30.8.03

 
Aliás, taí uma boa tarefa para os professores passarem para seus alunos: comparar as manchetes dos quatro principais jornais do país a respeito dos cinco últimos orçamentos (2000,2001, 2002, 2003 e 2004). Tenho quase certeza de que em nenhum deles o setor social ganhou tanto destaque quanto neste nas manchetes.

Se a minha hipótese estiver correta, seria um passo adiante, na minha opinião: significaria que a mídia brasileira finalmente descobriu que está num país pobre e injusto. Teria sido ensinada por um torneiro mecânico a enxergar o óbvio.

 
Probleminha aritmético-jornalístico: sabendo-se que os orçamentos no Brasil são autorizativos e não determinativos, se o governo A põe no orçamento R$ 10 bilhões para a área social e só libera R$ 3 bilhões durante o ano, e se o governo B bota no seu orçamento R$ 8 bilhões para o mesmo setor e libera R$ 4 bilhões, pergunta-se: Qual o governo que investiu mais na área social?

Pois é. Enquanto não se tiver o quanto o governo FHC realmente gastou na área social (aí incluindo saneamento básico e reforma agrária) e o quanto vai gastar este ano o governo do Eleito, esse papo de orçamento menor de um ou de outro é puramente jogada política. Fica muito bem, portanto, para o Arthur Virgílio fazer bonito na tribuna da Câmara, mas não tão bem para jornais ficarem botando em manchete.

29.8.03

 
Bem,quase consegui...Descobri que tinha internet no primeiro dia, mas não estava a fim de postar, para não dar uma de viciado. Mas aí cometi a imprudência de ler o Segundo Colunista do Globo hoje e...

Você sabia que a expressão "na minha terra, isso é..." tinha sido patenteada pelo SCG? Pois eu não. Descobri hoje lendo uma nota dele. Pô, ele vai ganhar uma nota em direito autoral, porque essa expressão é usada a torto e a direito por este brasilzão de Deus a fora há um monte de tempo.

E depois reclamaram quando os japoneses patentearam no nome cupuaçu...

27.8.03

 
   Olha só...Vou viajar daqui a pouco e fico fora até domingo. Se no lugar para onde vou tiver internet (o que duvido), tento blogar de lá. Se não der, volto domingo, ok? Neste ínterim (parece HQ...), podem ir mandando as notas e observações de sempre, que posto tudo quando retornar, certo? Valeu!

26.8.03

 
   "Errei sim...":

      1. O (des) governo do Estado do Rio agora é do PMDB.

      2. A Cássia é Almeida e não Aparecida. Sorry...

 
   Essa excelente cobertura do Nelson, aliás, me fez lembrar daquela vontade que tenho de ver matérias como as que ele fez crescendo para se transformar em livros (no caso, sobre como a TI pode dificultar ou auxiliar o "trabalho" dos "amigos do alheio"). O mesmo desejo me veio quando da série de matérias "terceirização que mata", lembra?

   Tá bom, tá bom, já sei...A vida já está dura o bastante com essa exploração da força da trabalho que rola nas redações para aumentar o estresse com mais trabalho. Mas, na boa, não creio que gente competente como Nelson, Ramona Ordoñez e Cássia Aparecida - só para citar os que fizeram as matérias acima - se contente apenas com o trabalho que faz em jornal, por melhor que este seja. Além do que, os livros podem ir sendo tocados com vagar, em ano, ano e meio, não precisa voar.

   Vamos lá, povo! Vocês são muito bons para ficar só nisso aí! Falem com Agostinho - sujeito que tem ampla visão do campo de jogo como todo mundo sabe - e desenvolvam a idéia para o marketing sobre uma linha de livros escritos pelo pessoal da redação do Globo sobre assuntos levantados pelo jornal. Mandem lá no projeto alguns "agregar valor", "consolidar a marca" e "visão estratégica" que garanto que a idéia cola.

 
   Nelsinho Vasconcellos dá por encerrada (pelo menos temporariamente) a novela sobre as denúncias de maracutaias na contabilidade da Comissão Européia feitas por aquela especialista argentina em Tecnologia da Informação. A CE respondeu com uma nota assinada pelo cara que ficou no lugar da hermanita, que não só não traz explicações sobre as acusações que moça faz, como, se lida direitinho, as confirma. Por isso, acho que mais água vai rolar por baixo dessa ponte de Bruxelas, e conto com o Nelsinho para continuar este ótimo trabalho que ele vem fazendo no assunto.

 
   Aliás diante da vitória da Daiane dos Santos, eu fico pensando como seria se déssemos meia chance - não precisava nem ser uma chance inteira não, só meia - aos nossos negros e mulatos. E não só no esporte. Na história, na matemática, na física, na medicina...Que país a gente teria, hein? Talvez até tenhamos um dia, mas vai ser dureza construi-lo. Basta ver as reações hidrófobas quando se tenta estabelecer o regime de cotas nas universidades.

 
   Conforme lembrou Renato Maurício Prado, a ginástica brasileira deve muito de seu salto (com trocadilho, por favor) ao ucraniano Oleg Ostepenko, que treina a nossa equipe há uns dois ou três anos. Espero que estejam fazendo matérias sobre o gringo (e o coitado esteja preparado para a ciumeira que se seguirá a elas).

   Aliás, como boxe valeria ver outros que estejam treinando times de outros esportes aqui - acho que tem um sujeito na canoagem e os cubanos do boxe - e lembrar de outros que deram impulso a outras modalidades ao logo da história, incluindo aí o futebol, cujos saltos qualititativos na primeira metade do século passado têm muito a ver com treinadores estrangeiros que andaram por aqui.

 
   Aliás, uma pauta desdobrando esta do uso político de áreas sensíveis (saúde, segurança, educação) seria averiguar se isso ocorre nos Estados (como se houvesse dúvida...). Para ser justo, O Globo poderia pegar os estados do Rio Grande do Sul (PMDB), Minas ou São Paulo (PSDB), Rio (PSB), Bahia (PFL) e Mato Grosso do Sul (PT).

 
   Continua o avanço do Globo na cobertura do governo. Depois da Funasa, o jornal descobriu - com 76 anos de atraso (foi fundado em 1927, pelo que lembro) - que todo o comando da Saúde,em todos os níveis, no país também sempre foi preenchido primeiro por critérios políticos e, só depois (na melhor das hipóteses), por critério técnico.. Erradíssimo, claro, mas queria só saber para onde estava o olhando o jornal - e seus colunistas - quando isso ocorria em outros governos. Continuo torcendo para quando a onda petista passar, daqui a três anos, eles não voltem a olhar para este lugar de novo, mantendo o foco na boa cobertura. Se tivessem feito isso antes, provavelmente a saúde pública no país seria bem melhor hoje.

25.8.03

 
   A mídia dos EUA está com tremendas dificuldades com a aritmética no Iraque. Foi o que o pessoal da FAIR descobriu. Veja aqui.

 
   A Clipping TV está divulgando os resultados da pesquisa realizada durante do Congresso Brasileiro de Jornalismo, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, realizado pela Mega Brasil, em abril passado. O resultado que achei mais interessante é o de que a análise qualitativa, produto oferecido relativamente hám pouco tempo, já ultrapassou em importância a análise quantitativa (56% a 44%) na preferência das assessorias. Quem quiser saber mais informações a respeito do levantamento, pode escrever para a Vany Laubé, assessora da Clipping TV, em vany.laube@terra.com.br.

 
   Só para não deixar passar o que vi no fim da noite no Globo de ontem:

      1. Roberta Jansen bateu um bolão com a entrevista com Gore Vidal e as matérias com o porta-voz da ONU no Iraque e sobre a guerra micróbios x humanos.

      2. Na página 50, na matéria de apresentação de Vasco e São Paulo o título foi "No Morumbi, um duelo de goleiros". Só que o jogo foi em São Januário, como estava no lide.

24.8.03

 
   Bacana a matéria dos sem-banco do Globo. Além da pauta legal, o jornal mandou os coleguinhas para lonjuras do país, o que, eu creio, é papel do veículo mesmo: seguir o conselho do Milton e deixar de ficar de frente para a praia, a fim de tentar fazer daqui um país melhor. Não que eu acredite que esta seja uma meta da empresa, mas se ela perseguir seus objetivos e, no processo, mesmo que não queira, melhorar o Bananão, nada tenho contra.

 
   Aliás, já estou até com pena da prefeita perua de Sampa. A coitada vai apanhar à beça na eleição do ano que vem, pois a estratégia da oposição ao Eleito é aquela mesma que o Companheiro Gáspari descreveu hoje: São Paulo tem que sair das mãos do PT para o esquema pefelê-tucano ter alguma chance em 2006.

 
   O companheiro Gáspari ficou tão preocupado de se mal-interpretado por elogiar a boa administração da Marta em Sampa, que teve dar notas sobre duas notas irrelevantes falando mal do PT. Aliás, esse tal de Wellington Dias, governador do Piauí, deve ser bom mesmo. A imprensa de lá - dominada pela oligarquia - está usando fofoquinhas para falar mal dele, o que indica que o cabra deve estar mexendo nas coisas certas lá.

23.8.03

 
   O sempre atento Conselheiro dos Pampas manda o esporro que o Luís Erlanger, titular da Central Globo de Comunicação, deu, por escrito, na redação da Época e que a revista teve que, muito humildemente, publicar na íntegra na edição passada. É algo para se ler com o devido deleite, não só pelo esporro em si, como para se conhecer a versão que a Estrela da Morte pretende passar aos pósteros sobre a sua atuação nas Diretas Já. Um alerta e tanto para que evitemos que a receita do cidadão alemão citado no primeiro parágrafo volte a prevalecer sobre este assunto:

      O bom jornalismo recomenda que se evitem os clichês, mas, diante de erros publicados na edição especial sobre Roberto Marinho, não cabe outra coisa senão reconhecer que Goebbels, infelizmente, tinha razão. Uma mentira repetida mil vezes acaba tomando ares de verdade. E leva a erro inclusive profissionais bem-intencionados, que deveriam, no entanto, conhecer mais a fundo a história dos veículos para os quais trabalham.

      Na página 22, o redator se pergunta se a Globo seria um instrumento de interesses transnacionais, 'como a acusavam durante o regime militar'. Sem responder diretamente à pergunta, o redator diz que 'a Globo era vista como um prolongamento do braço poderoso do grupo Time-Life', com o qual fora assinado acordo para assistência técnica e transferência de know-how, desfeito alguns anos depois da fundação da TV Globo. E conclui afirmando que a ruptura do acordo 'não impediu a Globo de se tornar a quarta rede privada do mundo'.

      Vamos aos fatos: a) a imensa maioria do povo brasileiro jamais acusou a TV Globo de ser um instrumento de interesses transnacionais ou de ser um prolongamento de grupo americano. O redator esqueceu-se de explicar que tais acusações partiram sempre de uma minoria ruidosa, de quem a História se incumbiu de tirar a razão; b) conforme o depoimento de inúmeros profissionais que participaram do nascimento da TV Globo, Roberto Marinho teve de hipotecar todos os seus bens pessoais para que, no início, a TV Globo pudesse se financiar; c) e ela é hoje a quarta rede de televisão do mundo graças ao talento dos profissionais que conseguiu reunir e da qualidade da programação que pôs no ar, priorizando sempre a cultura brasileira e o interesse nacional. E não em decorrência de acordos assinados com grupos estrangeiros. No horário nobre, 98% dos programas são produções brasileiras; d) como bem disseram os filhos do jornalista morto, Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, a obra de Roberto Marinho, embora tenha partido de um ideal dele, só pôde ser concretizada porque foi uma aliança entre jornalistas, artistas, escritores, profissionais da cultura e o povo brasileiro.

      Na página 23, o redator diz que a Globo tem uma audiência potencial de 157 milhões de brasileiros, atingindo 98% dos 5.500 municípios. E conclui: 'Com esse poder, a Globo poderia criar e derrubar presidentes, privilegiar ou ignorar coberturas jornalísticas. Foi justamente contra esse poder que a população saiu às ruas, em 1984, para protestar. 'O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo', foi o slogan mais repetido na campanha pelas eleições diretas, que comoveu o país naquele ano, mas não empolgou a rede. A Globo demorou para cobrir os comícios e foi duramente criticada pela omissão'.

      Vamos aos fatos: a) a audiência potencial da TV Globo é de 159.067.633 brasileiros, atingindo 99,29% dos habitantes, em 5.445 municípios; b) a TV Globo jamais se sentiu com poderes para criar ou derrubar presidentes, tampouco agiu nesse sentido. Para nós, só o povo brasileiro tem esse poder; c) a TV Globo jamais privilegiou ou ignorou coberturas jornalísticas. Durante toda a nossa história, o que o jornalismo da Globo fez foi cobrir os fatos, dando-lhes a sua dimensão real. Nosso jornalismo, há anos, é líder absoluto de audiência e não por outra razão: o povo reconhece qualidade e credibilidade no trabalho que fazemos, qualidade que implica isenção e imparcialidade. É na Globo que a imensa maioria do nosso povo se informa. E, como todos somos absolutamente livres para mudar de canal, a alta audiência de nossos telejornais só pode ser explicada porque o povo reconhece a qualidade que lhe é oferecida; d) o povo não saiu às ruas em 1984 para protestar contra a TV Globo; saiu para exigir eleições livres para a Presidência da República; e) a Globo não demorou um minuto sequer para cobrir a campanha pelas eleições diretas. Já em março de 1983, quando Dante de Oliveira protocolou na Câmara a sua emenda, a Globo pôs no Jornal Nacional uma longa reportagem do então repórter Antônio Brito, com entrevistas com líderes oposicionistas, que se reuniram para traçar a estratégia para aprovação da emenda. Ao longo do ano de 1983, a Globo cobriu, com entrevistas gravadas e ao vivo, os principais passos da tramitação da emenda no Congresso; f) da mesma forma, a Globo cobriu todos os comícios e passeatas a favor das diretas em 1984, todos, inclusive o comício da Sé, no dia 25 de janeiro. Naquele dia, uma longa reportagem do Jornal Nacional, depois de mostrar a multidão, de dizer que ela não arredava pé dali nem com a chuva, depois de mostrar o palanque repleto de políticos e artistas, encerrava-se com trecho do discurso de Franco Montoro. O então governador de São Paulo afirmava que, após conquistar a anistia ampla, geral e irrestrita e o direito de eleger os governadores, os brasileiros precisavam conquistar o direito de votar para presidente.

      O nosso Centro de Documentação, que guarda todas as reportagens que são levadas ao ar, está à disposição dos profissionais de ÉPOCA para que comprovem o que aqui é dito. Será uma ótima maneira de conhecer a si mesmos e evitar, no futuro, que se repitam inverdades que mancham a própria imagem. Os erros cometidos por ÉPOCA, numa edição especialmente feita para homenagear Roberto Marinho, evidenciam apenas o acerto das Organizações Globo, que, desde 1999, criaram o 'Projeto Memória': uma iniciativa que se dedica a reunir documentos históricos e a colher o depoimento de centenas de pessoas que trabalham ou trabalharam no grupo. O objetivo é um só: preservar a história das Organizações Globo, para que ela possa ser contada como de fato se deu. Livre portanto das distorções e das mentiras criadas, ao longo dos anos, por alguns poucos setores da sociedade, minoritários, mas com grande poder de vocalização.

      De qualquer forma, esteve clara a intenção de ÉPOCA de prestar uma grande homenagem a Roberto Marinho. E a acolhida generosa desta carta é a prova de que, no jornalismo, embora acertar deva ser sempre a meta, quando se erra, admitir os erros e corrigi-los é a única forma de cumprir essa obrigação.

LUIS ERLANGER, Central Globo de Comunicação


 
   Um pássaro preto continua pousado no teto do edifício onde está o escritório da Seleções.

 
    A Rede Anhangüera de Comunicação, de Campinas, em parceria com o empresário Lourenço Tayar, ressuscita amanhã a Gazeta de Piracicaba, que viveu dez anos em fins do Século XIX. A tiragem inicial será de 25 mil exemplares, com 40 páginas, periodicidade semanal e distribuição gratuita. A RAC é dona do Correio Popular, do Diário do Povo, da Gazeta do Cambuí e do portal Cosmo On Line.(Meio&Mensagem)

 
   Já saiu no CPM...

   A brava deputada Jandira Feghali tanto insistiu que conseguiu aprovar o PL 256/91 (isso mesmo, estava tramitando há 12 anos) na Câmara, mais precisamente na Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Agora, o PL - que regulamenta o artigo 221 da Constituição e estabelece percentuais de regionalização para a programação das emissoras de rádio e TV, incluindo jornalismo (donde a importância para nosotros) - vai ao Senado. Lá, deve ser outra batalha, pois os patrões, é claro, são contra e vão continuar brigando para impedir a aprovação final (por que você acha que ele ficou vagando uma dúzia de anos entre os deputados?)

22.8.03

 
   Conselheiro manda idéia de pauta para quem cobre o Vasco: ver o que aconteceu com a cabeça do Mauro Galvão. Como notou o ex-craque e comentarista Falcão, que jogou o hoje técnico do Vasco, ele era um atleta disciplinadíssimo. Até reclamava vez ou outra de uma marcação, mas não era de dar espetáculos circenses como anda fazendo agora que virou técnico, esbravejando a cada falta marcada contra o seu time e dando socos no chão quando os jogadores dele erram. Deve ser um caso raríssimo de um cara cuja educação piorou depois que saiu do campo para o cargo de treinador.

 
   Eu não disse que o governo do Eleito no mínimo vai ensinar a parte da imprensa a cobrir direito o governo? Esse caso da Funasa que o Globo dá em manchete é um exemplo. O box diz que em 2000 foi determinado - pelo Serra - que os cargos deviam ser preenchidos por funcionários de carreira. Ou seja, antes não era assim - valia então o critério político - e eu não me lembro de jamais ter visto uma manchete no jornal sobre o assunto.

   Torço sinceramente que este surto de capacidade profissional na cobertura sobreviva à Administração Lula e viceje nas que as seguirão, seja de que partido forem.

21.8.03

 
   O excelente praça Rui Pizarro está abrindo caminho em outras duas atividades: mediador de debates e mestre-de-cerimônia. Começou por cima mediando o ciclo de conferências do Energy Summit, realizado em julho no Rio, e agora será o MC do 4º encontro anual do Project Finance Congress, a se realizar no Hotel Sheraton, de 15 a 18 de setembro. (J&C).

 
   Da reunião com o Eleito, dois comportamentos distintos dos colunistas do Globo:

      1. Tereza Cruvinel amou o presidente. Se for a mais um papo desses, sai com adesivo no carro;

      2. O Colunista da 4 pareceu um tanto desanimado com a tranqüilidade que o Eleito demonstrou com seu governo. Parece que esperava que Lula estivesse roendo as unhas e gritando com a Marisa.

 
   Os bons Luis Carlos Silva e Bira Bello deveriam tentar conter a sua pilha interna no Pré-Olímpico de basquete masculino. Hoje, eles passaram o jogo todo falando mal do time brasileiro, reclamando de que os jogadores não ficavam pulando que nem micos no banco a cada ponto e até insinuando que os rapazes não estavam mais tão unidos quanto no Sul-Americano e no Pan. O resultado contra as Ilhas Virgens? 100 a 74 pra nós, com vitórias em todos os quatro quartos.

   Calma, pessoal! Se vocês estão assim por causa das Ilhas Virgens, imagina quando chegar com Porto Rico, México, Canadá e Argentina?

 
   O Flusão deveria disputar o ruralito (como alguns chamam o campeonato gaúcho) ano que vem.

20.8.03

 
   Por falar em Nassif, o livro dele terá lançamento no Rio (oficial, pois já pode se adquirido nas boas livrarias há tempos) dia 25 (segunda), às 20 horas, no auditório d'O Dia (Rua do Riachuelo, 359). A responsável pela assessoria do lançamento é a boa-praça Marília Ferreira, que está agora na Insight. Lá, os clientes fixos dela são BR Distribuidora, a American Virginia Tobaccos e o restaurante Garcia & Rodrigues.(J&C)

 
   Renata Victal (ex-Extra e JB) foi para O Dia dar uma força para apuração da excelente coluna Painel de Controle, de Luís Nassif. Tremenda responsa. (Jornalistas&Cia)

 
   Aliás, a cobertura do Globo sobre a morte de Sérgio Vieira de Mello foi muito bem feita.

 
   Muito triste a morte do nosso ex-futuro secretário-geral da ONU, Sérgio Vieira de Mello. Mas era mais ou menos previsível que algo no sentido ia ocorrer com a ONU. Como deixou a entender o grande companheiro Paulo Delgado para Tereza Cruvinel -e outros especialistas ao longo da cobertura do Globo -, para os iraquianos, americanos e caras de ONU são a mesma coisa: estrangeiros que estão mandando neles, na terra deles.

 
   "'Sérgio morreu porque estava fazendo a paz e tinha uma filosofia progressista dos direitos humanos', lamentou ontem o embaixador brasileiro permanente junto às Nações Unidas (...)". Por que não "nas Nações Unidas"? É um mistério para mim esse uso da expressão "junto a" para significar "representação de alguém ou alguma coisa diante de outra". Afinal, "junto" não tem este significado em nenhum dicionário que já tenha visto. O grande Marcos de Castro também reclama à beça deste vício em seu livro (recomendo) "A Imprensa e o caos na ortografia" e por isso creio estar em boa companhia. Enfim...

 
   Cara, depois de ler as boas matérias do Globo sobre esta briga entre Carlos Arthur Nuzman e os rapazes e moças do vôlei de praia, fiquei pensando: "Caramba! Ainda faltam quatro anos para o Barra-2007 e o cara já está com este autoritarismo todo, imagina quando chegar mais pra perto. Vai ser duro de aturar..."

 
   Legal e bem sacada a matéria de Maurício Fonseca no Esporte do Globo sobre os jogadores-problema que não solucionam os problemas dos clubes que os contratam.

19.8.03

 
   Como ando muito mais chato do que de costume ultimamente (nem eu ando me aguentando, juro), vou falar de algo algo bonito: poesia.

   O Sindicato do Rio está promovendo um concurso de poesias para jornalistas em homenagem ao coleguinha e poeta-maior Carlos Drummond de Andrade. As inscrições vão até 26 de setembro e cada poeta pode inscrever duas obras. O concurso é nacional e por isso quem for de fora do Rio terá que mandar cópias xerox das carteiras de identidade e do respectivo sindicato. Mais informações (em PDF) podem ser vistas aqui.

 

   Já saiu na CPM. Vai aqui só agora porque esqueci de blogá-la...


   Quando a fase não anda boa...A Standard & Poor's rebaixou, há umas três semanas, o rating da RBS Participações S.A de B+ para B-. Este foi o passo seguinte ao "creditwatch" (em observação) em que a empresa fora posta pela S&P no dia 11 de junho.

A análise da agência de avaliação de risco que baseou o rebaixamento foi a mesma que fundamentou a colocação da RBSPar em observação: o mercado publicitário brasileiro está estagnado, não deve sair dessa situação tão cedo e isso prejudica o fluxo de caixa das empresas de comunicação, principalmente as endividadas no médio prazo.

A dívida total do grupo, em dezembro de 2002, era de US$ 178 milhões. A geração interna de caixa, de acordo com a S&P, foi negativa no ano passado, devido à desvalorização cambial. A falta de disponibilidade de crédito fez com que a RBS tivesse, em 2002, que usar recursos de reservas de caixa para a amortização de dívidas ou evitar empréstimos mais caros. Em dezembro deste ano, o grupo tinha em caixa US$ 32 milhões (contra US$ 61 milhões em dezembro de 2001 e US$ 138 milhões em 2000).

Mas nem tudo são espinhos na roseira dos gaúchos. A S&P considera positivos os fatos de a RBS ser líder no seu mercado e a tevê afiliada à Globo, líder nacional. Além disso, os acionistas estariam dispostos a se coçar e botar US$ 20 milhões na empresa até o fim do ano, que, junto com a apuração de US$ 25 milhões do caixa, seriam suficientes para pagar as obrigações - no valor de US$ 29 milhões - de 2004.

Depois desse ano, vamos ver.

 
   O Flusão tá mal à beça e mais um pouco vai dar adeus até à esperança de ficar na Primeira Divisão. Um clube em crise como está o meu amado tricolor é prato cheio para qualquer bom repórter. As matérias sobre o Glorioso Clube das Laranjeiras no Globo, porém, estão partindo para um lado jocoso que não condiz com a seriedade do assunto. Sim! Clube grande do Rio caindo para Segundona é assunto sério, pois afeta até a economia da cidade, já que seus funcionários passam por apertos ainda piores do que aqueles que já se tornaram normais e as vendas dos produtos licenciados diminuem (o Flu, por exemplo, tem uma loja chamada Só Tricolor que trabalha com produtos licenciados. O que vai ocorrer com ela se houver uma queda para a Segundona?), só para citar dois exemplos diretos (aliás, dá pra quantificar isso?)

   Pior é que, com o enfoque "fait divers", os maus dirigentes acabam se safando, botando a culpa na imprensa, como já começou a acontecer no Flu. Por que não perguntar seriamente onde estavam com a cabeça na hora de contratar Ademílson e Léo Inácio, por exemplo? O presidente Fischel disse que se arrependia de algumas contratações. Muito bem: quais? Quem as indicou? Quando? Foi graças a algum empresário? Qual (ais)?. O que fazem a mulher do presidente no vestiário do Maracanã e o filho deles como dirigente do futebol do clube? Os sócios do clube estão preocupados com a queda da marca Fluminense na vala comum ou acham que o importante é a sauna funcionar bem e a piscina estar limpa? Se é assim, não seria o caso de separar juridicamente o Fluminense Football Club do "Fluminense Social Clube"?

   Ou seja, há um mundo de matérias a serem feitas de maneira mais séria e competente do que uma sobre se o treinador sabe ou não se expressar, e falar bom português. Até porque, depois de uns 400 anos, estamos começando a nos livrar da idéia de que inteligência e cultura livresca são a mesma coisa. O processo começou ano passado, é longo e incerto, mas seria bom que a imprensa de modo geral a assumisse, até para que este país deixe de ser o que é para se tornar algo melhor. Se é, é claro, que a nossa imprensa tem interesse nisso, o que estou duvidando a cada dia mais.

 
   Tudo bem que o volume do microcrédito destinado pelos bancos privados é pequeno, mas tem que ver duas coisas:

      1. Pouco é melhor do que nada: na matéria do Globo de hoje, diz-se que o Bradesco vai destinar R$ 220 milhões, mas não fala sobre quanto vão destinar Itaú e Santander. Por que esta informação não está na matéria? Sei lá, provavelmente porque as assessorias dos bancos não botaram nos releases...De qualquer forma, se cada um botar em média R$ 100 milhões, só aí dá R$ 550 milhões. "Nada", como diz a analista de um banco de investimento carioca (aliás, qual o motivo do off, hein?), para os bancos, mas muito para um monte de gente (dava até para fazer aquelas continhas que o pessoal gosta tanto: se a média de empréstimos for de R$ 600, esses R$ 550 milhões daria para 900 mil pessoas, igual à população de uma cidade como....).

   Assim, a matéria comete o erro de quase sempre das matérias de economia, principalmente sobre o setor financeiro, em qualquer jornal: olham o mundo pela ótica da fonte, em geral rica e poderosa, e esquece o efeito que a ações podem ter na vida do leitor.

      2. Não se questiona as premissas: Os analistas, que prestam consultoria a bancos privados claro, dizem que os banqueiros teriam que cobrar mais pelos empréstimos devido à "estrutura gigantesca necessária nesse tipo de crédito". Bem, e como o BB e a CEF se propõem a fazer isso? Algo está errado, positivo e operante? Ou os bancos privados estão mentindo ou o BB e a CEF estão se arriscando às pampas (o que também não seria problema de per si, já que são bancos sociais mesmo, mas teria que ser aberto).

   E, no fim das contas, ninguém está obrigando os bancos privados a entrar neste mercado. Se o fazem não para melhorar a imagem perante o público, que eles nunca ligaram para isso. Vão ter que correr atrás porque podem perder a freguesia de microempresários para os bancos públicos. Essa ângulo, é claro, foi completamente ignorado pela matéria do Globo.

 
   Amigos do esporte do Globo, a construção "não temos que ficarmos deslumbrados(...)" é meio demais, não?

 
   Nova York voltou à rotina após o apagão, mas parece que a correspondente do Globo não. A matéria do jornal sobre o retorno à normalidade na Grande Maçã foi traduzida do NYT.

 
   Bonita a coluna do Intelectual da Casa no Globo de hoje. Realmente, o que estão tentando fazer com o companheiro Genoíno - e por tabela com o Eleito e seu governo - é realmente o que o IC disse que é: canalhice. Coisa de gente sem capacidade para a luta política, e com quem, como lembrou bem o Eleito na tevê, é até conveniente não estar no mesmo barco.

   E o IC sabe estar do lado certo quando quer. Pena que o queira - ou possa - estar tão poucas vezes.

 
   Bem, pensando em Cuba e na finada URSS, acabei lembrando desta belíssima música italiana. Baseada numa canção piemontesa do Século XVII, teve primeiro uma letra de protesto contra a Primeira Guerra e acabou como canção-símbolo da Resistência Italiana contra o fascismo:


      BELLA CIAO

      Una mattina mi son svegliata,
      oh bella ciao, bella ciao,
      bella ciao ciao ciao,
      una mattina mi son svegliata
      ed ho trovato l’invasor.
      
      Oh partigiano, portami via,
      oh bella ciao, bella ciao,
      bella ciao ciao ciao,
      oh partigiano, portami via
      che mi sento di morir.
      
      E se io muoio da partigiano,
      Oh bella ciao, bella ciao,
      bella ciao ciao ciao,
      e se io muoio da partigiano
      u mi devi seppellir.
      
      Seppellire lassù in montagna,
      oh bella ciao, bella ciao,
      bella ciao ciao ciao,
      seppellire lassù in montagna
      sotto l’ombra di un bel fior.
      
      E tutti quelli che passeranno,
      oh bella ciao, bella ciao,
      bella ciao ciao ciao,
      e tutti quelli che passeranno
      diranno guarda che bel fior.
      
      È bello il fiore del partigiano,
      oh bella ciao, bella ciao,
      bella ciao ciao ciao,
      è bello il fiore del partigiano,
      morto per la libertà!

   Em português:


      BELLA CIAO

      Esta manhã fui acordado
      oh bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
      Esta manhã fui acordado
      e encontrei o invasor.

      Oh guerrilheiro, vou-me contigo, oh bella ciao...
      Oh guerrilheiro, vou-me contigo
      porque eu sinto aqui morrer.

      E se eu morro com a guerrilha, oh bella ciao...
      E se eu morro com a guerrilha
      toma em suas mãos o meu fuzil.

      Lá me enterre sobre a montanha, oh bella ciao...
      lá me enterre sobre a montanha
      sob a sombra de uma flor.

      Todos aqueles que ali passarem, oh bella ciao...
      todos aqueles que ali passarem
      dirão então: "Que Bela Flor!"

      Esta é a flor do guerrilheiro. oh bella ciao...
      Esta é a flor do guerrilheiro
      morto pela Liberdade.

 
   Da iningualável Andréa, do excelente Palavranave:

N'O Globo:

O Homem do Ano
De: José Henrique Fonseca
Com: Cláudia Abreu, Jorge Dória e Murilo Benício
Estréia. Ação. 16 anos. Brasil, 2002. 1h55m.

Na Baixada Fluminense, Máiquel, um sujeito comum, assassina um bandido e vira herói da comunidade. Em pouco tempo, torna-se num matador de aluguel. Adaptação de Rubem Braga para o romance “O matador”, de Patrícia Melo.

ATUALIZAÇÃO: Minha irmã acha que eu devo ser mais clara. Vou tentar. Quando era bem novinha, vi o Rubem Braga comendo baratas vivas no Sem Censura. Impossível esquecer. Mas nunca ouvi dizer que o Rubem Fonseca fosse médium (seria bom perguntar pro Millôr). E, cá entre nós, a vida celeste teria que estar mui difícil pro Braga adaptar "O Matador", não? E eu não posso falar em Rubem Fonseca sem lembrar de devaneios, procuras e sustos de uma professora com ele. Mas contar seria muita indiscrição. E se tem uma coisa que não sou é indiscreta, né? Eu acho.

18.8.03

 
   Aplicando o meu método analitico patenteado AMPLIAR (Análise Múltipla Não-Linear da Realidade) à capa da Veja desta semana, deduzi que foi feita para sacanear o Eleito. Ele ficou parecendo um vampiro de Caetés - assustador e sem dentes.

 
   O desenho do Cruz que ilustra a coluna do Carlos Alberto "CAT" Teixeira no Info&Etc é a mesma que aparece na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos. Cochilada braba ou ironia com o JFS que gosta tanto de repetir a si mesmo?

 
   A minha "Teoria dos 20 Anos" - que reza que toda boa e óbvia idéia só é aceita no Brasil pelo menos duas décadas depois de apresentada - ganhou mais uma confirmação depois do Pan: quase todos os coleguinhas que analisaram o desempenho brazuca no evento pediram uma política esportiva nos moldes da cubana. Esta proposta foi colocada na mesa num seminário realizado em BSB pouco antes dos Jogos Olímpicos de 84 - ao qual este desvalioso ser esteve presente como pesquisador da área - e acabou sendo escanteada pelo lobby comandado pelo então presidente da CBV Carlos Arthur Nuzman. Este defendia que o esporte do Brasil só iria em frente com o investimento numa elite visando criar ídolos que levariam as crianças acorrerem - provavelmente em frenesi - em busca de quadras, pistas e piscinas. O Nuzman deve ter mudado de posição, é claro, já que é um homem de firmes princípios - está sempre do lado de quem estiver no poder e nada o faz mudar essa atitude - e por isso agora basta pormos mãos à obra.

   Só tem um pequeno problema com esta proposta "cubana": para dar frutos leva 15 anos no mínimo, e assim mesmo se arranjarmos um senhor que nos sustente, como a pranteada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas fazia com Cuba. Pois, se você não lembra, os "vermelhos", em nome da "amizade entre povos irmãos" (e não para azucrinar os ianques com uma propaganda do sucesso comunista bem dentro do quintal deles, como você maldosamente pensa) enterrou milhões e milhões de dólares e mandou centenas de técnicos para a linda ilha caribenha a fim de construir uma potência esportiva em década e meia. O que Fidel e sus muchachos fazem desde o passamento da Pátria-Mãe do Socialismo é manter as coisas em funcionamento, mais ou menos como com aqueles carros velhos dos tempos de "bordel da América" que eles têm por lá.

   E aí? Vamos ter dinheiro público para bancar o mesmo tipo de sistema num país nem sei quantas vezes maior do que uma ilhota do Caribe? Porque você sabe: empresário brasileiro e pensamento social não nasceram um para o outro, e eles não vão botar o rico dinheirinho deles numa escola de mocambo ou favela. E o FMI vai achar o quê do uso de grana desviada do superávit primário, hein?

   Pois é. Como dizia vovó Sinhá, "falar é fácil, fazer é que são elas".

 
   O Conselheiro Márcio Pinheiro, com aquele ímpeto regionalista tão característico dos gaúchos, esclarece:

      Você está parcialmente certo, meu bom amigo.

      De fato, a minha conterrânea Elis Regina gravou antes do que o João Bosco a música em homenagem ao meu também conterrâneo João Cândido, só que não foi em 71 ou 72, mas em 74, no disco Elis, aquele em que o LP a capa é toda branca e que o pingo do "i" é o rosto dela recortado numa janelinha (vinil tinha dessas bossas, lembra?). Na minha modesta opinião é o melhor disco dela. JB gravou no ano seguinte, no também ótimo disco Caça à Raposa (mas este não é o meu favorito dele).

17.8.03

 
   Bacanérrima a matéria de Lygia Medeiros e Toni Marques (principalmente deste, com toques provenientes de observação, algo lamentavelmente ausente na maior parte das matérias) sobre João Cândido, o Almirante Negro, um dos grandes heróis deste país. Apenas uma dúvida preciosista: a música "O Mestre Sala dos Mares", de João Bosco e Aldir Blanc, não foi gravada primeiro pela Elis Regina, num disco de 71 ou 72?

   De qualquer maneira, agora é esperar um daqueles cineastas falastrões se tocar e filmar essa história que parece ter sido vivida para virar cinema...

 
   A matéria sobre o "custo Justiça" no Globo é realmente muito interessante, pois parte de um pressuposto estranho: que os contratos têm que ser respeitados a qualquer custo. Pelo raciocínio exposto na matéria, Shylock poderia tirar a libra de carne de Antônio no "Mercador de Veneza" apenas porque estava escrito num contrato assinado sob necessidade pelo segundo.

   A questão primeira é saber se um contrato é justo e celebrado entre partes em igualdade de condições. Só depois deste ponto ser superado é que devem ser julgadas as divergências em torno dele. E, ao que me conste, aqui no Bananão os contratos assinados pelas empresas com os consumidores estão longe de serem justos (sem falar daqueles assinados entre um governo em delírio privatista e empresas sedentas por lucros enormes). Se fossem justos, certamente os empresários não teriam o que temer da Justiça, correto?

   Obviamente, este ponto foi completamente ignorado pela matéria.

 
   Duas matérias sobre maketing no Globo, uma interessante, outra hilária:

   1. A interessante é a da Nadja Sampaio - com box da Luciana Rodrigues - sobre as mudanças nos valores dos consumidores brasileiros, mostrando que o pessoal está mais racional, procurando um país e um vida mais real;

   2. A hilária é sobre mais uma pesquisa dizendo que jornais são mais consultados para compra do que a tevê na hora da compra. Isso é mais velho que o rascunho da Bíblia, mas os jornais, entra ano, sai ano, apresentam pesquisas sobre o assunto como se fosse novidade. Tudo no afã de arrancar mais grana dos mídias. Pelo que se tem visto, a tática não tem funcionado muito não.

   Quem sabe as empresas editoras de jornais percebam que os resultados da primeira pesquisa é que são importantes para se atingirem o objetivo que eles visam com a segunda? A esperança é a última que morre, né?

 
   Agora, uma reclamação que seria justa dos outros veículos - jornais principalmente - é a de O Globo ter usado o que foi revelado à Estrela da Morte como manchete. Seria, porque na hora de se combater essa absurda e antidemocrática propriedade cruzada dos meios de comunicação nenhum veículo fala nada. Portanto, tem mais é que entubar o "cross media", "sinergia" ou "sacanagem" - o nome fica ao gosto do freguês - e ficar de bico calado.

 
   Já sei. Vai ter gente reclamando porque o Eleito deu entrevistas à Veja e à Globo em detrimento de outros veículos. Mas não tem jeito, meu povo. É uma questão técnica de assessoria de imprensa: ele queria (e precisava) dar entrevistas para os veículos formadores de opinião com maior alcance social e nacional, e não há dúvida de que a escolha teria que ser mesmo a revista de maior circulação do país e a tevê com maior audiência (e, dentro dela, o programa de maior duração e maior audiência no dia mais relaxado do cidadão). O fato de serem dois dos veículos mais escrotos do país (a Veja mais que a Estrela da Morte) não entra na questão. São apenas negócios.

 
   O companheiro Gáspari é sensacional! Consegue fazer render o assunto de um roupão por uma semana e escrever a coluna dominical com apenas uma informação relevante - a de que o IDH da ONU sobre educação é uma besteira já que usa números de quem deveria estar sendo vigiado - e o restante com maledicências e anúncio de lançamento de livro nos EUA (sobre o Santos-Dumont, informação até legal, embora restritíssima).

   Pôxa, eu queria ter um talento desses. Não precisaria sofrer tanto para escrever aquela coluna do Comunique-se.

 
   Quem diria...O Globo se preocupando com a restrição de gastos sociais devido à busca do superávit primário...Como dizia minha vó Sinhá: "Esse mundo tá muito mudado!"

16.8.03

 
    Cláudia Mattos (Ex-Globo, Folha, Estadão, JB e Viva Rio) está na Nova Fronteira, onde começou semana passada. (Jornalistas&Cia)

 
   Bela, grande jogadora em seu tempo e hoje excelente comentarista, Dulce Thompson é tudo de bom.

 
   Tem gente que tem a toda sorte do mundo, hein, Heleninha? Chegar em Nova York para ser correspondente no dia do maior blecaute da História dos EUA é tudo o que um repórter pode querer.

15.8.03

 
   Lamentável a matéria do Globo sobre o fracasso brasileiro no torneio de boxe do Pan. Foi decepcionante? Foi. Mas não justifica o tom de cobrança quase pessoal do texto, com frases como "na dura missão de explicar o inexplicável" e "as desculpas não param por aí".

   Pelo que se lê na matéria o fato de os atletas terem tido uma casa para morar em Santo André, onde também puderam treinar, os obrigaria a ganhar um monte de medalhas, como se isso não fosse o mínimo para disputar qualquer coisa, e o fato de nunca o boxe ter tido isso mostrasse apenas a penúria deste esporte, sempre relegado ao 15º plano. E olha que ele é um dos que mais facilmente poderia tirar jovens carentes da bandidagem por canalizar a agressividade deles, ensinar-lhes que existem regras a serem cumpridas mesmo numa luta e ser de baixo custo.

   Quem fez a matéria demonstrou não saber do que está falando porque, para se fazer um "boxeur" bom de verdade leva-se bem mais que dois ou três anos, e que, sim o sorteio das chaves é essencial numa disputa de boxe amador nas Américas, pois quem enfrenta cubanos e americanos na primeira ou segunda lutas pode ir já arrumando as malas. O colega mostra também que não sabe apurar, pois a pergunta óbvia era a seguinte: de onde raios o COB tirou a idéia de que poderíamos ter dez medalhas em onze categorias enfrentando, além dos já citados cubanos e americanos, porto-riquenhos e canadenses, países com muito mais tradição no boxe pan-americano, sem falar dos dominicanos donos da casa?

   Enfim, quem fez a matéria só conseguiu demonstrar que é muito mais rápido que Sugar Ray Leonard para bater em quem está por baixo.

 
   Apagão em Nova York, é? Como se diria lá: "so what?"

 
   Além de Anabela Paiva, que volta para editar o Caderno B (a interina de séculos Kátia Ferreira, fica como segunda), Marcelo Ambrósio está de retorno ao JB para editar a Internacional, no lugar de Daniela Kresch, que sair para estudar.

14.8.03

 
   Ainda há cabeças pensantes na mídia norte-americana. Uma delas está no Brasil onde falou ontem durante Congresso e Fórum da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), realizado em São Paulo, informa a Meio&Mensagem. Bonnie M. Anderson, presidente da Anderson Media Agency, Inc. e ex-vice da CNN, disse que no afã de conseguir aumentar a audiência e a tiragem a todo custo, jornais e tevês estão deixando pra lá o que é notícia, algo que sempre se ligou à relevância da informação, para cair de boca no entretenimento puro e simples.

   A americana deu como exemplo de que este mal já atinge em cheio a imprensa brasileira a foto que viu na primeira página do Globo em que uma mulher estava sendo baleada. Quando foi averiguar, descobriu que era a "morte" daquela personagem de "Mulheres Apaixonadas" (e olha que ela não viu a rídicula discussão sobre se era bom ou não para o Leblon e para o Rio ter a cena...). "Uma imprensa séria transmite credibilidade e se torna essencial para a existência da democracia em qualquer país", diz a jornalista gringa.

   Esse alerta pode até fazer algum efeito lá nos esteites, mas aqui duvido: afinal, quem está ligando pra esse negócio de democracia? As empresas jornalísticas certamente que não.

 
   Sergio Dávila vem ao Rio para a noite de autógrafos de seu "Diário de Bagdá", obra que tem fotos de Juca Varella e no qual ambos contam como foi a cobertura da invasão do Iraque por parte dos EUA presenciada por eles "in loco". O lançamento carioca do livro será segunda-feira, 18 de agosto, a partir das 20h na Livraria da Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572).

 
   As caixas com postais do Rio Antigo a serem vendidas a partir do fim de setembro pela Prefeitura - e que hoje mereceram matéria na página 22 do Globo - foram criadas pelo Ateliê 19, com design da Conexão Gravatá.

 
   Aliás, noite esportivamente estranha essa de 13 de agosto, hein? A seleção de vôlei perdeu da Venezuela e o Flusão ganhou...

 
   Conselheiro faz reparo à crônica do jogo entre Brasil e Venezuela pelo vôlei masculino no Pan:

      Eu acho que o Globo viu outro final do jogo de vôlei entre Brasil e Venezuela:

         A Venezuela manteve o ímpeto no tie-break e pulou na frente no início. O último ponto veio de um saque na rede de Giba, o mesmo que fez o ponto da final da Liga: 15 a 12.

      Bem, a Venezuela não saiu na frente nem manteve o ímpeto, porque o Brasil tinha 3 x 2 e deu incríveis quatro pontos pro adversário em erros seguidos e o jogo não terminou com um saque na rede e sim com um saque pra fora do Giba.

13.8.03

 
   Os currículos de Fernando Portella (ex-O Dia) e Flávio Pestana (ex-Valor Econômico) estão na mesa dos "caçadores-de-cabeça" que procuram um Diretor-Geral (deve ser a tradução aproximada de CEO em inglês, eu acho) para o Estadão. O candidato ideal deve ser, além de bom jornalista (o que o Portella não é) e administrador, um Jó para aturar os Mesquita. (Meio & Mensagem)

 
   Resultado da pesquisa sobre como o povo viu a cobertura sobre a Reforma da Previdência:

      Equilibrada - 7 votos

      Tendenciosa pró-servidores - 6

      Tendenciosa pró-governo - 3

      Apática - 3

      Total: 19 votos

   E tem nova pesquisa ao lado: O que você achou da cobertura do Pan-Americano? Vale tudo: tevê, jornal, internet...

 
   Rapaz! O Sportv e a ESPN-B descobriram que o Brasil não tem política de esporte digna do nome! Vejam só...Podiam ter descoberto isso em Winnipeg ou mesmo em Sydney, mas deviam estar olhando para o outro lado...Enfim, antes tarde do que nunca, né?

 
   Quem quiser concorrer ao Prêmio Alexandre Adler de Jornalismo em Saúde deve se apressar porque as inscrições terminam no dia 1º de setembro. O Prêmio é uma iniciativa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Município do Rio de Janeiro, em parceria com o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e o Centro de Educação em Saúde do SENAC-RJ. Serão distribuídos R$ 11 mil em prêmios, além de ser sorteada entre todos os participantes uma viagem de uma semana com direito a acompanhante para uma cidade turística do Brasil.

   As fichas de inscrição estão disponíveis nas sedes do SINDHRIO (Rua Uruguaiana, 39, sala 1.504, Centro) e do SJPMRJ (Rua Evaristo da Veiga, 16, 17º andar, Centro). Mais informações pelos telefones (21) 2220-4223 e 2240-2402 ou pelo e-mail: meta@metaconsultoria.com.br.


 
   Parece que não vai sobrar ninguém no JC. Agora dançou a repórter Adriana Lins. E todo mundo está com as férias suspensas porque a empresa estaria sem fluxo de caixa para pagar as obrigações ao povo.

   Bem, quer dizer, quase todo mundo está com as férias suspensas...As do diretor de redação, Antônio Calegari, marcadas para setembro, estavam mantidas até há pouco.

12.8.03

 
   Roberto Marinho fez a última com o Rio: a missa de 7º dia dele deu um nó que infernizou a vida de quem foi ou passou pelo Centro durante o fim da manhã e início da tarde.

 
   Bonita - e triste - a matéria do Megazine sobre as meninas soropositivas. O suplemento tem investido em matérias mais adultas, se mostrando antenado com a boa cabeça que muitos dos "aborrecentes" têm hoje em dia. Legal.

 
   Uma pergunta que não quer calar, Segundo Colunista do Globo: o Coppola desfilaria na Mangueira ao lado do Chiquinho?

 
   O que terá sido mais ridículo na "História de Márcio e Marta ou A Fábula da Galinha e do Veado"?:

      1. Um estudante de direito da USP jogar uma galinha preta na prefeita da maior cidade do país?

      2. O ministro da Justiça ter dito "Jogar galinha preta é ofensa. Seria como se algum homem estivesse falando e jogassem um veado"?

      3. O Globo ter destinado quase uma página para repercutir a frase do ministro?


11.8.03

 
   Me esclarecem: Stella Miranda é reco do editor do Segundo Caderno.

 
   O Jornalistas&Cia informa que o SBT detonou dois da redação: Emília Ferraz (chefe de reportagem) e Rafael Pieroni (repórter). Dançaram também três funcionários da técnica.

 
   Marcelo Leite deixa O Dia para encarar três trabalhos. O primeiro é assessorar um grupo que pretende lançar um semanário do tipo popular em Araruama, circulando ainda por outras quatro cidades da Região dos Lagos (ou seja, vai pintar emprego lá...). Marcelo vai ainda investir na carreira de marqueteiro político e editar um jornal regional de Niterói e São Gonçalo. Há ainda a chance de ele assessorar Alberto Ahmed numa mudança na linha editorial de O Povo, mas isso ainda depende de conversas (J&C)

 
   Agnes Dantas trocou o Globonews.com pela Máquina da Notícia. Vai para a equipe de atendimento à Oi, com Patrizia D'Aversa e Christian Rôças. (J&C)

 
   Matéria de página inteira sobre Stella Miranda na capa do Segundo Caderno do Globo e notinha sobre a mesma na Gente Boa. Ou está rolando uma descoordenação, ou a Stella é reco à beça.

10.8.03

 
   Tive minha atenção atraída para os Jogos Olímpicos em 72, o que não é de admirar, já que teve o massacre dos atletas israelenses, o histórico jogo de basquete entre URSS e EUA e a incrível derrota da nossa seleção de basquete para Cuba por 66 a 60, depois de estarmos ganhando por 53 a 33 a dez minutos do fim, num tempo que o máximo que se conseguia era marcar dois pontos por arremesso.

   Acompanhar mesmo, porém, só comecei a acompanhar em Montreal, em 76, até porque foi a primeira que a tevê brasileira transmistiu mais eventos até para pagar o investimento no padrão colorido que fora recentemente implantando por aqui. A atenção, porém, só se fixou mesmo devido a três caras: Edwin Moses, o quase imbatível barreirista americano; o genial levantador polonês Tadeusz, que comandou a virada da seleção de seu país contra a poderosa União Soviética na decisão da medalha de ouro, no maior jogo da história do vôlei (é oficial, foi escolhido por votação pela federação internacional); e o cubano Alberto Juantorena, "El Caballo". Era realmente incrível vê-lo voar pela pista deixando aquele monte de caras para trás. Parecia que eram duas corridas: uma de Juantorena contra o relógio, e outra dos outros pelo segundo lugar.

   Por isso fiquei muito feliz e até emocionado com a boa matéria do Lúcio de Castro com El Caballo hoje. Muito, muito legal!

 
   Oscar Valporto, grande conhecedor de basquete, esclarece num pitaco abaixo, por que foi tirado um ponto das americanas quando estava 63 a 62. Realmente, confusão é o que não faltou neste Pan - por parte dos domicanos e por parte dos coleguinhas também.

9.8.03

 
   Olha só, vamos devagar com as patriotadas com o que aconteceu no jogo Brasil x EUA no basquete feminino. A mesa se enrolou, de um ponto pras americanas e depois o tirou no fim do jogo. Não foi isso que derrotou as brasileiras. Elas perderam porque se borraram todas quando viram aquele uniforme azul escuro, com as letras USA em vermelho debruadas de branco. Se botassem cinco cabos de vassoura com aquele uniforme, elas perderiam para eles também.

 
   Outra coisa esquisita na cobertura do Pan. No jogo entre Brasil e Estados Unidos pelo basquete feminino, a mesa consignou três pontos para as americanas depois da cobrança de dois lances livres: o placar estava em 14 a 11 e, no momento de um ataque americano, passou para 14 a 12, pouco antes de um arremesso de três perfeito da gringa, que levou a contagem a 15 a 14 pra elas.

   Na noite de ontem, a ESPN-B deu matéria mostrando esse erro crasso e ouvindo o Antônio Carlos Barbosa, que exigiu providências. Hoje, vendo o videotape na Sportv, vi - e ouvi o narrador Luiz Carlos Silva anunciar -, quando faltavam uns 50 segundos para acabar a partida, a mesa voltar o ponto: o placar estava 63 a 62 para os EUA e passou a 62 a 62, que ficou até o fim, levando a partida para a prorrogação. Dessa maneira, ficou tudo compensando.

   Pois bem. A ESPN-B não mostrou isso na matéria dela e o Sportv não questionou o fato quando o Paulinho Villas-Boas, da delegação de basquete, disse hoje que a organização estava analisando anular a partida ou mesmo dar o Brasil como vencedor. Nenhuma das duas hipóteses é justa, pois os EUA venceram mesmo o jogo. Pode-se reclamar - e dessa vez com razão - da organização do Pan, mas não corroborar uma malandragem no tapetão.

 
   Por falar em Pan, hoje o Globo diz que a delegação de futebol está passando aperto por estar alojada toda em apenas dois apartamentos (são 28 pessoas). Bom, o jornal teria obrigação de lembrar que a CBF só decidiu mandar um time na última hora, quando, muito provavelmente, todos os quartos já estavam reservados. Repetindo: Maurício do vôlei elogiou muito os quartos ontem a ESPN-B.

 
   Os filhos de Roberto Marinho, que morreu nesta quarta-feira, dia 6, estão divulgando comunicado informando a nova situação da empresa com a saída do pai.

Nós, filhos de Roberto Marinho, ainda emocionados pela perda de nosso pai, comunicamos as medidas organizacionais necessárias para que sua obra prossiga na trajetória de sucesso que ele imprimiu, e imbuída dos valores que tanto lhe foram caros.

Desde 1998, compunhamos o Conselho de Gestão das Organizações Globo, por ele presidido. Agora, Roberto Irineu Marinho passa a ocupar o cargo de Presidente das Organizações Globo, a ele subordinando-se diretamente
nossos diversos negócios.

João Roberto Marinho continuará ocupando a Vice Presidência de Relações Institucionais, presidindo o Conselho Editorial das Organizações Globo e as relações com os diferentes segmentos da sociedade.

José Roberto Marinho, como Vice Presidente de Responsabilidade Social, prosseguirá liderando projetos de ação comunitária e a Fundação Roberto Marinho.

Nosso compromisso, em conjunto com nossos companheiros de trabalho, é ampliar a obra de Roberto Marinho, voltada para informar, entreter e educar a população brasileira. Assim o fazemos pela importância em si desse
objetivo para toda nossa sociedade, mas também porque, dessa forma, manteremos viva a sua presença.

Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho.


   Assim, é oficial: Roberto Irineu senta na cadeira do velho Bob.

   Xiiii....

 
   É, se quiserem acabar (ou pelo menos diminuir bastante) a pirataria basta atacar os depósitos, especialmente os que ficam no Centro. Mas vem cá: esses chineses e esse doleiro presos não têm advogados não? Sabe como é: tem que ouvir o outro lado, qualquer que seja ele, certo? É uma providência elementar inscrita no manual, além de ajudar a evitar manipulação por parte de parlamentares e delegados que gostam de aparecer.

   Aliás, não é por nada, mas viu quais são os nobres deputados que estão na tal comissão anti-pirataria? Leonardo Picciani (relator), Júlio Lopes, Laura Cardoso e Luiz Antônio Medeiros (presidente). Sei não, mas é melhor ficar de olho em quem esta comissão está chamando ou vai chamar para depor, viu?

 
   Parece que mesmo tendo Tereza Cruvinel escrevendo todo dia e a Helena Chagas uma vez por semana, os responsáveis pela editoria de Política do Globo continuam confundindo cobrir o assunto com fazer política. Assim, mais uma vez, estão tentando demonstrar que Lula fraqueja ao ceder aos governadores 25% da Cide, desde que eles (segundo está escrito) passem a cuidar das estradas. Como se mantém essa proposta de cobertura, estou começando a desconfiar que ou é falta de capacidade pura e simples para realizar bem o trabalho, ou são ordens superiores para tentar enfraquecer o Eleito.

 
   Tereza Cruvinel faz hoje o mesmo reparo que fiz ontem à interpretação da editoria de política do Globo, no episódio da votação da reforma da Previdência. Para a colunista, o fato de a oposição votar com o governo foi vitória e não derrota política do Eleito. Aliás, para ela - ao contrário do que pareceu à editoria de política do Globo - Lula foi vitorioso e não derrotado por ter exercido a democracia.

   Assim sendo, vamos combinar: quem se interessar realmente por política e ler O Globo, deve se ater à Tereza, à Helena Chagas e ao Márcio Moreira Alves (quando ele escrever sobre). O resto - matérias e demais colunistas - pode botar na gaiola do passarinho.

8.8.03

 
   Um problema para fazer aquela pauta sobre a correlação IDH x medalhas olímpicas ou pan-americanas é que teria que ver a relação número de atletas em cada delegação x número de medalhas conquistadas. O Brasil tende a levar sempre delegações enormes, não só para dar experiência a atletas que pouco saem da América do Sul como também porque confederações que levam atletas sempre descolam viagens bacanas para seus dirigentes. Outros países mandam normalmente atletas que eles acham que realmente podem ganhar algo ou chegar muito perto de. Outro ponto é que países com IDH altíssimo, como a Suíça, gostam mesmo é dos Jogos Oímpicos de Inverno, os quais não disputamos.

   Enfim, é realmente uma pauta complicada de fazer...

 
   Tem alguma coisa errada com a cobertura do Pan na tevê. O pessoal do Sportv não perde a chance de malhar a organização dos Jogos. Tudo é motivo para remoques - da suposta falta de telefones até a areia da arena em que são disputados os jogos de vôlei de praia, passando pelo fato de os juízes do basquete conversarem com os cronometristas (nunca soube que essa atitude comum era indício de desorganização de uma competição).

   Só que ainda agora, na ESPN do B, Antônio Carlos Barbosa, técnico do basquete feminino, e Maurício do vôlei foram perguntados sobre o que estavam achando do Pan, principalmente sua organização. Surpreendentemente para quem estava acompanhando a cobertura pelo canal pago de esportes do Império como eu, tanto Barbosa - que frequenta Pans desde 71, em Cáli - quanto Maurício a elogiaram. A única crítica que fizeram foi ao transporte que fica um tanto confuso porque a Vila é longe e às vezes os ônibus não conseguem fazer a ligação rapidamente. Mas Maurício disse que ficou agradavelmente surpreendido porque saiu do Brasil ouvindo horrores e lá encontrou uma Vila Olímpica bonita, bem organizada e confortável. "Os quartos são até maiores do que os de Sydney", contou ele, referindo-se aos Jogos Olímpicos de 2000, com a concordância de Barbosa.

   E agora, como é que fica? Não sei quanto a você, mas tendo a acreditar nos esportistas.

 
   Estão para sair dois editais para concursos visando preencher vagas de professores de jornalismo na UFF. O primeiro é para professor-substituto e não precisa titulação, apenas registro profissional e experiência na área (quanto tempo só se saberá quando o edital sair). O salário é aviltante - R$ 300,00 - servindo mesmo só para quem pretende seguir carreira acadêmica. O escolhido será responsável pela cadeira de jornal laboratório e um outra a ser definida.

   No segundo concurso é para professor efetivo, havendo exigência de titulação - mínima de mestre - e de dedicação exclusiva. A vaga é para a área de telejornalismo e o salário deve ficar em uns R$ 2000,00 líqüidos. Ou seja, o felizardo/a passará a fazer parte da privilegiada casta de servidores públicos, com seus altíssimos salários...

 
   Outra pautinha, desta vez unindo Esporte e Economia. Há correlação positiva (ah meus tempos de estatística!) entre o IDH, aquele índice que mede o desenvolvimento humano de um país, e o desempenho dos países em competições como o Pan? Em caso positivo, em que lugar o Brasil deveria estar no Pan?

 
   Hoje o meu exemplar de assinante d'O Globo não chegou na hora. Pô, o presunto nem esfriou e já começou a zona?!

 
   Gozado. Na administração passada, na raras vezes em que o PT votou a favor de uma proposição governista, os jornais diziam que fora um vitória política do governo. Hoje, a mesma situação expõe a fragilidade da bancada aliada. Enfim...

7.8.03

 
   Mais uma pautinha que não será feita, desta vez para o Esporte.

   Na minha opinião, a grande novidade deste time de basquete masculino é que ele marca muito bem. Novidade porque, desde que acompanho basquete - ou seja, desde os 11 anos, e hoje estou com 43 - o maior problema de todos os técnicos de clubes e seleções brasileiros era convecer os jogadores de que em basquete, ao contrário do futebol, o melhor ataque é a defesa: tomando a bola do adversário, você não só o impede de marcar como o pega desequilibrado na defesa, facilitando demais o contra-ataque, botando 3 contra 1 ou 3 x 2. os jogadores brasileiros não se convenciam disso e o resultado é que o nosso time era 8 ou 80: podia ser a primeira seleção do mundo a ganhar dos EUA na casa deles e ficar em 11º num Mundial com 14 seleções.

   Agora, de repente, surge uma geração que marca muito bem. O que mudou? Essa é a pergunta-base da pauta. A minha teoria é que, antigamente, o técnico falava, mas os jogadores não acreditavam porque não viam. Com o início da transmissão ao vivo dos jogos da NBA em número suficientemente grande, eles passaram av er como defender é essencial no jogo e também ver a técnica para fazer isso bem (aquele Alex evidentemente olhou atentamente os craques em marcação da Liga profissional norte-americana em ação). Esses garotos do Lula (ô apelido vencedor!) cresceram vendo Michael Jordan voltando sempre para marcar - foi muitos anos do "time defensivo" formado pelos melhores marcadores da NBA - e ganhando tudo com o Chicago Bulls.

   Valia ou não uma materinha com esse time campeão sob este ponto de vista?

 
   Simplesmente maravilhosa...:

Prezado XXXXXX

Bom dia!
Imagino a tristeza de toda a família GLOBO com o falecimento do Dr. Roberto Marinho que , intuo, deve ser um ícone para todo jornalista. Tive certa vez, há muitos anos, a oportunidade de estar com ele numa festa infantil, na casa de final de semana, na Estrada das Canoas. Um de seus netos, que fazia aniversário, era coleguinha de meu filho no Colégio Andrews. Recordo que meu coração batia forte quando o grande portão da casa se abriu: eu ia conhecer parte da família Marinho, que sempre admirei muito. Vi e cumprimentei o grande jornalista na intimidade familiar, com esposa, noras, filhos e netos. Observei o que nunca esqueci : a real a humildade, a dos grandes, que para mim é a verdadeira. Naquela festa não havia vaidades pessoais nem soberba. havia o verdadeiro culto à família a ao Lar.

Eu não poderia, hoje, enviar este e-mail sem antes dizer o que sinto nesta manhã de agosto , mas....

Acabo de enviar este e-mail para os jornais de bairro. Você poderia dar uma força para que a Palestra seja divulgada?
Você conhece alguma jornalista de Niterói ? Conto com a sua colaboração.
Abraços
XXXXX

 
   O Segundo Colunista do Globo adora dar o que corre pelo que ele chama de "território livre da Internet", mas como, por motivos óbvios, ele não vai publicar o que se segue, faço-o eu:

"Briga de audiência é fogo. Foi só o Silvio Santos falar que iria morrer que o Roberto Marinho foi lá e morreu primeiro."



 
   Minha total solidariedade para com os coleguinhas dos veículos do Império que devem estar com os sacos arrastando no chão de tanto repercutir a morte do Nosso Companheiro.

 
   O Helio Fernandes venceu pelo menos esta...

 
   Não é por nada não, mas foi a tevê anunciar a morte do Nosso Companheiro que fogos foram ouvidos aqui no Moneró...

6.8.03

 
   EU NÃO ACREDITO!! I DON'T BELIEVE! YO NO CREO!! JE NE CROIRE PAS!!

   ROBERTO MARINHO MORREU!! ROBERTO MARINHO IS DEAD!! ROBERTO MARINHO ES MUERTO!! ROBERTO MARINHO EST MORT!!

 
   Sabrina Lorenzi, da Gazeta Mercantil, e Beatriz Cardoso, editora da TN Petróleo, venceram o 3º Prêmio Onip de Jornalismo, nas categorias Jornal e Revista, respectivamente. Ambas abiscoitaram prêmios de R$ 5 mil. Também receberam menções honrosas Frederico Furtado, Thaís Fernandes e Roberto Carvalho, da revista Ciência Hoje, e Gustavo Belesa, d'A Gazeta (ES).

 
   Ganha uma viagem a Campos quem conseguir decifrar o que quer dizer o trecho em negrito na matéria abaixo:

O GLOBO - 6/8/03 - Nacional - Volta de garotinho para o PDT já provoca brigas e troca de insultos -
por XXXXX

O conselho político do PDT no Estado do Rio se reuniu ontem para ouvir do presidente do partido, Leonel Brizola, relato sobre o encontro que ele tivera, no fim de semana, com o secretário de Segurança, Anthony Garotinho. O secretário quer ir para o PDT, e a tendência do partido é aceitá-lo, muito embora Garotinho suscite ataque duro, e quando panos quentes descem sobre o ataque, as imagens evocadas em sua defesa como político que pretende trocar de partido não são nada lisonjeiras.

 
   Está começando a ficar muito evidente e por isso creio que seria de bom alvitre o comando da redação do Globo observar com atenção o fato de que há duas divisões de colunistas nas páginas de política e economia do jornal. A primeira divisão é formada por Tereza Cruvinel, Helena Chagas, Márcio Moreira Alves e Dona Míriam (esta assim meio Flusão, lutando para não cair); a Segundona é formada pelo Colunista da 4, pelo Intelectual da Casa e pelo Joelmir (este assim meio Foguinho, lutando para subir). Botar uns ao lado dos outros provoca um desequilíbrio de que deve incomodar um bocado de gente como me incomoda. Creio que vale uma "quali" pra ver o que o distinto público acha...

5.8.03

 
   Aliás, vamos recapitular a onda demissões no JC nos últimos tempos. Já dançaram Christine White (repórter), Cícero Sandroni (editor sênior), Jorge Luiz Lopes (repórter), José Olympio (trainee), Juçara Braga (repórter), Marta Simões (editora), Pereirinha (repórter), Roberto Hillas (editor), Rodrigo Ribeiro (repórter), Rivas (diagramador) e Ursula Alonso (editora).



 
   Marta Simões foi mais uma a dançar no Jornal do Commercio.

 
   Por falar na coluna do Jabor, quero declarar, oficialmente, a mudança do nome do método de análise criado e patenteado por mim. De "Paranóia Transcendente" - que carrega uma forte carga negativa - ele passa a se chamar AMPLIAR (de Análise Ampla da Realidade).

 
   Arnaldo Jabor já escolheu o lado. Quer dizer, ele já tinha escolhido faz tempo - desde o governo passado e a eleição - mas hoje botou preto-no-branco.

   Mas só um comentário histórico à coluna do velho cineasta reaça: o Golpe de 64 só rolou mesmo não por causa do Comício da Central, mas porque o Jango foi àquele comício de sargentos e cabos montado pelo Cabo Anselmo. Ali é que os milicos leais à Constituição perderam a paciência, porque a única coisa que militar não atura é quebra de hierarquia.

 
   Não disse que o pau ia comer na sucessão de O Dia?

 
   Se saiu em algum lugar, alguém me avisa, mas na seleção de vôlei dos EUA que disputa o Pan, a número 1 tem 16 anos e chama-se Cynthia Barboza (asssim, com "z" para a pronúncia sair certa em inglês). Com esse nome e essa idade, tenho quase certeza de que é descendente de imigrados da crise do fim dos anos 80, quando houve quase uma diáspora brasileira rumo a Miami e Nova York. Não daria para tirar esta dúvida, não?

4.8.03

 
   A matéria que saiu no Globo hoje sobre a participação brasileira no golpe do Chile em 1973 está com muito mais detalhes aqui.

 
   De atento conselheiro:

      Básico

A bancada federal do PT no Rio - constituída por oito deputados e pelo Senador Saturnino Braga - grava, amanhã, o programa que irá ao ar dia 8 de setembro. Ao contrário do apresentado em 2001, cheios de recursos de animação, este focalizará a atuação dos 45 prefeitos e 50 vereadores em todo o Estado. Sem frescuras, porque a época não está para brincadeiras.


   Comentário do conselheiro:

      De onde ela tirou que o PT tem 45 prefeituras no Rio de Janeiro? São apenas 3 : Niterói, Paracambi e Resende. É só ir no site do PT pra ver.

 
   Mudanças na Record. Foi criada a Superintendência Executiva e de Produção, a cargo de Honorilton Gonçalves, que se reportará à presidência e procurará investimentos para as áreas artística e de programação (ou seja, vai caçar dinheiro). A Superintendência Artística e de Programação, porém, permanece com Luciano Callegari.

   Sei não, mas tende a não dar certo. Enfim, vamos ver.

 
   Deolinda Saraiva, repórter de economia das boas que agora só vive de frilas e de um restaurante em Conservatória (a Capital da Seresta), no interior do Estado, acaba de criar mais um movimento social para dar dor-de-cabeça ao Eleito: o MSP, Movimento dos Sem-Provedores. O manifesto de criação do grupo é midiático:


      Abaixo o preconceito contra o interior!

      Matuto também quer inclusão digital!


      Caros amigos,

      Falo em nome de cerca de 20 milhões de habitantes de pequenas cidades, entre os quais muitos, como eu, que moro em Conservatória, são obrigados a fazer ligação interurbana na hora de acessar a Internet.


      Por imposição da Anatel, o mapa das telecomunicações divide o país em 6.400 áreas locais (e o Brasil tem 5.500 municípios). Dessas, somente 500 têm mais de 50 mil habitantes e possuem infra-estrutura de provedores e operadoras de telefonia local. As outras 5.900 localidades – pequenas cidades, distritos etc. – precisam acessar operadores de outras cidades e utilizar ligações de longa distância para se comunicar, pois não há interesse de provedores em se instalar em locais considerados de baixo tráfego de telecomunicações.

      Gente! O custo é pesado para quem depende da Internet no interior. No caso do Estado do Rio, nós não temos Velox, não podemos utilizar o 1500 (a Telemar bloqueia esse acesso de ligação local no interior) e outros benefícios disponíveis para os internautas de grandes cidades.

      Se a Anatel obriga as operadoras a instalar telefone público em uma aldeia no interior da Amazônia, porque não determina que elas também facilitem a vida do pessoal do interior? Como é que o governo federal pretende ampliar o acesso à Internet se o interior tem de pagar um altíssima conta em ligações de longa distância? No México, por exemplo, havia 3.500 áreas locais que foram reduzidas para 350, obrigando as operadoras locais a ampliar o acesso de ligações para cidades do interior.

      Ajudem-nos! Façam pautas! Divulguem para os amigos!

      Grata,

      Uma descamisada digital

   Só tem uma coisa, Deo: para conseguir um espaço legal na mídia tem que invadir algo. Que tal pegar um garoto de 13 anos e fazer com que ele entre num site importante, grafitando-o com a palavra a sigla do MSP? Só assim acho que você consegue sensibilizar os coleguinhas.

 
   Por falar na "Paranóia Transcendente", e a Época, hein? Depois de anunciar o início da articulação golpista contra Lula brandindo o cadáver do LaCosta, bota o cachorro da Xuxa numa capa que sequer menciona que os assassinos do nosso colega foram presos, e que são bandidos comuns e não sem-teto. Depois fica todo mundo perplexo porque diretor de redação desta revista é que nem vestibular: todo ano tem um diferente.

 
   Legal também o ping-pong com o cientista político José Luís Fiori sobre os impasses do governo Lula. Acho até que o cara merece uma bolsa da Madame Natasha por usar muito palevreado para dizer que se o Eleito não mudar agora, vai cair daqui a pouco por não ter mais sustentação em lugar nenhum, mas gostei muito da frase:

     (...) Hoje, ao contrário da década de 60, a discussão da reforma agrária passa longe do agro-business, responsável por grande parte das exportações brasileiras, e por isto atinge muito pouco o núcleo duro do capitalismo agrário brasileiro. Mas, mesmo assim, vem provocando uma reação conservadora tão nervosa que às vezes lembra uma certa histeria coletiva, animada por parte da imprensa brasileira, e que presenciamos nos meses anteriores ao golpe militar de 1964. (...)

   Tá vendo? Meu método de análise acurada da realidade circundante, que batizei de "Paranóia Transcendente", mostra mais uma vez mostra sua pertinência...:)

 
   Ao fim e ao cabo a série do Globo sobre "a terceirização que mata" cumpriu bem o seu papel de alertar para um problema que sempre foi escamoteado pela grande imprensa. Creio que poderia ter sido melhor, com mais matéria de rua, mas compreendo os problemas logísticos - isto é, pouco repórter para muita matéria do dia-a-dia, o que, em outros tempos, era conhecido como superexploração da mão-de-obra. A série me fez pensar também que - talvez, dependendo da apuração - ela pudesse ser ampliada para um livro. Afinal, a equipe que a fez teve acesso a fontes diversas e números, e poderia aprofundar a pesquisa sem muita pressa.

   Este, aliás, poderia ser um caminho para diminuir as frustações de repórteres que ainda são capazes de se sentirem frustrados pelo mau aproveitamento de seu trabalho nos jornais diários: escrever livros sobre esses assuntos, aproveitando que não está muito difícil conseguir que editores interessados em botar no prelo livros de jornalistas. Dá trabalho, claro, mas creio que a recompensa profissional valeria a pena. Fica aí a idéia.

3.8.03

 
   Mais demissões no JC. Dançaram os repórteres Rodrigo Ribeiro e Juçara Braga e o diagramador Rivas. Também foi demitido o Russo, chefe do transporte, que, consta, já estava lá quando o Austregésilo de Athayde começou como foca.

 
   Muito boa a matéria da Isabel Kopschitz (espero ter acertado...) sobre a importância da figura materna no enfrentamento para impedir as crianças de entrarem no tráfico. Uma matéria não muito complicada de fazer - pegar um estudo, ouvir o autor, procurar personagens - mas ainda assim interessante por pegar um ângulo nunca observado. Aliás, o fato de não se ter ouvido psis para a matéria conta a favor dela e não contra, na minha opinião.

   Agora, não valeria a pena ver se as secretarias de desenvolvimento social de município e do Estado, e o Ministério da Bené têm algum projeto para dar uma forças às mulheres que impedem garotos e garotas de entrar para o crime? Afinal, estudos só adiantam se for feito alguma coisa prática com eles, né?

 
   Tereza Cruvinel nos dá uma informação interessante: a TFP está de volta às ruas. Se dependesse de editores que passaram por aqueles cursos ministrados pelo Carlos Alberto de Di Franco e outros tefepistas, só saberíamos disso quando eles já tivessem organizado pelo menos uma Marcha com Deus.

   Ah! E me chamaram de paranóico quando falei que a direita taí mesmo (não vou dizer que voltou porque ela nunca foi). Tem gente que não compreende mesmo minha análise ampla e sutil da realidade circundante...

 
   Dona Miriam é realmente uma figura. Aplaude o governo por manter a política de obtenção de superávit primário a qualquer custo, que impede o governo de gastar na área social e leva o país à recessão. Mas reclama dos movimentos sociais que radicalizam porque a área social está abandonada pelo governo e o país em recessão.

2.8.03

 
   Hildegard Angel estréia no JB no próximo dia 18. Ao que consta, terá duas páginas para a coluna e...tcharam!!...Manterá um blog! Hildezinha estaria encantada com as "possibilidades jornalísticas" desta ferramenta da Rede e que manter um bloguinho para contar os bastidores da sua coluna e, claro, sua própria vida.

   Mal posso esperar...

 
   Nem bem o Pan começou e a ironia com que é tratada a organização do evento pelos coleguinhas que foram para lá já está dando no saco.

   Hoje, durante a estréia da nossa seleção feminina de basquete contra o Canadá, a TV dominicana mostrou a ala Micaela suando por todos os poros na hora de bater um lance livre. Corte para o termômetro que fica na base da tabela, que marcava 30 graus. Novo corte para uma branquela canadense quase se liqüefazendo em suor.

   Mostrando todo o seu senso jornalístico, o locutor do Sportv pergunta ao comentarista Bira Bello: "Cronômetro antigo, não é, Bira?".

   Bira preferiu ficar calado.

 
   Aliás, o fato de Globo e JB ignorarem ostensivamente o que acontece de bom fora da Zona Sul incomoda muita gente, além, claro, de tornar o noticiário caolho. Veja o que escreveu Raphael Perret no blog Butuca:

República da orla

O Globo continua com seu provincianismo Zona Sul (privilégio que não é de exclusividade do jornal, diga-se de passagem). Hoje, o suplemento de fim de
semana Rio Show traz uma matéria sobre dez ruas cariocas que escondem "segredos" úteis para a população, como vistas da cidade ou serviços
especiais. Os bairros aos quais as ruas pertencem são: Urca (duas ruas), Leme (duas), Jardim Botânico (duas), Ipanema (duas), Leblon e Tijuca. Os cariocas já entenderam a questão. Quem não mora no Rio merece um esclarecimento. Dos bairros citados, apenas a Tijuca fica na Zona Norte, distante da brisa do mar.

As dez ruas são, de fato, como atenta a reportagem, cariocas. Mas a distribuição geograficamente irregular dos locais escolhidos faz parecer que somente na região das praias há alguma coisa interessante para se fazer. A exceção que confirma a regra é a rua da Tijuca. Gostaria de entender as razões que levam os jornais mais elitizados (leiam-se Globo e Jornal do Brasil) a desprezar os bairros da Zona Norte e Zona Oeste
(exceto Barra e Recreio). Nenhum repórter mora na Tijuca, Méier, Madureira, Penha, Bonsucesso, Ilha do Governador, Jacarepaguá, Pavuna, Irajá, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz (e adjacências)?

As equipes têm medo de ir além dos túneis Rebouças e Santa Bárbara? Por quê? Medo? Insegurança? Não conhece? Mas a premissa do jornalismo não é exatamente investigar o que não se conhece? Os jornais acham mesmo que o Rio de Janeiro se restringe aos bairros mais próximos da orla?

Matéria que deu origem ao post:
Jóias Raras
http://oglobo.globo.com/jornal/Suplementos/RioShow/109458170.asp


   Raphael queria entender o porquê de os jornais só darem matérias legais sobre a Zona Sul, mais Barra e Recreio. Isso é fácil: é porque as pesquisas do departamento de marketing mostram que essas regiões têm poder aquisitivo muito mais alto do que a ZN. E como o controle do pensamento das redações, desde o início dos anos 90, é feito diretamente do departamento de marketing, só esses bairros merecem reportagens que os valorizem.

 
   Segundo Colunista do Globo, grafites como esse da Lagoa existem há quase cinco anos na Leopoldina e em vários bairros da ZN (aqui na Ilha mesmo tem). Surgiram do trabalho de uma ONG que recuperava antigos grafiteiros, transformando-os em artistas populares. O mesmo trabalho, aliás, sei que existe no Recife.

   Ah! E todos os grafites bonitos da Leopoldina e aqui da Ilha foram grafitados por aqueles garranchos.

1.8.03

 
   Nasceu Sofia Almendra Veras, filha do Marcus Veras, uma das figuaras mais legais que conheci nas redações, e sua consorte, Belinha Almendra. Felicidades para e um beijo em todos!

 
   O conselheiro Pedro Aurélio continua reclamando de alguns críticos de cinema:

Pô, de novo o pessoal do RioShow não se conforma com o fato de não haver cabine pra o "Exterminador do Futuro 3". Tudo bem que rechaçam o que provavelmente o JB fez, ver um DVD pirata (será que isso é ético?). Mas o que eu não me conformo é ficar com ironia: " as distribuidoras não mostram os filmes para a crítica antes de eles chegarem ao circuito, temendo solapadas irreparáveis". Também não aceito copiar o que a crítica norte-americana (de onde, que ele nunca dizem: do NYT, de alguma revista especializada ou de quem distribui o Framboesa de Ouro?) diz do filme, "um decalque deslavado - e piorado" e que Shwarzenegger vive a "mesmíssima persona do Exterminador 2". Por que a crítica norte-americana e não a francesa, a canadense ou a alemã? Sempre é uma crítica desfavorável, nunca o contrário.

Aí eles vão ver o filme hoje e escrevem amanhã que não é tão ruim assim, que vale ver, como fizeram com "Todo poderoso". Será que é tão depreciativo assim fazer apenas o relato do lançamento do filme, uma matéria sem maiores pretensões?

Vamos transportar isso para o Teatro. Será que a Bárbara Heliodora iria fazer uma crítica de uma peça em que não fosse convidada? Será que ela ia ficar fazendo beicinho no Segundo Caderno?

A propósito, ...Schwarzenegger vive a mesmíssima persona... Ué, mas não se trata de uma continuação? Queriam o quê?






 
   Não tenho certeza se esse estudo sobre a violência no Rio já foi publicado, mas acho que não. Se realmente não foi, seria o caso de sê-lo. A dica é de uma conselheira. Ah! Está em pdf, tá?

 
   Mostrando que não é impossível produzir uma matéria séria sobre doping - demanda apenas dedicação e trabalho - a Globonews fez uma boa, na qual, sem precisar apelar nem para matérias em off, demonstra-se claramente que neguinho não pode romper os limites humanos que rompe sem aditivos. Que nem sempre são ilegais - há muita tecnologia envolvida. A matéria - apesar do final "só o amor constrói" - alerta até para o futuro uso da manipulação genética no esporte. É coisa para daqui a 20, 30 anos, mas quando acontecer é possível que a imprensa esportiva brasileira seja pega novamente de surpresa. Mas aí com certa razão: o tempo terá sido curto para se preparar...

 
   Não adianta chorar agora, Maurren. Você se dopou e vamos crucificar você no altar da hipocrisia (afinal, todos nós sabemos que vocês, atletas de ponta, se dopam, mas é conveniente manter as aparências, certo?).

   Como não vai ter muita coisa o que fazer mesmo até superar este momento, sugiro ver "The Killlers", filme de 46, de Robert Siodmak, com Burt Lancaster e Ava Gardner, em cima de conto de Hemingway (tem outro, de 64, de Don Siegel, com Lee Marvin, mas gosto mais do primeiro), fazendo o papel de um ex-pugilista que arma uma jogada, fracassa e fica à espera dos dois assassinos mandados para matá-lo deitando na cama, fumando. Lancaster sabe que vai morrer, mas também sabe que não pode escapar e até concorda que merece mesmo sofrer as conseqüências dos seus atos. Já os assassinos não têm nada contra ele. É apenas um trabalho.

   É como você deve encarar o que vamos fazer com você, Maurren: não é nada pessoal. São apenas negócios.

 
   O Intelectual da Casa (copyright de um conselheiro que anda sumido à beça) diz hoje em sua coluna, na qual desanca aquela besta do Stédile a respeito daquelas declarações desastradas dele outro dia:

      (...)A maior sandice da nota do MST talvez seja chamar um ambiente profissional e empresarial altamente competitivo de "partido ideológico da elite", preocupado com a "defesa de seus privilégios". Tudo bobagem: veículos de comunicação de massa vão rapidamente para o brejo se não derem atenção exclusiva aos desejos (às vezes inconscientes) e necessidades de seu público. E muitas vezes só crescem à custa dos competidores. São rivais, não condôminos.

   Não fosse assim, uma imprensa elitista e antipovo ofereceria aos brasileiros apenas versões esterilizadas e diminutas de episódios como o massacre de Carajás, a morte de Chico Mendes e tantos outros. E, no recentíssimo crime no acampamento da Volks, esconderia a descoberta pela polícia de que o fotógrafo da "Época" foi abatido por assaltantes, e não por gente do MTST.


   Numa democracia, ficaria mesmo difícil esconder um inquérito, pois este é público, e a informação acabaria chegando à população, ainda mais agora que existe este negócio aqui, chamado inetrnet.

   Agora, a mídia toda - e os veículos do Império em particular - foi de uma agilidade e leviandade espantosas em apontar um sem-teto como o assassino de LaCosta. E quando, 24 horas depois, as investigações mostravam que isso não era verdade, ainda assim a Época resolveu dar uma chave de braço na lógica e continuar ligando o bandido aos sem-teto. Estas atitudes realmente não foram esterelizadas. Foram sujas.



 
   MV BIll e o produtor roeram a corda com a TV Globo por "razões de foro íntimo". Aqui na Ilha tem outro nome: cagaço.

   Afinal, em terra que Marcinho VP vai parar no lixo, urubu trata de voar alto (Novo Ditado da Selva).

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