nota que se encontra nos sites das entidades (aqui no da Abert) é a seguinte frase:

      A ABERT, a ANER e a ANJ reafirmam seus princípios de total independência em relação a governos e partidos políticos

   Parece aqueles nobres arruinados de romance fingindo que ainda estão por cima.

 
   Foi detectada agitação no RH de um jornal paulista. Foram vistas cimitarras sendo afiadas.

 
   Ainda Dona Míriam. Ele escreve que a esquerda criticava o Mobral. Verdade, porém não por ele alfabetizar adultos, como ela diz, mas pela forma autoritária e sem acompanhamento pós-alfabetização como o fazia (tanto que muitos alfabetizados por ele são hoje analfabetos funcionais). Atualmente, a crítica à alfabetização de adultos ainda existe, mas feita pela direita e sob o ponto de vista economiscista: não vale a pena o gasto, pois a relação custo-benefício é baixa.

   Para saber mais sobre o assunto, quem quiser pode consultar o meu querido amigo Ricardo Rangel, do Icatu: ele "prova" por A+B que alfabetizar adulto é jogar dinheiro fora. Obviamente, ele não considera a idéia de justiça e resgate da dívida social, mas isso está de acordo com o ponto de vista dele sobre o mundo: como diz o Norberto Bobbio, a diferença entre esquerda e direita é que a primeira acha que o Estado tem que diminuir ao máximo a diferença entre os homens, embora reconhecendo que eles são desiguais, e compatibilizando isso com a liberdade; a direita acha que o estado deve se preocupar apenas em manter a liberdade do mercado, pois justiça social não existe, não existiu e nem existirá, pois os homens são desiguais.

 
   Por falar nisso, Dona Míriam analisa os resultados (ela é boa também em entrevistar tabela, mas não é lá muito imparcial na hora de analisar o que dizem os dados) e, confesso, fiquei um tanto surpreso. Não com a análise, mas com o fato de a colunista ter se referido aos conceitos polítcos de esquerda e direita. É que Dona Míriam - como maioria esmagadora dos seus colegas colunistas de Economia - insistia que esta dicotomia estava superada nos dias de hoje. O reconhecimento do óbvio, de que existem esquerda e direita, é um ponto a favor de Dona Míriam. É claro que ela jamais faria autocrítica explícita - seria exigir demais para quem se acha papa em economia e como o outro, o católico, infalível -, mas vale a implícita.

 
   Para quem é tarado por estatísticas e análises sobre elas, fiquei babando com as páginas que o Globo dedicou hoje ao estudo "Estatísticas do Século XX", do IBGE. Vou até guardar aqui na gaveta para não correr o risco de perder na mudança que farei no fim de semana. No entanto, senti falta da presença dessa grande entrevistadora de tabelas e gráficos que é Flávia Oliveira. Em compensação, temos uma grande exibição de Cássia Almeida. Valeu mesmo.

 
   Como você deve saber, não leio os comentários do C-se - tenho sempre algo melhor para fazer -, mas soube que o Ali exigiu que eu publicasse aqui a resposta dele ao artigo que escrevi no site. Bom, nunca pensei que precisasse fazer esta distinção, mas como o Ali é poderoso executivo de uma corporação sinérgica (= pessoal de baixo recebe por um veículo, mas trabalha para um monte), aí vai ela: O C-se é uma empresa constituída, que paga seus impostos e coisa e tal, e com o qual colaboro, por modesta retribuição pecuniária. Este blog - como a maior parte dos que existem na internet - é puramente pessoal. Assim, como ele respondeu à coluna do C-se no C-se, respondido está. Se quiser ter o texto publicado aqui, terá que me dar o supino prazer de receber um emeio pessoal assinada com o escrito no corpo.

29.9.03

 
   Um conselheiro já tinha me dado o toque, mas como não pude acessar o artigo (e não tinha à mão a versão impressa), não escrevi a respeito. Mas agora constato que a dica era correta: na assinatura, Ali é creditado apenas como jornalista. Nenhuma palavra sobre ele ser o segundo homem na hierarquia do Jornalismo da Estrela da Morte. Isso, para o leitor desinformado ou desatento, dá ao escrito uma aura de "neutralidade" que simplesmente não existe.

 
   Me informam lá do Globo que o link para o artigo do Ali é este http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/segundocaderno/110351977.asp

   Mas não se sabe porque ele não aparece na busca.

 
   Se você não leu no texto revisionista do Ali Kamel, não vai mais poder ler no site do Globo. O escrito foi tirado da Rede pelo menos desde o fim de semana. Se duvida, vá lá no site e tente achar usando quando qualquer tipo de pesquisa (básica, avançada, nos últimos com sete ou 60 dias).

   Graças à AMPLIAR, porém, me preveni contra esta jogada e você poderá ler o artigo na Pensata.

   De qualquer forma, parece que é mesmo um padrão de corportamente corporativo que temos por aqui.

 
   A pesquisa sobre o que a galera acha do Comunique-se chegou ao fim. O resultado, com um total de 47 votos:

      Muito bom - 8 (17,02%)
      Bom - 8 (17,02%)
      Regular - 11 (23,4%)
      Fraco - 9 (19,15%)
      Ruim - 9 (19,15%)
      O que é Comunique-se? - 2 (4,26%)

   Mantendo o assunto, aí do lado tem outra pergunta a respeito do C-se. E com uma novidade: você pode votar em mais de uma sugestão. A pesquisa fica até 19 de outubro.

 
   Há umas três semanas, numa palestra para assessores de imprensa da área federal, Franklin Martins, diretor de jornalismo da sucursal BSB da Estrela da Morte, disse, quando questionado sobre as edições de matéria que descontextualizariam as falas dos entrevistados:

      É justamente o contrário. A imprensa 'bota no contexto'. A frase de um ministro será sempre colocada dentro de um contexto mais amplo, comparado-a com outras falas e com outros discursos presentes na sociedade. Esse é justamente o papel da imprensa. Ignorar isso e se queixar de que mal interpretado é ingenuidade.

   Vero. Mas essa contextualização não significa "esquentamento" de matéria por meio de títulos ou chamadas, pois não?

 
   Conselheira avisa que a Heloísa Tolipan já conseguiu anunciantes suficientes para o lançamento da Glam, a revista do JB que tentará concorrer com o Ela, do Globo. Assim, Heloísa já faturou os 20% sobre os anúncios, conforme acordo com a direção do JB. Hilde, que também armou este tipo de jogada, ainda não conseguiu viabilizar a revista dela.

28.9.03

 
   Conselheiro pegou esta:

      Japão vibra com João
A turnê de mestre João Gilberto no Japão foi um tremendo sucesso.
Foram quatro shows em recinto fechado, com ingressos esgotados um mês antes. Cada um reuniu 5.000 pessoas.
Na última apresentação, a platéia bateu palmas por 20 minutos.

O Segundo Colunista deu esta nota hoje mas já havia saído até no Segundo Caderno, com destaque, como matéria.

 
   Ah! E já que estamos nesse lance de esporte como negócio, um post que já foi notinha da CPM:

      Mais trabalho para os lobistas do Império em BSB. O deputado Edson Duarte (PV-BA) apresentou projeto de lei autorizando que as tevês educativas a transmitirem, sem custos, eventos esportivos de interesse nacional. O deputado justifica o PL, que tem o número 1.878/03, argumentando que os acordos de exclusividade na transmissão de eventos esportivos estão sendo usados muitas vezes não para garantir a exibição do evento, mas para impedir que outras tevês o transmitam (algo que a Globo faz a três por dois).

O projeto será apreciado nas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e de Constituição (CCTI) e Justiça e Redação (CCJ) e, se aprovado, irá direto à sanção presidencial, pois tem caráter terminativo. Isto quer dizer que só irá à plenário se houver recurso de algum membro das comissões.



 
   Quem se interessa pelo futebol como negócio não deveria perder o filme "Driblando o destino", em exibição no Festival do Rio (o pessoal que cobre cinema pode dizer se já tem exibição garantida por aqui). O argumento tinha tudo para ser legal: menina inglesa de ascendência indiana bate um bolão (nos campos, embora fora deles também não seja de se jogar fora), mas os pais querem mesmo é que ela se case e seja um boa esposa no estilo antigo. O roteiro, porém, fica sem saber muito o que fazer - se fica no filme de choque entre tradição e modernidade, entre pais e filhos ou na comédia romântica adolescente.

   Boa parte desta indefinição é causada pelo fato de que a fita só existe para ser um grande e acintoso merchandising do produto futebol (no caso, o feminino, mas longe de ser só ele). E tem uma razão para isso: é produzido por uma das divisões de Fox, do superpoderoso Rupert Murdoch, dono dos direitos de transmissão da milionária Liga Inglesa. Duas provas de que o filme é só veículo sinérgico para o negócio futebol:

   1. No início, tem uma seqüência enorme com o time do Manchester, cuja propriedade é do dr. Murdoch. A camisa do clube inclusive é quase uma segunda pele da protagonista (no fim da seqüência, para os saudosos, tem uma ponta do excelente ponta-esquerda inglês John Barnes, autor de um gol antológico no Maracanã na década de 80) ;

   2. O nome do filme em inglês é "Bend it like Beckham" (algo como "batendo de curva como Beckham", um trocadalho com o espírito da história e as intenções do fime, e também com a religiosidade hindu - "bend it= bendit"). O cheiroso clone da Xuxa (gol do Segundo Colunista, aliás) é o deus da gatinha indiana e, na época em que se passa o filme, jogava no Manchester.

 
   Bacana - e até emocionante - a matéria do bom repórter Fellipe Awi sobre a seleção brasileira de futebol de amputados.

 
   Márcio Moreira Alves constata óbvia, mas sempre importante, verdade: a mídia brasileira continua não sabendo o que ocorre embaixo de seus empoado nariz. No caso, o imenso esforço feito pela inclusão social em todo o Brasil - e não só nos grandes centros. Ainda bem que MMA está aí mesmo com aquele espírito de andarilho que Deus lhe deu para minorar este problema que parece insolúvel.

 
   Boa pauta esta do companheiro Gáspari sobre a situação do vigilante que levou a pior na briga entre um auditor da Receita e policiais federais do aeroporto de Cumbica. Mas fica a pergunta: por que o próprio companheiro não vai lá e ouve o pobre-diabo? Com o prestígio (merecido) de que desfruta em toda a imprensa, o companheiro certamente faria a história ter ampla repercussão e ajudaria o coitado.

27.9.03

 
   Do Globo On de hoje:

      Policial condenado na Bahia por morte de jornalista



      SALVADOR - A Justiça de Itabuna, na Bahia, condenou o policial civil Mozart Castro Brasil na madrugada deste sábado a          18 anos de prisão por envolvimento no assassinato do jornalista Manoel Leal. O julgamento começou às 9h de sexta-feira e          só terminou às 3h deste sábado. O advogado do policial, Alfredo Venet Lima, disse que vai recorrer da decisão.

         O policial foi condenado por homicídio qualificado, acusado de ter sido um dos autores dos disparos que mataram o           jornalista. O jornalista Manoel Leal de Oliveira foi assassinado com seis tiros, quando chegava a sua casa, em Itabuna, no dia 14 de janeiro de 1998. Ele era dono do jornal "A Região".

         Seu filho Marcel disse à polícia que o motivo do assassinato do pai foi o o jornalismo investigativo do jornal. Ele chegou a apontar 12 pessoas que teriam interesse na morte do dono do jornal. Segundo a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, pelo menos dez jornalistas foram assassinados na Bahia entre 1991 e 1998.


   Na antiga encarnação da Coleguinhas, dei a notícia deste assassinato por ter sido informado pelo Marcel. Bom saber que pelo menos uma punição pode estar vindo a caminho, embora os mandantes não tenham sido apontados, pelo que sei.

26.9.03

 
   O velho companheiro que mandou a imagem-lembrança das campanhas das Diretas (post um pouco abaixo) lembra que Armando Nogueira e Boni já disseram que a época das Diretas Já foi o pior momento do jornalismo da Estrela da Morte. E o amigo pergunta se não haveria uma fórmula de trazer estas duas pessoas para a luta de impedir a edição da memória política nacional por parte da Globo.

   Olha, pode até haver, mas sou meio cético. É que os dois personagens têm lealdades antigas que duvido que renunciem. Além disso, teriam que assumir parte da culpa pelo que aconteceu no período e tenho dúvidas ainda maiores sobre a coragem deles para fazer isso.

 
   Boechat:

         Clube 1
         Diplomata respeitado, o embaixador Sérgio Corrêa da Costa viu frustrado, ontem, um velho desejo.

         Sua proposta de ingresso no Country de Ipanema foi recusada, em votação secreta, pelos conselheiros do clube.

         Clube 2
         Temendo ''bolas pretas'' - três já detonam o pretendente - o advogado Antônio Carlos Amorim, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio, retirou sua proposta para adesão ao mesmo Country Club.



   Hilde

         O rico colar do embaixador

         Sete é conta de mentiroso, mas foi este o número de bolas pretas, creiam!, destinadas ao embaixador Sérgio Corrêa da Costa, na assembléia do dia 24 no Country Club. Enquanto os conselheiros deliberavam, Corrêa da Costa jantava no clube com Michele e a sócia Maria Beltrão... (...)

         Sábio, Antonio Carlos Amorim retirou sua proposta, antes de viajar para o exterior num grupo de juristas. Não teria tempo para fazer campanha...


   Horrível ser colunista e ter que fazer uma seleção entre tantas notícias importantes para só publicar aquelas realmente importantes para o leitor...



 
   Saiu num cantinho, como manda a conveniência, mas a notícia é muito importante: o TST revogou a súmula que proibia, desde 1993, de sindicatos representarem seus associados genericamente em ações na Justiça. Isso só era possível por meio de procurações individuais. Assim acabou-se a desculpa dos sindicatos mais chegados a um pelego para não provocar Dona Justa em causas gerais como atraso de salários, por exemplo.

25.9.03

 
   Em nome da manutenção da memória coletiva dos brasileiros que a Rede Globo quer editar, velho amigo e grande companheiro manda esta imagem:



 
   Capa da Exame que está nas bancas: Como vender para pobre

   Muito bom! Assim é que se faz! Chamar "as coisa pelo nome" (como diz um personagem do Aldir Blanc no livro "Porta de tinturaria"). Pobre é pobre; pobre não é "camada de baixa renda" e muito menos "financeiramente prejudicado".

 
   Ehê!! Parabéns ao pessoal do Globo que venceu o Prêmio Embratel! Merecidos todos! Os nomes:

      Ancelmo Gois, Alan Gripp, Dimmi Amora e equipe da editoria Rio (No rastro das propinas);

      Lúcio de Castro e Fellipe Awi (Nos porões do futebol)

      Flavia Oliveira, Nelson Vasconcelos e equipe da editoria de Economia (Retratos do Brasil: exclusão digital).

 
   Manchetes gêmeas no Extra e n'O Dia:

      Enfermeiras desmaiam em ritual no Salgado Filho

24.9.03

 
   O indigitado deputado Pedro Corrêa emitiu seu parecer sobre o PL 708/03, que modifica a Lei 972/69, regulamentadora da profissão de jornalista. Eis o parecer do nobre parlamentar:

      II - VOTO DO RELATOR
Trata-se, sem dúvida, de matéria da mais alta relevância. O constituinte de 1988 reservou à comunicação social um capítulo especial na Constituição em vigor, assegurando plena liberdade de manifestação do pensamento de criação, da expressão e da informação.

Além disso, incluiu entre os direitos e garantias fundamentais, a liberdade de imprensa e de manifestação do pensamento.

O presente projeto tem por objeto justamente adaptar a vetusta legislação que rege a matéria aos tempos atuais, visando a um só tempo dar aos jornalistas maiores garantias de que suas prerrogativas profissionais serão respeitadas e, por via de conseqüência, contribuir com o processo de implantação da plena liberdade de informação no País.

O projeto, portanto, merece acolhida.

No entanto, entendemos que a expressão “como empregados”, constante do caput do art. 6º proposto pelo projeto deve ser suprimida. Tal expressão pode levar à interpretação errônea de que tais funções só podem ser desempenhadas por jornalistas com vínculo empregatício, o que não é verdade. Como se sabe, atualmente, são inumeráveis as possibilidades de contratação do trabalho do jornalista profissional.

Em face do exposto, somos pela aprovação do Projeto de Lei nº 708, de 2003, com a emenda apresentada em anexo.


   Ou seja, se for aprovado como quer Vossa Excelência libera-se as empresas para que elas façam o que quiserem na relação de trabalho conosco (tudo bem, elas já fazem mesmo, mas pelo menos correm o risco de pagarem na Justiça).

   Agora, uma pergunta, fruto do uso do método AMPLIAR (Análise Múltipla Não-Linear da Realidade), patenteado por mim: continuarão as matérias que acusam o nobre deputado de corrupção?

 
   A votação para saber o que você acha do C-se termina domingo. Se não votou, ainda dá tempo.

 
   O Canadá parece ser um país bem bacana. O Parlamento de lá, por exemplo, faz alguma coisa a respeito da concentração da mídia nas mãos de poucos. Aqui.

 
   Hilde hoje:

      CHIQUINHO VIROU polêmica no noticiário, mas nos projetos sociais ele é unanimidade. O número de jovens recuperados, orientados, encaminhados e empregados, graças ao programa social que Chiquinho criou e desenvolve, há 17 anos, na escola, já ultrapassou a barreira dos cem mil! Um programa que no momento atende dez mil pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, em vários projetos. Projeto Cultural, em parceria com a BR; Projeto Olímpico, com a Xerox; Profissionalizante, com a BM&F; de Saúde, com a Prefeitura, com índice zero de mortalidade infantil. O Projeto Educacional vai do CA à universidade, e ninguém paga nada - a Mangueira é a comunidade pobre com menor índice de crianças fora da escola. E por fim o projeto caçula, de Meio Ambiente, desenvolvido com a Cisper e a Di Vidro, que dá cesta básica de 18 a 20 reais a quem coleta 100kgs de vidro para reciclagem...

      QUEM VAI à Mangueira e vê de perto tudo isso, sai achando que um cara que escreve uma biografia dessas merece crédito maior do que aquele que a imprensa ultimamente lhe tem dado. Afinal, Chiquinho todo mundo já conhecia, enquanto o coronel que fez as denúncias contra ele nem todos...


   Bem, mal comparando, em Chicago todo mundo conhecia Al Capone e quase ninguém Eliot Ness...


 
   Outra coisa: ouvi pelo rádio a votação da emenda Dante de Oliveira (a das Diretas-Já. Sei que você sabe, mas do jeito que a coisa se encaminha é bom deixar claro) no Núcleo Audiovisual da UFF (NAV), com outras 30 pessoas, num aperto dos diabos. Lembro até hoje da nossa decepção, embora já achássemos que não ia dar aprovar a emenda. Ou seja, Ali "errou" outra vez no seu texto: houve transmissões de rádio. Só não houve de tevê.

 
   Gravíssimo o texto escrito por Ali Kamel hoje no Segundo Caderno do Globo. Ele afirma que a Globo cobriu corretamente o primeiro comício das Diretas-Já, realizado em São Paulo. Dá como prova a imagem de Ernesto Paglia falando do evento como comício. Essa imagem pode até estar nos arquivos da Globo, mas não foi ela que foi ar. O que todos vimos foi o repórter dizendo que aquele era uma comemoração pelo aniversário da capital paulista e ponto. Não houve menção de que era um comício pedindo a volta da eleição direta para a Presidência da República. Paglia pode - até deve, como bom profissional que é - ter dito isso na matéria, mas simplesmente o que ele deve ter falado não foi ao ar.

   Parece que a Estrela da Morte tem um projeto de editar a memória nacional a fim de limpar-se da culpa de apoiar a ditadura militar do ínicio ao fim. Não será coincidência este plano estar sendo posto em prática justo agora que Chile, Argentina e Brasil (infelizmente sem tanta coragem) estarem ajustando contas com o seu passado recente. Daqui a pouco, a Globo vai querer se passar como centro de resistência ao arbítrio ao lado a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo.

   Temos que fazer alguma coisa a respeito. No caso específico da cobertura do primeiro comício pelas Diretas-Já, espero que alguém tenha isso gravado, embora, na época, fossem raros os videocassetes. Se esta tentativa de editar a História der resultado, vamos ter que fazer uma sessão espírita para baixar o George Orwell e homenageá-lo pela clarividência.

 
   Aos poucos, a Gazeta Mercantil vai se tornando um vespertino aqui no Rio. O jornal só chega aos assinantes depois das 9 horas, nos dias bons. Nos ruins, só depois do meio-dia.

23.9.03

 
   A FSB ganhou o Prêmio Aberje-RJ de assessoria de imprensa com o caso da associação da Sul América Seguros com o ING. Durante o sigiloso processo, o birô da FSB na Sul-América trabalhou em conjunto com os departamentos de marketing e divulgação interna e externa da empresa, e ainda com os profissionais de comunicação do ING nos EUA e na Holanda. O caso agora irá disputar o Aberje Nacional, cujo resultado será conhecido em novembro, em São Paulo. A entrega do Prêmio Aberje-Rio será no próximo dia 30, no auditório da Petrobras.

 
   Conselheiro pegou mancada do Segundo Colunista hoje:

      Quem vem

      O grupo sueco Eagle Eye Cherry, que arrasou no Free Jazz de 1999, vai se apresentar no Rio, em São Paulo e em Curitiba em novembro.


   Eagle Eye Cherry não é grupo, explica o conselheiro. Apesar do nome esquisito, é um cara só, irmão da cantora Neneh Cherry e filho do grande trompetista de jazz Don Cherry.

22.9.03

 
   Mudança no time do Comunique-se: entra Karla Siqueira e sai Raquel Pinto.

 
   A brava Vany Laubé põe na Rede o site de sua empresa a Vany Laubé Comunicação Empresarial (www.vlce.com.br), no qual, além do portifólio institucional, haverá a seção Por Dentro, na qual a experiente coleguinha (está há uns 20 anos camelando nas estradas de assessoria, tendo atuando no Rio e em Sampa, onde está hoje) dá dicas para estudantes e profissionais.

 
   Conselheiro manda esta matéria que saiu no Globo, no dia 19 passado:

      Máfia descoberta


O Ministério Público deve encaminhar nos próximos dias ao Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra o deputado Pedro Correa. Ele é acusado de ajudar a máfia dos combustíveis.

Hoje foi apresentada uma gravação de telefonemas do deputado com o homem acusado de comandar todo o esquema de fraudes.
As gravações feitas com autorização judicial estão em um cd. Entre horas de conversas a de Ari Natalino da Silva com o deputado Pedro Correa chama a atenção.

“Viu, deputado, eu sei que o senhor está se empenhando pra chuchu nesse negócio powerquímica, mas vê se o senhor pode fazer o máximo para mim nisso aí, porque nós dependemos disso daí, deputado”, diz Ari.

“Combinado amigo, eu sei disso, viu?”, confirma Pedro Correa.

Na conversa seguinte Ari orienta o filho Herick a fazer uma proposta ao deputado. Participação nas empresas e um pagamento fixo de R$ 200 mil por mês.

“Fala assim, ó: deputado 5%, mas independente disso aí, o que eu acho importante quanto o senhor precisa tirar por mês para viver tranquilo? Tem que ter o deputado junto com nós pagando todo mês ele”, afirma Ari.

Na resposta, o filho revela qual a preocupação do deputado. “Ele não está nem preocupado com o negócio da porcentagem, de participação. O negócio é o pró-labore”, diz Herick.

Pró labore, segundo os procuradores, seria o pagamento mensal de R$ 200 mil. O deputado Pedro Correa é do Recife e preside o PP, partido progressista. Segundo o Ministério Público ele seria o responsável por facilitar para Ari Natalino a abertura de uma empresa do setor petroquímico.

No gabinete do deputado os assessores informaram que ele não comentaria as denúncias.


   Pedro Correa é o deputado escolhido para relatar o projeto que atualiza a regulamentação da profissão de jornalista.

   Onde foram amarrar o nosso bode...

21.9.03

 
   Márcio Pinheiro, Conselheiro do Sul e colorado, avisa que o Grêmio decidiu restringir o acesso da imprensa a jogadores, técnicos e dirigentes, limitando-as a locais e horários previamente agendados pela ascom do clube. As regras são essas:

      ENTREVISTAS COM ATLETAS:
Em dias de treino, os Jogadores estão liberados para dar entrevistas até 20 minutos antes do horário marcado para o início dos trabalhos. Os atletas não poderão ser entrevistados no trajeto de ida e volta do campo de treinamento até o interior do vestiário;
As entrevistas após os treinos serão realizadas na sala de conferência, sob a coordenação da Assessoria de Imprensa. Participarão da entrevista até 04 atletas escolhidos previamente pelos setoristas;
Em dias de jogos, os atletas falam somente nos horários estabelecidos previamente na janela e entrevista coletiva.

      ENTREVISTAS COM TREINADOR/COMISSÃO TÉCNICA:
O Técnico e demais integrantes da Comissão Técnica (quando solicitados previamente pelos Setoristas), concederão uma entrevista diária, após o último treinamento do dia, na sala de conferências;
Em dias de jogos, o técnico concede entrevistas nos horários estabelecidos previamente na janela e entrevista coletiva.

      ENTREVISTAS COM DIRIGENTES DO DEPARTAMENTO DE FUTEBOL:
Os Dirigentes concederão entrevistas, preferencialmente, ao final dos treinamentos, desde que solicitados previamente pelos setoristas junto à Assessoria de Imprensa.

      DIVERSOS:
Participações em programas esportivos ou entrevistas especiais deverão ser agendadas, com antecedência, através da Assessoria de Imprensa.


   É mais ou menos assim lá fora (com exceção, talvez, do último item, que me parece abusivo mesmo). O problema, me parece, é que esta atitude foi tomada apenas porque o clube está cai-não-cai para a Segundona e a crise estourou.

 
   Hilde sacaneia as assessorias:

      Que coisa!
Irresistíveis batatadas das assessorias: queridos, palestras não são ''administradas'', são ministradas por professores. E em arquitetura, aquela forma arredondada se chama abóboda, e não abóbora, que é, no máximo, o nome de um legume ou de uma cor. Linda de morrer...


   Mas logo abaixo...:

      A RUA MEM DE SÁ, centro do buxixo cultural da cidade, tem uma tubulação de esgoto vazando há séculos, e ninguém sabe, ninguém viu e ninguém toma providências. Depois o povo faz justiça com as próprias mãos e ninguém sabe o porquê...

   Pode ser bochinche, bochincho ou buchincho; buxinxo não.


 
   O terror demonstrado pelo Estado de São Paulo - e pela Folha em menor grau - com a reorganização da Radiobrás tem muita razão de ser. Hoje, as agências de notícias são grandes esteios das empresas, graças a lucratividade altíssima obtida pelo custo zero da matéria-prima - textos e fotos - que é contabilizada nos custos dos jornais. A Radiobrás entrando na disputa mandando gratuitamente noticiário geral - e não só aquele de interesse do governo - pode, no médio prazo, jogar as agências ligadas a jornais para fora do gigantesco mercado do interior do país, e de alguma capitais menores também.

 
   Dom Pedro Casaldáliga - Dom Pedro III, como o chmávamos lá pelo fim dos anos 70, início dos 80 - vai pendurar o turíbulo.

   Tá ficando cada vez mais difícil.

 
   Bonita a nota do Tereza Cruvinel sobre a primavera em Brasília - com direito a estocadinha final -, mas não dá: BSB é ruim de aturar, ainda mais para quem teve oportunidade de pegar um pouco do Rio de antigamente.

 
   E o jotinha prepara uma nova leva de escândalos para o futuro. Esta já saiu na CPM:

   Hildegard Angel e Heloísa Tolipan estão catando patrocinadores para viabilizar dois "produtos": um suplemento feminino, que sairia aos sábados para concorrer com o Ela, do Globo (Hilde), e uma revista de moda, cujo nome, a princípio, seria Glam (Heloísa). Pelo esquema aprovado pela direção de redação, como incentivo as duas ficariam com 20% da grana que conseguissem dos patrocinadores.

   A redação entrando neste tipo de trabalho é uma verdadeira auto-estrada para a corrupção, e quem já trabalhou em jornalismo esportivo sabe disso. Neste esquema, o jabá é comido com farinha.


 
   Aquilo de que já desconfiávamos, agora está documentado: Garotinho comprou matérias favoráveis do JB, conforme contou a Folha. Isso ocorreu na época de Noênio Spínola, mas se as investigações continuarem são bem capazes de comprovar que a coisa foi mais adiante no tempo.

20.9.03

 
   O pessoal do comercial do Globo deve estar maldizendo a redação por esta campanha do jornal contra o gasto de R$ 100 milhões do Governo Rosinha em publicidade.

 
   Marco Aurélio Garcia, assessor do Eleito para assuntos internacionais, dá um puxão de orelha no Colunista da Quatro e se declara estupefato pela análise que ele fez outro dia sobre a política internacional do país. Não entendi o porquê da estupefação. O surpreendente é quando o cara faz análise boa...

 
   O aperto no orçamento pode ser ainda maior se encontrar pela frente "Clamor - A vitória de uma conspiração brasileira", do coleguinha - e também conterrâneo - Samarone Lima (tem também nome de ex-craque tricolor!), resenhado com emoção por Mània Millen também no "Prosa&Verso".

   É, acho que o tal aperto vai se tornar crônico ano que vem, pois estou cada vez mais convencido que só vou sossegar quando fizer História.

 
   Este coração que se arrepende de não ter feito História vibrou hoje com a excelente entrevista de Rachel Bertol, publicada no "Prosa&Verso" com o grande Evaldo Cabral de Mello. Já estou me preparando o aperto que vou ter que passar para comprar os dois livros do historiador conterrâneo.

 
   Fiquei muito triste com a morte do grande tricolor e coleguinha Fernando Horácio Matta.

19.9.03

 
   Aqui a ficha do autor do PL 708/03, Pastor Amarildo, que pode ser contactado pelo emeio dep.pastoramarildo@camara.gov.br.

   E aqui a do relator, Pedro Corrêa, cujo emeio é dep.pedrocorrea@camara.gov.br.

 
   Como se vê, o projeto apresenta várias impropriedades terminológicas, mas, no geral, vai na direção certa, inclusive por determinar que a função de assessor de imprensa seja exercida por jornalistas (como você sabe, não acho que a função de assessor seja jornalística, mas creio ser essencial para o seu bom exercício a formação jornalística).

   Ainda assim, embora considere o projeto pertinente, creio que a luta agora é pela constituição do Conselho Federal de Jornalismo (e seus correspondentes regionais). Esta luta passa, necessariamente, por pressionar o Executivo, pois só este pode propor ao Congresso a criação de conselhos profissionais. De repente, o projeto do pastor Amarildo pode ser usado como um bom gancho para esta discussão.

 
   Conselheiro informa: desde o dia 9 de abril passado está tramitando na Câmara proposição do deputado Pastor Amarildo (PSB-TO) que atualiza o artigo 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista. O projeto de lei, que tem como relator Pedro Corrêa (PP-PE), está na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, que vem realizando audiências públicas para debatê-lo. A próxima será na quinta, dia 25, com as presenças previstas do vice-presidente José Alencar; do autor e do relator do projeto; da secretária de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, Ruth Beatriz de Vasconcelos Vilela; da presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Elisabeth Villela da Costa; do professor José Castilho Karam, da Universidade Federal de Santa Catarina; e do advogado Claudismar Zupiroli, assessor jurídico da Fenaj.

   Importante: o projeto tem caráter terminativo. Ou seja, aprovado nas comissões, sobre à sanção presidencial sem passar no plenário.

   Aqui está a íntegra do PL, de número 708/03, com a justificativa, foi enviada pelo Conselheiro:

   PROJETO DE LEI Nº 708, DE 2003

(Do Sr. Pastor Amarildo)

Altera dispositivos do Decreto-lei nº 972, de 17 de outubro de 1969, que “dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista.”

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Os arts. 2º, 4º, § 1º, “a”, e 6º do Decreto-lei nº 972, de 17 de outubro de 1969, passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 2º A profissão de jornalista compreende, privativamente, o exercício, por meio de processos gráficos, radiofônicos, fotográficos, cinematográficos, eletrônicos, informatizados ou quaisquer outros, por quaisquer veículos, da comunicação de caráter jornalístico nas seguintes atividades, entre outras:

I – direção, coordenação e edição dos serviços de redação;

II – redação, condensação, titulação, interpretação, correção ou coordenação de texto a ser divulgado, contenha ou não comentário;

III – comentário, narração, análise ou crônica, pelo rádio, pela televisão ou por outros veículos da mídia impressa ou informatizada;

IV – entrevista, inquérito ou reportagem, escrita ou falada;

V – planejamento, organização, direção e eventual execução de serviços técnicos de jornalismo, como os de arquivo, pesquisa, ilustração ou distribuição gráfica de texto a ser divulgado;

VI – planejamento, organização e administração técnica dos serviços de que trata o inciso II;

VII – ensino de técnicas de jornalismo;

VIII – coleta de notícias, informações ou imagens e seu preparo para divulgação;

IX – revisão de originais de matéria jornalística, com vistas à correção redacional e a adequação da linguagem;

X – organização e conservação de arquivo jornalístico, e pesquisa dos respectivos dados para a elaboração de notícias, comentários ou documentários;

XI – execução da distribuição gráfica de texto, processamento de texto, edição de imagem, fotografia ou ilustração de caráter jornalístico;

XII – execução de desenhos artísticos ou técnicos de caráter jornalístico;

XIII – elaboração de texto informativo ou noticioso para transmissão através de teletexto, videotexto ou qualquer outro meio;

XIV – assessoramento técnico na área de jornalismo.” (NR)



“Art. 4º ....................................................................................

§ 1º .........................................................................................

a) colaborador com registro especial, assim entendido aquele que, sem relação de emprego e prestando serviço de natureza eventual, oferece colaboração sob forma de trabalhos de natureza técnica, científica ou cultural, exclusivamente em forma de análise e relacionados com a sua especialização, sendo obrigatória a divulgação do nome e qualificação do autor.” (NR)





“Art. 6º As funções desempenhadas pelos jornalistas profissionais, como empregados, serão classificadas em:

I – Editor Responsável: o profissional responsável pela edição de jornais, revistas, periódicos de qualquer natureza, por agências de notícias e serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas em empresas de radiodifusão e outras onde sejam exercidas atividades jornalísticas;

II – Editor de Jornalismo: o profissional incumbido de coordenar e eventualmente executar, de forma geral, os serviços de redação e os de natureza técnica, também denominado de Secretário de Redação;

III – Subdiretor de Jornalismo: o profissional incumbido de coordenar e eventualmente executar ou substituir o Diretor de Jornalismo, também denominado de Subsecretário de Redação:

IV – Coordenador de Reportagem: o profissional incumbido de coordenar todos os serviços externos de reportagem, também denominado de Chefe de Reportagem;

V – Pauteiro: o profissional encarregado de elaborar e organizar, junto com a coordenação de reportagem, a pauta de orientação dos repórteres, realizando os contatos auxiliares à execução da tarefa;

VI – Coordenador de Revisão: o profissional incumbido da coordenação geral dos serviços de revisão, eventualmente desempenhando também a tarefa de revisor;

VII – Coordenador de Imagens: o profissional incumbido de coordenar os serviços relacionados com imagem fotográfica, cinematográfica, videográfica, inclusive pelo processo informatizado ou assemelhado;

VIII – Editor: o profissional incumbido de coordenar e eventualmente executar a edição de matéria ou programa jornalístico, titulando-a tecnicamente para a publicação ou divulgação, bem como o que desempenha a função de editor de som e de imagem das matérias jornalísticas, através de qualquer processo, e o responsável por setores ou seções específicas de edição de texto, arte, fotos, tapes, filmes ou programas jornalísticos;



IX – Coordenador de Pesquisa: o profissional encarregado de coordenar a organização da memória jornalística, de bancos de dados ou de arquivos;

X – Redator: o profissional que, além das incumbências de redação comum, tem o encargo de redigir editoriais, crônicas ou comentários;

XI – Noticiarista: o profissional que tem o encargo de redigir textos de caráter informativo, desprovidos de apreciação ou comentários, preparando-os para divulgação;

XII – Repórter: o profissional que cumpre a determinação de colher notícias ou informações, preparando-as para divulgação, a quem cabe a narração ou difusão oral de acontecimentos ou entrevistas pelo rádio, televisão ou processo semelhante, no instante ou no local em que ocorram, ou executam a mesma atribuição para posterior edição e divulgação;

XIII – Comentarista: o profissional que realiza avaliação, comentário ou crônica dentro de sua especialidade pelo rádio, televisão ou processo semelhante;

XIV – Arquivista-Pesquisador: o profissional incumbido da organização técnica da memória jornalística, banco de dados ou arquivo redatorial, fotográfico e de imagens, realizando a pesquisa dos respectivos dados para a elaboração de notícias, memórias ou programas jornalísticos;

XV – Revisor: o profissional incumbido da revisão, através de processos tradicionais ou eletrônicos de matéria jornalística, tendo em vista a correção redacional e adequada da linguagem;

XVI – Repórter-Fotográfico: o profissional com a incumbência de registrar ou documentar fotograficamente, quaisquer fatos ou assuntos de interesse jornalístico;

XVII – Repórter-Cinematográfico: o profissional a quem cabe registrar ou documentar cinematograficamente, quaisquer fatos ou assuntos de interesse jornalístico;

XVIII – Diagramador: o profissional encarregado do planejamento e execução da distribuição gráfica ou espacial, por meio de processo tradicionais, ou eletrônicos, ou informatizados, de matérias ou textos, fotografias ou ilustrações de caráter jornalístico, para fins de publicação;

XIX – Processador de Texto: o profissional encarregado da elaboração de texto ou informação jornalística por meios eletrônicos de impressão, reprodução de fac-símiles ou assemelhados, quer para a pesquisa em arquivos eletrônicos ou não, quer para a divulgação por qualquer meios;

XX – Assessor de Imprensa: o profissional encarregado da redação e divulgação de informações destinadas a publicação jornalística, que presta serviço de assessoria ou consultoria técnica na área jornalística a pessoas físicas ou jurídicas, de direito privado ou público, relativos ao acesso mútuo entre suas funções, a preparação de textos de apoio, sinopses, súmulas, o fornecimento de dados e informações solicitadas pelos veículos de comunicação e edição de periódicos e de outros produtos jornalísticos;

XXI - Professor de Jornalismo: o profissional incumbido de lecionar as disciplinas de jornalismo de caráter profissionalizante, e natureza teórica ou prática;

XXII – Ilustrador: o profissional encarregado de criar ou executar desenhos artísticos ou técnicos, charges ou ilustrações de qualquer natureza para matéria ou programa jornalístico;

XXXIII – Produtor Jornalístico: o profissional que apura as notícias, agenda entrevistas e elabora textos jornalísticos de apoio ao trabalho da reportagem.

Parágrafo único. Também serão privativas de jornalista profissional as funções de confiança pertinentes às atividades descritas neste artigo, bem como quaisquer outras chefias a elas relacionadas.” (NR)

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.



JUSTIFICAÇÃO

O Decreto-lei nº 972, de 17 de outubro de 1969, que “Dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista”, encontra-se, em determinados dispositivos, completamente desatualizado.

Desde a sua entrada em vigor, quase não foi alterado para se adequar às alterações produzidas pela evolução tecnológica ou pelo próprio aprofundamento da experiência profissional.

Assim, a presente iniciativa visa alterar a norma que regulamenta a profissão de jornalista para adequá-la aos tempos modernos. Para isso, propomos alterações nas definições de suas atividades e das funções exercidas pelos profissionais empregados.

Acreditamos, firmemente, que as alterações propostas poderão corrigir os dispositivos que se encontram em descompasso com o novo tempo.

Isto posto, a fim de modernizar a atual legislação, contamos com o apoio dos nobres Colegas para a aprovação deste projeto de lei, por ser medida de inteira justiça para com os competentes profissionais do jornalismo brasileiro.



18.9.03

 
   Conselheira manda um trecho de artigo do Fernando Mitre, publicado no JT de 19 de junho de 1999, em que é citada a frase de Bocayuva Cunha - esclarecimento de outro conselheiro - sobre Carlos Lacerda e a resposta deste:


      Aliás, acompanhando a seqüência de bate-bocas protagonizada por ACM nos últimos dias, os mais sensíveis e de boa memória devem sentir falta dos grandes debatedores que já habitaram a nossa política. Confiro, por exemplo, no livro de memórias de um dos grandes oradores que já passaram pelo nosso Congresso, o mineiro Paulo Pinheiro Chagas, uma análise da performance de Carlos Lacerda, o temido.

       "Ninguém o excedeu desde o Império. Não tinha decerto o saber de um Rui Barbosa, a tradição de um Joaquim Nabuco, a legenda de um Teófilo Ottoni, a estatura de um Bernardo de Vasconcelos. Mas possuía qualquer coisa de cada um deles", diz Pinheiro Chagas. Com Lacerda, a inteligência prevalecia, mesmo nos momentos mais violentos.

      Pinheiro Chagas narra uma daquelas passagens inesquecíveis em que Lacerda duelava com um deputado conhecido por sua desonestidade. Atacado no seu ponto fraco, o deputado quis reagir: "Ladrão é V. Exa." Lacerda: "Eu? Ladrão de quê?" Ele: "Ladrão da honra alheia." Lacerda: "Então, fique tranqüilo, pois nada tenho a roubar de V. Exa.".

      Era assim " a inteligência dava o espetáculo" com Carlos Lacerda, um político absolutamente brilhante, o que não quer dizer que suas idéias fossem as melhores. Não eram.

 
   Colega aqui da E-brás me corrige: o concurso da BR foi em 2002.

17.9.03

 
   Aí, pessoal! Saiu o edital do concurso para Técnico de Comunicação Social da Câmara dos Deputados! São 31 vagas: 12 para rádio, 17 para tevê e só duas para o povo da escrita. A remuneração inicial é de R$ 3.639,47 para 40 horas semanais de labor. O edital completo está em http://www.camara.gov.br/internet/Concursos/arqu_eng_com/Edital01_2003.htm.

   Preste atenção na prova a ser feita: é do tipo Certo, Errado ou Sem Resposta, com perda de um ponto a cada divergência do gabarito oficial, exceto quando for escolhida a opção "SR", que não fede nem cheira. É o sistema favorito da Cespe, realizadora do concurso, e quem esteve no da BR de 2001 sabe que ele parece ter sido desenvolvido pelos algozes de Joseph K num dia especialmente inspirado...

   Mesmo assim, vou pensar se dou os R$ 100 de inscrição (que começa dias 29 e vai até 10 de outubro) para concorrer às duas vagas da prova escrita. Confesso estar tentado. Afinal, adoro um concursinho...

 
   Agora, o Bolsonaro falou as bobagens de olho nas notinhas e obteve o resultado desejado no Informe do Dia, no Boechat e na Hilde. Tem colunista tão fácil de manipular, né?

 
   Hilde:

      Adeus às armas

      
Quase que o deputado Jair Bolsonaro encesta o caro colega Luiz Greenhouse, ontem de manhã, no Congresso, numa hora do plenário a meia-bomba. Bolsonaro é pelas armas, Greeenhouse é autor da proposta para acabar com sua venda. Aí, Jair lascou: Como é que um advogado de seqüestrador pode propor o desarmamento? O pau só não cantou porque o deixa-disso agiu. Já imaginar
am se um deles estivesse armado? Nem quero pensar...

   Greenhouse...A Hilde, sim, é de matar...

 
   Do Informe do Dia:

      Pancadaria verbal

O deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ), encrenqueiro contumaz, já foi chamado de quase tudo de ruim na política. Ontem, ele despejou uma montanha de impropérios contra seu colega Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Tudo porque o paulista defendia leis mais rigorosas contra o uso de armas. No meio do bafafá, Greenhalgh metralhou Bolsonaro com o seguinte rótulo: “assaltante da honra alheia”. Gente coisa é outra fina!


   Tenho quase certeza de que esta frase foi dita por alguém contra Carlos Lacerda, na versão "ladrão da honra alheia". Alguém mais versado em história poderia confirmar pra mim? E, se não for abuso, quem a disse? Valeu!

16.9.03

 
   Cláudia Lobo não está mais na Petrobras. Aceitou convite de Fernando Thompson e segue para a assessoria da Vale do Rio Doce.

 
   Um "leitor do Globo' (assinou-se assim...) pediu, num pitaco aí embaixo, um comentário sobre a colunista do Info&Etc do Globo que é também assessora de uma ONG que sempre aparece no caderno. Ele/ela não declinou os nomes, mas falava, respectivamente, de Cristina de Luca e do Comitê para Democratização da Informática (CDI). Respondi lá, mas vou fazê-lo aqui também.

      1. Cristina de Luca é uma pessoa séria tanto profissional quanto pessoalmente.

      2. O belo trabalho do CDI foi apoiado pelo Info&Etc desde que surgiu, há alguns (não lembro quantos) anos, e não a partir do momento em que Cristina se tornou assessora da ONG.

      3. Apesar das duas assertivas acima, creio que o "leitor do Globo" tocou num ponto que, mais dia, menos dia, vamos ter que enfrentar: a possibilidade ou impossibilidade de ser assessor e, ao mesmo tempo, jornalista de redação, ainda mais da área em que o seu assessorado está inserido.

 
   Imprensa é que nem mulher de César: não pode ser só honesta; tem que parecer honesta. A IstoÉ Dinheiro traz uma revista encartada "especial" com o título "perfil das grandes empresas" e que tem na capa o título "O Avanço do Bradesco". A primeira vista (e a segunda e terceira também), vai achar que é uma revista sobre várias empresas e que a edição botou o Bradesco na capa porque, afinal, é o maior banco do país. Só que quando se vai olhar dentro é que se vê que na verdade se trata de um grande informe publicitário, pois só o Bradesco é enfocado.

   Aí começam as perguntas: por que não foi colocado na capa o exato "Informe Publicitário" em vez do anódino "especial" (e ainda mais com um jornalístico "extra" do lado)? Não há simancol para botar um projeto desse na rua logo quando a revista é acusada de vender matéria editorial?

   Assim fica realmente difícil...

 
   Ruim a matéria sobre a mais do que previsível briga (afinal, agora há uma estrela maior brigando pela grana) entre a Georgette Vidor e a Confederação Brasileira de Ginástica hoje no Globo. É que só se ouviu um lado da questão, mesmo havendo acusações e insinuações pesadas contra outras pessoas. Não é assim que se faz.

15.9.03

 
   Ainda do Informe do Dia:

         O assassinato do chinês Chan Kim Chang, após sessão de tortura no Presídio Ary Franco, só confirmou o que muita gente já sabia: a ditadura militar deixou como herança a cultura da tortura policial.

   Na verdade, a "tradição" é bem mais antiga: vem do tempo da Colônia. As torturas que sofreu o inconfidente Cláudio Manuel da Costa e o personagem Vidigal, de "Memórias de um sargento de mílicias", mostram isso. Aliás, falando em literatura e tortura policial, a descrição do suplício e assassinato de um negro suspeito (era inocente) no livro "República dos Bugres" (adivinha onde fica...), de Ruy Tapioca, é impressionante e totalmente verdadeira (foi tirada de descrições de livros acadêmicos).

 
   Do Informe do Dia:


      Dúvida

      Quatro deputados do PT pediram que a Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados convoque o apresentador Gugu Liberato, do SBT.

      Suspeitam de que, na matéria exibida dia 7 sobre supostas ameaças do PPC a apresentadores de TV, os entrevistados não eram integrantes da fação criminosa.


   O mais interessante disso é que o SBT está em xeque-mate, pois ou os caras são mesmo do PCC (e não PPC, tá?) e a matéria faz apologia ao crime, ou eles não são da facção e, além da apologia ao crime, ainda tem falsidade ideológica e quebra de artigos da Lei de Imprensa. Em todos os casos, se o Bananão fosse país sério, a concessão pública deveria ser cassada.

14.9.03

 
   Isabela Abdala chega do Globo de BSB para a FSB do Rio (J&C)

 
   Patrícia Malavez trocou a Veja-Rio pela assessoria da Vale, onde atenderá a imprensa estrangeira (J&C).

 
   Márcio Carrilho volta a revista Super Hiper, especializada em varejo, para cobrir a Abras, a feira de supermercados que começa amanhã, dia 15 (Jornalistas & Cia).

 
   Roberto Falcão, ex-Lance!, está firme e forte cuidando da assessoria de imprensa do Pan 2007.

 
   Companheiro Gáspari, o que raios tem a ver a grilagem de terras por parte dos ricos de Angra com o João Paulo Stédile e o MST?

   Calma, companheiro! Olha o desespero!

12.9.03

 
   Fui ver "O Caminho das Nuvens". Um alerta para o pessoal que faz a programação do cineminha do Planalto: não podem deixar o Eleito ver este filme. Se vir, ele vai chorar tanto que fica uma semana sem governar.

 
   Já saiu na CPM:

   Voltou o papo de que a Revista do Globo - que circularia no domingo junto com o jornal - iria para as bancas ainda este ano. Daqui a uns dois meses, no máximo. A conferir.

 
   Para um jornal que diz seguir as regras do bom jornalismo, a matéria do Globo sobre a assessora do Gushiken é um gol contra inacreditável, daqueles de tirar zagueiro do clube. No "sistema judiciário" do jornal, uma simples acusação é motivo para que uma pessoa seja demitida sem julgamento, nem direito à defesa. Ou seja, é para ser linchada, sem mais, nem menos. A tal assessora pode até ser culpada, mas só deve ser demitida se for provada sua culpa em última instância, e pelo que está na própria matéria o inquérito - a primeira fase do processo - nem foi concluída ainda. E se a moça for inocentada? O Globo vai dar chamada na primeira também? Duvide-ó-dó

   Esse tipo de matéria é que faz a AMPLIAR (Análise Ampla Não-Linear da Realidade) se tornar algo indispensável para ser ler jornais: que interesse teria um jornal de publicar algo tão sem consistência como esse texto e com chamada na primeira?

11.9.03

 
   Já ia esquecendo...Como é bom ler Márcio Moreira Alves quando ele faz digressões históricas como as de hoje! Este coração, que tanto se arrepende de não ter seguido História, fica em estado de graça.

 
   Ontem, o Comunique-se - site do qual sou humilde colaborador - completou dois anos de existência. Tempo mais do que suficiente para você ter opinião firmada sobre ele, certo? Pois a pesquisa ao lado é sobre isso. Ele fica aí até o dia 30.

   Ah! Aquela sobre a cobertura do Pan, que mumificou-se aí ao lado, teve o seguinte resultado:

      Cobertura boa - 5 votos
      Cobertura fraca - 5 votos
      Cobertura regular - 4 votos
      Cobertura ruim - 2 votos
      Cobertura muito boa - 0 voto

 
   Já a minha modesta homenagem aos chilenos é pôr aqui o hino da Unidade Popular, agrupamento político que levou Salvador Allende ao poder em 1970. Se o seu browser estiver configurado para fazê-lo (e houver caixas de som acopladas, claro), você poderá ouvir o Inti Ilimani cantar a, na minha opinião, mais bela canção política desde a Marselhesa. Se não der, baixe o arquivo mp3 e ouça no seu winamp favorito...Clique aqui.

 
   Lendo o depoimento do José Serra no semicaderno especial do Globo sobre os "onces", me veio à cabeça uma sugestão ao Eleito: que ele ligue para o Kofi Anan e sugira o candidato derrotado à presidência para o lugar do Sérgio Vieira de Mello no Iraque. Pelo que o Serra escreveu hoje, não tem candidato mais bem preparado para lidar com situações de crise do que ele.

 
   Com a edição de hoje, confirma-se uma impressão que tinha desde a Invasão do Iraque: o pessoal da Inter do Globo bate um bolão. É uma espécie de Renato, do Santos, do jornalismo: domina todos os fundamentos, não costuma aparecer para a torcida, mas quando é chamado a intervir não nega fogo, o fazendo com classe e categoria. Beleza de equipe.

 
   Excelente o semicaderno especial do Globo sobre os 11 de setembro do Chile e dos EUA:

      1. O balanceamento dos dois acontecimentos me pareceu perfeito, com destaque maior para o que está mais próximo de nós, o "Once" chileno;

      2. Grande texto da Dorrit Harazim dando seu "testemunho ocular da história";

      3. Bacana a seriedade e o senso jornalístico do Renato Galeno nas matérias do Chile;

      4. Oportuno o boxe da Helena Celestino com a professora e analista americana sobre papel lamentável da mídia americana até hoje sobre o "Nine Eleven" deles.

      5. A edição foi sóbria e reflexiva como, me parece, as duas tragédias pediam.

10.9.03

 
   Enquanto estive fora, alguns conselheiros mantiveram a vigilância por aqui. Um deles me informa um novo recorde de egotrip estabelecido pela Hildegard Angel, na segunda-feira: ela se automencionou seis (6, meia dúzia) de vezes na coluna de página inteira a respeito do jantar oferecido pelo Intercontinental em homenagem ao primeiro mês da coluna dela no jotinha (como o outrora "jornal da Condessa" é agora conhecido). Mas não foi só: havia também fotos da colunista na página autocongratulatória e ainda direito à continuação da egotrip no dia seguinte.

 
   Outra coisa legal que vi outro dia no Globo foi uma série de matérias sobre projetos aprovados - ou apresentados - na Alerj. Importante à beça a volta dessa cobertura da Assembléia, que havia sido abandonada pelos jornais (O Dia menos). Espero que volte também a cobertura diária (ou pelo menos duas vezes por semana) na Câmara dos Vereadores. Não precisa ter setorista não (embora fosse o ideal), apenas ter o hábito de mandar o pessoal que cobre política correr por lá.

 
   Bacana a idéia de botar os dois lados de questões polêmicas com o nome de "Contraponto" que vi hoje no Inter do Globo. Muito legal mesmo. Tomara que seja levada para outras editorias no mesmo formato.

 
   Exemplo de esquentamento de título (no caso, subtítulo) no Globo:"Pressão de tarifas e alimentos eleva expectativas de inflação para 0,7%. IGP-M dispara na 1ª prévia de setembro". O leitor fica temeroso, vai ver a matéria e lá está escrito que os especialista de sempre dizem que nos meses seguintes tudo volta ao normal porque a alta não se sustenta. Ou seja, não há disparada coisa alguma, houve apenas um repique (algo que até Dona Míriam diz isso na coluna de hoje).

   Antigamente queria ter uma explicação lógica para o esquentamento de títulos, mas já desisti: a explicação, se houver, deve ser psicológica - talvez uma espécie de doença que faz com que a vítima sinta prazer em aterrorizar os outros. Só pode ser isso...

 
   Pois é, companheiro Gáspari, esse programa da Parceria Público-Privado pode acabar num assalto à bolsa da Viúva. Mas, vem cá, por que mesmo, hein? O companheiro escreveu muito sobre casos antigos de assalto, mas não explicou o porquê deste ser mais parecido com o do México, que o companheiro diz que fracassou, do que com o de Portugal, que o companheiro diz que funcionou.

9.9.03

 
   Só um comentário sobre a cobertura do Globo dos festejos da Independência em BSB: tudo bem que o jornal esteja querendo marcar uma posição de distanciamento crítico do governo do Eleito (talvez - não custa dar o benefício da dúvida - para não cair naquele adesismo selvagem dos seis primeiros anos de FH e no puxa-saquismo deslavado do tempo da ditadura), mas convém não brigar com os fatos, nem torcer raciocínios para atingir o objetivo. Comprar a presença de público da festa de posse com a da parada é brincadeira, né, não?

   E o pior é que matérias assim continuam aos tapas com os colunistas sérios do jornal, pois, na mesma segunda em que o disparatada comparação acima foi publicada, Helena Chagas elogiava - apesar dos gastos - não só a parada, mas todo a campanha pelo resgate do orgulho popular pela festa que fora jogado para escanteio durante a ditadura apoiada pelas Organizações Globo.

 
   Oba, estou de volta! O velho está bem e agora aos cuidados do filha e do genro médico. E meu velhote é a testemunha do que vou contar porque estávamos juntos na sala quando do acontecido.

   Assistíamos do JN de segunda pela TV Bahia, canal 11, quando o jornal foi interrompido para a propaganda política. Como era do PT, achamos que podíamos agüentar a baboseira (afinal o Duda é bom...). Tudo foi bem durante a parte nacional do programa, com a participação, entre outros, de Nelson Pellegrino, líder do partido na Câmara, e de Aloízio Mercadante, líder no Senado, falando das realizações do governo do Eleito. Uma hora lá, porém, Mercadante começou a elogiar o Pellegrino, que é baiano e praticamente o candidato do partido à Prefeitura soteropolitana ano que vem. Durante os elogios do senador, começou a rolar om filmete mostrando o deputado ao lado de figuras proeminentes da República estrelada, incluindo o próprio Lula.

   De repente, a tela ficou toda preta, com exceção de uma faixa verde em cima. Como era transmissão via Sky, pensamos que seria um problema passageiro. Trinta segundos depois, vimos que o troço era sério e comecei a zapear. As tevês pagas estavam funcionando direitinho e, de canal em canal, cheguei a um aberto, a CNT, que passava o programa eleitoral petista. Do Rio. Zapeei para o 11. Tela preta e verde. De volta à CNT, fiquei a ver o petismo fluminense em desfile (tem um sujeito de Quatís que vou te contar!). Assim que acabou lá, retornei ao 11 e lá estavam William e Fatinha como sempre.

   Você vai achar demais se eu disser que houve censura, né? Mas vai achar isso mesmo se eu disser que a TV Bahia é de propriedade da família de Magalhães?

8.9.03

 
Estou aqui na Bahia e só vou voltar amanhã à tarde, ok?

5.9.03

 
   A ABI vai tentar responder uma pergunta que me faço há anos: para que ela serve atualmente? A discusão sobre o futuro da entidade começa dia 9, terça que vem, às 10 horas com o primeiro debate do seminário ABI que nós queremos, que tem dois outros dois dias - 16 e 23 deste mês. Os encontros serão sempre sempre no auditório a Associação, que fica na Rua Araújo Porto Alegre, 71 .

   A programação completa é a seguinte:


   09/09

      10h - O papel da ABI e da comunicação na sociedade (I)


         Mediador: Fernando Segismundo


         Convidados: Alberto Dines (Observatório da Imprensa), Alexandre Freeland (O
         Dia), Altair Turi (Firjan), Ancelmo Góis (O Globo), Marcus Barros Pinto (JB),
         Muniz Sodré (UFRJ), Cláudio Bojunga (TVE) e Carlos Haag (Petrobras).


      15h - O papel da ABI e da comunicação na sociedade (II)


         Mediador: Maurício Azedo


         Convidados: Villas Boas Corrêa (JB), Sidney Rezende (CBN), Luiz Garcia (O
         Globo), Chico Caruso (Cartunista), Antônio Salgado Cunha (Tim), Paulo Roberto
         Pires (NoMínimo) e Armando Strozemberg (ABP).


   16/09


      10h - Como e por que ser sócio da ABI


         Mediador: Lygia Collor Jobim


         Convidados: Paulo Gerônimo (BNDES), Chico Otavio (O Globo), Marco Aurélio
         (Rádio Globo), Oscar Valporto (O Dia), Heris Arnt (UERJ), Raul Marques
         (Jornal do Commercio) e Aziz Filho (ISTOÉ) e Marcelo Ambrósio (JB).


   15h - Presença nacional da ABI


      Mediador: Octávio Costa


         Convidados: Franklin Martins (TV Globo), Ricardo Noblat (A Tarde), Carlos
         Chagas (ABI), Fritz Utzeri (TV Juiz de Fora), Sueli Caldas (O Estado de S.
         Paulo), Janio de Freitas (Folha de S. Paulo) e Bete Costa (Fenaj).


   23/09

      10h - O século XXI (I)


         Mediador: Vitor Iorio


         Convidados: Israel Tabak (JB), Ágata Messina (Prefeitura do Rio), Arnaldo
         César (O Dia), Aziz Ahmed (Jornal do Commercio), Edileide Macedo (TV
         Bandeirantes) Irene Cristina (UFF), Olavo Rufino (CEG) e Anabela Paiva (JB).


   15h - O século XXI (I)


      Mediador: Ana Arruda Callado


         Convidados: Nilson Lage (UFSC), Rodolfo Fernandes (O Globo), Paulo Totti
         (BNDES), Anna Catharina (Comunique-se), Marcelo Beraba (Associação Brasileira
         de Repórteres Investigativos) e Zuenir Ventura (O Globo) e Ziraldo (Pasquim).

 
   Legal a matéria sobre a ampliação de foco da Petrobras no Globo. Só tem um coisa: todo mundo na área já sabia que há tempos a estatal não se via mais como petroleira somente, mas como empresa de energia. Isso não só é insinuado publicamente pelo novo slogan - "O desafio é nossa energia"-, como foi dito, com todos os efes e erres, pelo principal pesquisador da empresa sobre biodiesel num seminário realizado há uns três meses no Cepel, na Ilha do Fundão (aquele tipo de evento que as assessorias pautam e neguinho joga no lixo sem nem terminar de ler o título do release).

   Assim, a boa matéria acaba ficando mais a crédito da assessoria da Petrobras, que usou o gancho da descoberta do gás para anunciar o que todo o mundo já sabia (ou pelo menos desconfiava fortemente) como se fosse uma grande novidade.

 
   O Eleito disse que ia ensinar o país a negociar. Pretensão, pelo menos enquanto não providenciar umas aulas de truco aos coleguinhas colunistas. Aliás, truco é jogo de caipira (no bom sentido) e parece que tanto Palocci quanto o Dirceu são muito bons nele.

 
   Vendo a manchete do Globo de hoje, me veio à mente imediatamente as palavras daquele plástico de carro: "A inveja é uma merda!"

4.9.03

 
   Priscilla Negrão, do DCI (SP), avisa que está tentando formar uma turma para o Curso Intesivo de Economia da Fipe, uma especialização para jornalistas formados. O curso normalmente custa R$ 1.600 (4xR$ 400) para cada branco, mas há a possibilidade de ser mais barato e mais rápido (três meses, com carga horária de 90 horas). Só que para saber quanto fica para cada um, teria que ter no mínimo 20 interessados e até agora Priscilla só descolou 14. Quem estiver interessado (eu estou, mas moro no Rio), deve escrever para crislainemc@panoramabrasil.com.br.

 
   Tô rateando por causa da doença do meu Velho. Ele está melhor, mas tenho que fazer companhia à noite no quarto e ando no bagaço (e estou em férias!).

   Muito grato a todos e todas que mandaram emeios desejando melhoras ao meu pai. Vocês não têm idéia de como isso é importante. Valeu, mesmo!

2.9.03

 
   Você não achou estranho que, depois de uma coletiva com Ronaldinho, ninguém tenha publicado alguma declaração dele sobre os seus empresários, Alexandre Martins e Reinaldo Pitta? Eu achei, mas me explicaram o fenômeno. É que foram proibidas - repetindo: proibidas - perguntas a respeito dos dois sujeitos presos por suspeita de remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Os coleguinhas presentes, que não queriam mesmo se aporrinhar com esse negócio de fazer jornalismo, aceitaram o "cala a boa, jornalista" numa boa.

 
   Já saiu na CPM...

   O Governo Lula tinha suspendido todas as concessões de canais de tevê depois do festival patrocinado pelo ex-ministro Juarez Quadros em fins do governo FHC, que teve grupos evangélicos entre os maiores beneficiários . As concessões voltaram a ser liberadas, mas, até agora, apenas uma entidade as recebeu: a Fundação Nazaré de Comunicação, pertencente à Diocese de Belém (PA). Até agora, a Fundação ganhou 11 autorizações para transmitir seus sinais fora da sede, na capital paraense: Abaetuba, Breves, Capanema, Marapanim, Almerim, Mãe do Rio e Serra do Carajás (todas no Pará), e Lábrea, Itacoatiara, Tefé e Borba, no Amazonas.

   Tenho certeza de que tem uma explicação lógica para a coincidência. Eu só queria saber qual é.


 
   O figuraço Marcus Veras convida você, sua cara-metade, filhos, cachorro e papagaio para a estréia do documentário "A Lira Feminina", que ele dirigiu. O filme é sobre o mulherio que faz música por aqui e não tem preconceito com estilo: estão nele Cristina Braga, Célia Vaz, Odette Ernest Dias, Lan Lan e um monte de outras craques. A "première" será na terça 16 de setembro, no Centro Empresarial Jardim Botânico (Rua Jardim Botânico 674, terraço), com três sessões rolando entre 19h e 22h. A fita é uma produção da Coringa TV - firma que tem Veras como presidente, comandante-em-chefe e, quando precisa, boy -, da Cara de Cão Filmes e da SGAE Brasil.

1.9.03

 
   E quem disse que o governo do Eleito não inova? A Radiobrás mandou 22 embora e o Gustavo Krieger diz que não foi passaralho. Foi "resultado de um processo de gestão participativa".

   Então tá...

 
   Aliás, para ser bem verdadeiro, tenho a impressão de que a Velha Província nunca saiu do tempo de Dom João III. Para se situar bem sobre o assunto, aconselho com veemência ler "Roberto Silveira - A pedra e o fogo", do Zé Sérgio Rocha.

 
   Não tô dizendo que esse Estado do Rio está retrocedendo celeremente em direção ao tempo das Capitanias Hereditárias? O prefeito de São Gonçalo, o médico Henry Charles, entrou com 12 (isso mesmo, uma dúzia!) de ações de calúnia e difamação contra O São Gonçalo, que vem publicando matérias com denúncias contra seu governo, baseadas em ações dos MPs estadual e federal.

 
   Segundo Colunista, pra que raios o prefeito de Paracambi iria botar um outdoor no seu município para informar ao seu eleitorado o que este já está cansado de saber? Se era para pôr outdoor (era isso a ser questionado e não onde!), tinha que ser fora de Paracambi, certo?

 
   Recordar é viver: quando o Eleito disse, na campanha, que iria escolher pessoas de carreira dentro das estatais para chefiá-las, Dona Míriam desceu a lenha chamando a idéia de retrocesso corporativista. Agora, a escolha de técnicos é prêmio aos bravos e abnegados servidores públicos. Que, aliás, até uns dois meses atrás eram apresentados como um bando de dráculas sugadores de sangue do Estado.

   Então tá...

 
   Aliás, em outros tempos não tão longínquos assim, rebeliões como as dos chefes do INCA e dos caras da comissão da Anvisa seriam carimbadas de corporativistas. Agora são tidas como indignadas reações de grandes e puros cérebros contra a partidarização da Saúde.

   Então tá...

 
   Doutora Vera é craque mesmo. Só que tem um gênio do cão e por isso se metade do INCA a adora, a outra metade acha que ela estaria bem melhor com um tumor no cérebro.

 
   Meu pai baixou CTI com problemas circulatórios e por isso não deu pra postar ontem. Agora que ele está melhor, voltei a ter cabeça para azucrinar os outros...

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