31.7.03

 
   José Sérgio Rocha deixou a assessoria da Petros e está a postos para frilas. Ele também dedica-se a montar uma fotobiografia sobre Roberto da Silveira, tema do livro que ele lançou mês passado. O novo trabalho deve ser lançado em novembro, na inauguração do Memorial Roberto Silveira, no Caminho Niemeyer, em Niterói

 
   E o bandido atirou em LaCosta porque achou que ele o tinha fotografado no assalto.

   Bem o que a Época e o Jornal da Globo - que no dia do assassinato fez sobre o caso uma das matérias mais nojentas da história da TV brasileira - têm a dizer agora?

 
   Do Segundo Colunista:

Guerra

Nas próximas horas, a polícia do Rio desencadeia uma superoperação.


   Isso é serviço público. Só resta saber para quem.

 
   Bem melhor a cobertura do Globo sobre o "Affair Maurren". Não condenaram a atleta sem julgamento, mas ainda assim mostrou-se a dificuldade de ela escapar de uma punição. Tudo sem apelação.

   O único reparo é para a matéria principal, de autoria da ótima Deborah Berlinck. Nela, a repórter atribui suas informações a uma fonte. Não gosto muito desse recurso de off, mas o engulo, e, em circunstâncias muito determinadas, até o acho aconselhável. Mas em qualquer desses casos, acho que o leitor merece saber qual o peso da fonte. Na matéria da Deborah, por exemplo, do jeito que está escrito, a tal fonte pode ser o presidente da IAAF, o diretor responsável pelo departamento técnico, o chefe do departamento de controle de doping ou o homem do cafezinho. Como o leitor vai julgar o peso daquelas informações e afirmativas se não sabe o peso de quem as profere?

30.7.03

 
   Cara, tava mesmo precisando de boas notícias e elas chegaram pelo Jornalistas& Cia, que dá conta do time de Imprensa da Petrobras, montado pelo Carlos Haag. Além da Ana Cristina Machado, que já tinha adiantado, da Cristina Borges e Cláudia Lobo - que eu sabia, mas não contei para não melar - ainda tem aqueles que eu não sabia: Rosane Serro (Economia, como as outras três), Gabriela Máximo (Inter), Regina Zappa e Eduardo Graça (Cultura), Olga de Mello (Responsabilidade Social) e Ricardo de Souza (Esporte).

 
   Ainda da Peltier:

Articulador
O governo federal já sentiu que precisa de um articulador para melhorar as suas relações com os outros poderes. O nome do deputado federal do PT, Sigmaringa Seixas, com trânsito no Judiciário, está bem cotado.


   Seixas é o articulador com o Judiciário desde o início da crise. Com o Legislativo, o governo tem articuladores desde o seu início: são os líderes.


 
   Da Peltier, no JB:

Em debate
A ministra Dilma Roussef participa, amanhã, do Energy Summit - o maior e mais importante evento do mercado de energia brasileiro. Tema: diretrizes para o planejamento financeiro e estrutural dos agentes do setor elétrico.


   Foi ontem.

 
   Maurren Maggi sendo considerada culpada impõe-se uma pergunta: o que faz uma campeã como ele dopar-se? Tinha que ser feita uma matéria sobre isso. Perder, ou não atingir as marcas que se espera, seria assim tão horrível a ponto de ela ter se arriscado a ser pega num exame em cuma competição em que, quase certamente, ela venceria e seria chamada para fazer o exame? Foi por ganância, para ganhar mais com a sua (bela) imagem? Foi por medo de fracassar novamente como em Sydney (quando a imprensa disse, corretamente me parece, que ela amarelou, mas rolou um masscrezinho básico)? Quem lhe deu a dica da tal pomada?

   Por aí vai...

 
   Vou ser claro: creio que há 95% de possibilidades de Maurren Maggi ser culpada de doping. Baseio esta opinião no fato de, em 30 anos acompanhando com atenção o esporte, só lembrar - ainda assim vagamente - de um caso em que a prova não foi confirmada numa contraprova (e neste caso, pelo que recordo, houve uma troca dos frascos A, da prova. No fim, o dopado era outro).

   Ainda assim, não posso considerá-la culpada, por dois motivos:

      1 Como diria Karl Popper, um fenômeno que tenha ocorrido milhares de vezes no passado não garante que o mesmo fato se repita no futuro.
      2. Como manda a norma do direito, e também do bom-senso, um acusado é inocente até que se prove a sua culpa sem sombra de dúvidas.

   Portanto, tenho que reclamar das matérias do Globo sobre o caso da saltadora, porque, ao fim e ao cabo, o jornal na edição de hoje já condenou Maurren, apesar de não terem sido mostradas pelo veículo qualquer prova conclusiva para esta posição ser tomada.

   Por partes. Na matéria principal, o jornal usa uma fonte não identificada para afirmar que apenas a passagem de um creme não levaria a substância encontrada ao nível de concentração encontrada na urina da atleta. Até aí tudo mais ou menos bem . Mais ou menos porque, por melhor que seja a fonte, é sempre preciso checar o que ela diz. Não se confia numa fonte só. Isso é básico. Mas vou dar de barato, porque o pior da matéria vem depois:

      A situação da atleta se complica porque o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) distribuiu a todos os atletas que vão ao Pan uma cartilha com todas as substâncias e medicamentos proibidos. Constam do tópico agentes anabólicos as pomadas Trofodermim e Novaderm.

   Olha só, quem poderia dizer que a situação da Maurren estava mais complicada com a revelação seria um promotor ou alguém que a estivesse especificamente acusando a atleta de doping. Creio que bancar o promotor público não é a função da imprensa, mas vai ver é porque sou jornalista antigo.

   Tem mais, na retranca, onde se diz:

      No entanto, uma operação para que tudo termine sem punição para Maurren está em curso pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). (...)

   Ou seja: Maurren é culpada, se não for condenada é por armação política. O fato de ela não ter sido ainda julgada foi lembrado pelo médico Eduardo de Rose, um dos maiores especialistas do mundo em doping. Mas estas credenciais são postas em dúvida na matéria porque ele também estaria envolvido na operação para fazer Maurren escapar da punição que merece por ser culpada:

      (...)Membro da IAAF, o médico encaminhou o ponto de vista à entidade, deixando transparecer que o aspecto político e o peso do nome podem acabar em pena mais branda ou até mesmo em absolvição, bem diferente do usual aplicado em casos de doping em atletas de menor fama.

   De onde foi tirada esta conclusão, não tenho a menor idéia, pois nenhuma declaração do médico leva o leitor a deduzir isto. Na verdade, De Rose diz exatamente o contrário, como está registrado na própria matéria, que, dessa maneira, entra em contradição com as próprias conclusões que tira:

      Coloquei o que penso sobre o caráter da atleta no informe para a IAAF. Estamos falando de uma atleta de altíssimo nível e penso que ela não procurou aferir vantagem com o uso de alguma substância. Torço para que nada aconteça com ela, mas isso é uma coisa pessoal, nada tem a ver com o relatório - garantiu Eduardo de Rose.

   E olha que, no lide da retranca, há uma constatação óbvia, mas importante:

      Maurren Maggi deve ter hoje o dia D de sua carreira.

   Assim, o assunto deveria ter sido tratado com maior cuidado e acurácia, nem que fosse por respeito ao ser humano Maurren Maggi. Lamentavelmente, não foi o que aconteceu. E assim armou-se o cenário para o linchamento moral da atleta, aconteça o que acontecer, seja ela culpada ou não. Uma pequena mostra de que o caso da Escola Base não afetou em nada a crença dos jornalistas de que eles devem ser, ao mesmo tempo, polícia, promotor e juiz (e, se sobrar tempo, carrasco) de qualquer um.

   Muito triste.

29.7.03

 
   Renata Fraga segue lépida e fagueira a carreira de assessora de imprensa. Ela acaba de ganhar a conta da Elle et Lui Maison, loja de decoração de Ipanema. A empresa vem juntar-se no portifólio de Renata à Clínica Ivo Pitanguy e à marca de cosméticos Previous.

 
   Esta já saiu na CPM:

   A poderosa Prisa já não se contenta em se estapear com a sua arqui-rival Planeta por editoras brasileiras. Os espanhóis voltaram a pensar em comprar
participações em empresas de comunicação daqui do Bananão. O grande interesse é em rádios: na latino-américa, o grupo já tem a maior parte das
ações da Caracol, a maior da Colômbia; divide a propriedade da Radiópolis, do México, com o grupo Televisa; e ainda detém o controle total de emissoras no Chile, no Panamá e na Costa Rica. Mas é claro que jornais não estariam descartados. Afinal, na terra natal, a Prisa é dona nada menos do que do El País e do As, um dos principais jornais esportivos da Espanha.

 
   Conselheiro avisa que os títulos dos editoriais-senha do Correio foram "Basta" e "Fora" (31 e 1, respectivamente). Vacilei. Mas acho que o espírito da coisa ainda é o mesmo.

 
   Essa é do Xingatório da Imprensa, e apesar de meio antiga (foi postada no dia 23 de junho), creio que vale a pena:


   Estilística 2

Parece que viraram hábito as aulas de estilo e humor involuntário nas edições dominicais do Jornal do Commercio. Os melhores momentos da matéria "Novo round em defesa das baleias" (A-20):

As imagens dos navios baleeiros e de industrialização da carne dos mamíferos oceânicos serão difundidas mundialmente em tempo real, dando os nomes de políticos, empresários, gourmets, biólogos marinhos etc envolvidos na prática. Haverá emprego de satélites de monitoramento ambiental e metereológicos, canais de mídia em satélites de comunicação etc.

Os estudos de potencial deste mercado esbarraram em alguns detalhes fundamentais: processa-se no mundo uma corrida para o estudo da biologia, a partir dos EUA, e cresce a certeza popular de que o futuro da humanidade encontra-se nas águas dos mares e oceanos; e mais e mais crianças e pré-adolescentes estão influenciando no direcionamento das férias familiares.

Para evitar a captura sangrenta de cetáceos muitas pessoas estão dispostas a sacrifícios, pois vale tudo para salvar a Terra. Se alguns "heróis" tombarem pelo meio da luta o impacto será ainda maior. As imagens das baleias esquartejadas no tombadilho dos navios-fábricas poderão ter um impacto sem precedentes.

A estratégia em implementação visa torpedear a demanda pela carne de baleia. Afinal, a simpática baleia é parente do amoroso golfinho, que é parente do fragilizado boto, todos animais que dão de mamar aos seus filhotes... Na temporada de caça de 2002 os baleeiros noruegueses arpoaram 634 baleias rorcual aliblanco (Balaenoptera acutorostrata), popularmente conhecida como minke-anã.

É tudo uma questão de custo-benefício - destacam os especialistas. Quem perde o que e quanto, e qual a compensação ?. Os noruegueses sentem receio atávico de uma fome em escala nacional na eventualidade de um conflito mundial bloquear as rotas de comércio internacional.

 
   Ia postar ontem, mas como o Fernando Calazans prometeu prosseguir as explicações do porquê implica tanto com a seleção Sub-23, deixei para hoje. Se escrevesse ontem, já iria antecipar o principal argumento do colunista, a de que as pessoas que o criticam sempre defendem que os jogadores de antigamente não jogariam hoje. Tudo bem que sou burro - como sabem todos os que me lêem - mas a minha estupidez ainda não chegou a este ponto. É óbvio que os jogadores de antigamente jogariam hoje, simplesmente porque estariam no mesmo nível físico e mental dos que atuam no presente. Assim, Nilton Santos, Pelé, Didi, Puskas, Garrincha, todos eles jogariam hoje tão bem quanto antigamente, pois tinham algo chamado talento, que, no caso do futebol, não mudou tanto assim.

     Aliás, não podia ter outra opinião. Ontem, Calazans disse que vê futebol há 40 anos. Como sou mais jovem, vejo há menos tempo, uns 35 anos, e, portanto, dos Realmente Grandes do Futebol Brasileiro dos 60 para cá, eu não vi mesmo apenas Didi, Garrincha e Nilton. Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino, Zico e Falcão eu não só assisti, como sofri com alguns (Zico e Falcão liquidando o meu Flu, por exemplo) e vibrei com todos na seleção e no Flusão (Gérson e Rivelino).

   Esse fato, no entanto, não impede que eu veja que o jogo de futebol mudou. Não é bem que a velocidade tenha aumentado. Esta impressão, me parece, acontece porque o espaço diminuiu, e, não precisa ser Einstein para descobrir, isso alteraria a maneira de jogar de qualquer esporte em que estas variáveis estivessem presentes, embora sem mudar sua essência.

   A diminuição do espaço se deu, na minha visão, porque a preparação física evoluiu imensamente - aproveitando-se, aliás, de evolução igual nas ciências da saúde - e fez com que um jogador de habilidade tenha menos tempo para realizar as jogadas. Explicando melhor (creio): Calazans uma vez referiu-se a uma foto de Garrincha cercado por oito jogadores do México e afirmou que isso provava que ele era tão marcado quanto seria agora. Provavelmente é uma parte da verdade, mas não toda. O gênio seria marcado implacavelmene sim, mas certamente por menos jogadores. Por que? Porque ao dominar a bola, ele já teria ao seu lado um marcador e mais dois atrás. Na foto a que se refere Calazans - e que eu vi em diversos livros sobre futebol (sim! Eu leio sobre esporte!) - o jogador mais próximo estava a cerca de um metro de distância. Neste mesmo espaço hoje, estariam os três marcadores de Garrincha. Com marcadores deixando-o jogar sempre com este espaço, Diego (Kaká, Robinho ou Carlos Alberto) decidiria sozinho 80% dos jogos. E Diego (e qualquer dos outros) está longe de ser um Garrincha.

   Para escapar desta marcação rígida (e muitas vezes violenta, mas violência semelhante já existia na época dos craques antigos citados), os jogadores de hoje procuram se desmarcar com rapidez (prejudicando a consecução das jogadas individuais, especialmente o passe e o drible) e jogar menos individualmente, pois dependem muito dos companheiros para se livrar da marcação. Ou seja, um craque hoje em dia só pode exibir todo o seu talento dentro de um time muito bem treinado, algo que só se atinge com tempo, o que a seleção Sub 23 não teve (e, aliás, poucas seleções brasileiras têm hoje em dia).

   Há outras questões envolvidas na mudança do jogo de futebol (a globalização da indústria do entretenimento, que levou nossos nossos melhores jogadores para a Europa, auxiliada, claro, pela decadência moral e financeira das federações e clubes, é apenas uma delas) e, certamente, muitas visões diferentes da minha sobre o problema. E as respeito muito, não as considerando arrogantes, até porque sempre se pode aprender com elas.

 
   Mas, como é de lei, O Dia dá uma no cravo, outra na ferradura. A na ferradura de hoje é a matéria paga sobre a expansão do setor elétrico no Estado do Rio. O rubrica "Informe Publicitário" está tão miúda à esquerda, no alto, que alguém que não esteja acostumado com os textos laudatórios característicos do releases pode ser engrupido e engolir a publicidade como se fosse matéria editorial. Como o jornal já fez isso antes várias vezes (naqueles informes da Fetranspor, por exemplo) é claramente uma opção, que é completamente antiética.

 
   Não comentei ainda, mas foi um golaço, aço, aço do Dia contratar os serviços de Luís Nassif. O cara é realmente demais! Hoje, ele dá uma aula de jornalismo ao analisar - no sentido pleno da palavra - o novo modelo proposto para o setor elétrico com palavras compreensíveis para o público do jornal (ia ligar, mas a coluna não estava na internet). Mais. Na Folha, ele faz uma parte da mesma análise, mas com texto e linguagens diferentes. Ou seja, não fez uma produção em série como vemos nas outras colunas (e acho que a Dinheiro Vivo mesmo faz para outros veículos).

   Na boa, queria tanto ser tão bom quanto o Nassif quando crescesse...

28.7.03

 
   A vida é dura mesmo no Jornal do Commercio. O tíquete-refeição é de R$ 4,00. Não dá para comer nem nos pés-sujos vizinhos ao jornal.

27.7.03

 
   Alguns setores da mídia tupiniquim parecem ter resolvido partir para ignorância e estão tentando montar um cenário de descontrole social no Brasil a fim de acuar o governo Lula e, talvez, mais adiante, desestabilizá-lo a ponto de permitir mais um golpe de Estado, caso ele tente realmente contrarie os interesses mais profundos das elites caboclas.

   A arma do momento para se atingir este objetivo de mostrar o país em pleno caos é a morte trágica do nosso colega Luiz Antônio Costa. A revista Época que está nas bancas vem com uma chamada que não deixa margens a dúvidas sobre as suas intenções. "Chega!", exclamação garrafal que toma a maior parte da página totalmente negra, é a mesma de um dos famosos editoriais-senha para o Golpe de 64 do Correio da Manhã (o outro foi "Basta!").

   Não há como pensar em coincidência por dois motivos:

      1. Os editores da revista sabem muito bem o significado histórico dos editoriais do Correio da Manhã e, portanto, ao escolherem o título de um deles para manchete de capa é para marcar uma posição igual;

      2. A "Carta do Editor" desta edição afirma: "Não importa se foi um manifestante dos sem-teto ou um bandido comum. O tiro que matou o repórter-fotográfico Luís Antônio da Costa expôs a falta de controle que o governo tem sobre os movimentos sociais." Por esta lógica, um taxista (ou um advogado, ou uma médica, ou um gari) que for morto por um assaltante em fuga também exemplificará a perda de controle do governo sobre os movimentos sociais, pois foi isto o que ocorreu com LaCosta, segundo as investigações da polícia e as testemunhas.

   O objetivo desses setores da imprensa - que se são maioria vamos ver logo - no entanto vai esbarrar no fato de que "a história só se repete como farsa ou como tragédia" (Você sabia que Marx escreveu isso numa carta a Engels na qual comentava uma versão de Hamlet que acabara de assistir e da qual gostara muito? Galeria Silvestre, a galeria da luz...tic... tic...ploc...). Vou listar apenas cinco barreiras que alguns donos de meios de comunicação vão enfrentar para montar um "revival" de 1964 quarenta anos depois:

1. Os militares acham que foram usados pela burguesia brasileira para que ela acumulasse dinheiro em contas na Suíça, e depois abandonados à execração pública. Portanto, não estõ nem um pouco a fim de derrubar outro presidente eleito democraticamente. E sem militares, nada de golpe;

2. Os americanos - sem os quais não se dá golpe que preste na América Latina - estão muito mais preocupados com o petróleo do Oriente Médio do que com o Bananão. Além disso, depois de terem pagado mico na Venezuela, não vão ser convencidos a se arriscar de novo tão facilmente;

3. Um golpe não se arma assim, da noite para o dia, conforme mostrou o falecido René Armand Dreifuss em seu antológico "1964: A Conquista do Estado", no qual se pode ler o importante papel da imprensa na fermentação de um clima de descontrole igual ao que está sendo urdido agora;

4. A classe média urbana - que com duas marchas com Deus em 64 (às quais, consta, Ele não compareceu para não se comprometer) deu respaldo aos golpistas - hoje só confia na imprensa para saber qual o filme que está passando no cinema do shopping mais próximo, mas não mais do que isso (há quatro anos, a ANJ pagou uma pesquisa que constatou que só 31% das pessoas confiavam na imprensa. Ou seja, 69%, mais de dois terços, não acreditavam. Os números não devem ter mudado muito desde então).

5. Apesar de doidos como Stédile e Rainha, a esquerda brasileira está com a cabeça mais no lugar do que há quatro décadas.


   Mas conhecendo os donos de veículos de comunicação - e seus asseclas - como conheço tenho certeza de que estes empecilhos históricos não vão impedi-los de seguir seus colegas da Venezuela e tentar desestabilizar o governo democraticamente eleito do país. O que vão conseguir, só o tempo dirá.



 
   Boa a matéria da Paula Autran no acampamento dos sem-teto em São Bernardo. Mostra, com as tintas exatas, que eles são miseráveis que querem apenas um lugar decente para morar e não os semi-bandidos pintados em quatro de cada cinco matérias escritas ou exibidas por aí.

   A reportagem, porém, me fez pensar quando condena a prática dos sem-teto de não deixar os repórteres sozinhos andando pelo acampamento. Creio que Paula foi injusta ao compará-los ao regime cubano, pois este tem realmente coisas a esconder, o que, a própria repórter admite, não foi o caso dos miseráveis de São Bernardo, que apresentaram a ela a realidade sem retoques.

   Acredito que toda a vez que formos cerceados dessa maneira temos que dar uma olhada nas razões de quem nos cerceia para ver se elas têm algum fundamento. No caso da Paula, vejamos a coisa do lado dos sem-teto. Eu sei que Paula Autran não é só uma repórter muito boa, mas uma mulher decente, honesta. Acontece que os sem-teto não sabiam disso. Diante deles estava a representante de uma imprensa que sistematicamente os trata como se fossem quase bandidos, uns vagabundos desocupados que querem apenas ganhar uma casa sem trabalhar para isso (se acha que estou exagerando, aconselho a ler a Carta do Editor na Época desta semana, em que os sem-teto são, na prática, equiparados a assaltantes e traficantes), e que também deturpa o que eles dizem em títulos tendenciosos e mesmo em matérias descontextualizadas. E como eles não têm grana para contratar assessores de imprensa ou pagar anúncios onde poderiam desmentir o que vêem publicado, o cerceamento acaba sendo uma medida de defesa contra um potencial inimigo.

   Antes de condenar qualquer movimento social por agir dessa maneira, seria bom nós olharmos para o que fazemos, como instituição, para merecer este tratamento.

 
   A série sobre terceirização, na matéria deste domingo, mostrou-se melhor do que naquela sobre a Petrobrás, até por tocar num ponto essencial: a terceirização das atividades-fim. Mas se a série é para ganhar prêmio - um objetivo posto no alto da lista no Globo atualmente, ao que se vê -, ela me pareceu declaratória demais: tem declaração da Fittel, das empresas, do TST, da família de dois dos pobres-coitados mortos, mas não vi aquilo que se chamava antigamente "esforço de reportagem". Algo como flagrar um trabalhador se arriscando na rua e ver se ele se ele tinha sido alertado sobre a questão, se tinha sido treinado, fazer um perfil dele, ir na casa conversar com a mulher e os filhos, ir à empresa terceirizada e ver as condições de funcionamento dela, quem são seus sócios...Por aí.

 
   Antes de mais nada, um comentário que devia ter feito ontem: bom o caderno sobre os cinco anos da privatização da telefonia. Um digno representante dos cadernos especiais editados pela fina grife (Flávia) Oliveira&(Nelson) Vasconcelos. Talvez pudesse ser ter sido dada mais atenção à fraca capacitação técnica dos terceirizados que visitam a casa da gente, reponsáveis por bobagens que depois terceirizados que já foram da Telerj precisam vir consertar. Tá, tá, já sei...Isso ia ser falado (como foi) na série sobre terceirização, mas assim mesmo creio que cabia mais sobre o assunto no caderno.

   Enfim, essa falta que senti, algo inteiramente pessoal (já sofri diretamente com a incapacidade dos terceirizados da Telemar), não deslustra o bom caderno, até porque fui brindado com duas matérias muito legais: uma, o Conto de Fadas da Telemar, de autoria da própria Flávia; e a outra a hilária matéria assinada por Dona Míriam sobre a compra de seu primeiro telefone. Gozadíssima não só pelo "causo", como também por ter permitido à colunista do Globo botar para fora os seus maus-bofes contra tudo e todos que lembrem Estado no Brasil. Acabei de ler o texto com a nítida sensação que Dona Míriam ainda vai entrar em contato com alguns daqueles americanos doidões que aparecem no "Tiros em Columbine" para montar uma milícia de anarquistas de direita em algum lugar por aqui.

26.7.03

 
   Carta do Editor da Época desta semana:

   Um tiro na liberdade
Não importa se foi um manifestante dos sem-teto ou um bandido comum. O tiro que matou o repórter-fotográfico Luís Antônio da Costa expôs a falta de controle que o governo tem sobre os movimentos sociais.


   Como não importa?! Mas que cara-de-pau admirável! Quer dizer que se ele tivesse sido morto por um bandido comum quando fazia uma matéria sobre o feriado de 9 de Julho o fato também mostraria a falta de controle do governo sobre os movimentos sociais?

   Só não digo que é inacreditável porque da nossa mídia eu não desacredito de mais nada.



 
   Zuenir Ventura acha que os nervos do país estão em frangalhos pelos sucessivos desaguisados pelos quais está passando. Olha, só se forem os nervos dos moradores do Leblon. Os moradores dos outros pontos da cidade estão mais preocupados é com as brigas de camelôs do Centro (que já devem estar completando uns três anos), com as balas perdidas (alguns anos) e com o dinheiro curto (desde sempre). Sem-terra, sem-teto, juiz em greve...Isso só abala quem lê jornal com manchetes esquentadas todos os dias ou vê televisão prevendo o fim do mundo (ou pelo menos do Brasil) pra semana que vem. Ou seja, quem leva nossa mídia a sério.

   Se o Velho Zuza está meio abalado, recomendo um santo remédio: deixar de ler jornal ou ver tevê por uma semana, e se concentrar no que realmente ocorre no seu dia-a-dia. Vai ver como o nível da adrenalina desce que é uma beleza. Conheço várias pessoas - inclusive de minha família - que aplicaram este remédio e se deram muito bem.

 
   Segundo Colunista, o nosso colega Luiz Antônio da Costa foi morto, ao que parece por um assaltante, quando fazia a cobertura de um acampamento de sem-teto. Não num deles (até porque estava fora). Ele poderia ter sido morto quando caminhava na rua, não havendo (até agora, pelo menos) relação de causa e efeito entre os sem-teto e o assassinato do colega.

   Devo confessar que admiro gente para quem se a realidade vai contra os seus preconceitos ou objetivos, que se dane a realidade.

 
   Do Panorama Esportivo:
"Naufrágio: É um fiasco a campanha do Brasil no Mundial de Natação. Foco no Pan é muito pouco."

   "Naufrágio" não é muito forte não? Não sou técnico de natação, mas fui repórter de esporte por muito tempo e lembro que um dos problemas mais sérios a serem enfrentados em qualquer modalidade, mas mais no atletismo e na natação, é a dosagem do nível correto de treinamento para o atleta atingir a sua plenitude atlética e psicológica exatamente durante a competição visada. Veja bem: a competição visada, não a época. É que, com o nível cada mais acirrado das competições, o treinamento passou a visá-las especificadamente. Assim, hoje não se treina para disputar competições como o Mundial de Natação e o Pan-Americano, mesmo que elas estejam separadas por 15 dias. Treina-se para que o atleta chegue ao ponto máximo na semana de uma delas. Assim é muito difícil - e até arriscado para os atletas, que, afinal, são seres humanos - botar alguém para tentar atingir dois picos seguidos ou mesmo manter o pico por mais tempo do que sete ou dez dias.

   Há outra coisa aí, porém, me parece, no caso específico da natação brasileira hoje. É que por mais bem preparado que esteja um nadador brasileiro, será mais difícil para ele/ela ganhar uma medalha numa competição como o Mundial, enfrentando a fina flor do esporte das águas. É mais fácil ganhar medalhas no Pan - no qual os EUA, por exemplo, sempre comparecem com o segundo ou terceiro time - do que no Mundial. E, marqueteiramente falando, uma medalha de ouro no Pan vale muito mais que um sexto lugar no Mundial, certo?. Assim, num mundo em que o velho Barão seria internado num manicômio, esta é uma questão a ser levada na mais alta conta.

   Há uma pauta aqui, não há?

25.7.03

 
   O assunto está um pouco fora de pauta nos últimos dias, mas a mecânica apontada por Flávio Aguiar nesta Carta Ácida serve para qualquer assunto que envolva a cobertura política ultimamente.

 
   Nesta segunda, dia 28, às 19 horas, o Sindicato dos Artistas (Rua Alcindo Guanabara, 17/ 18º andar - Cinelândia), promove debate com a deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), autora do projeto de lei que regionaliza a produção de emissoras de rádio e tevê.

 
   Lilian Sapuchay está deixando o Globonews.com para se dedicar totalmente à assessoria da DRT-RJ, onde assume cargo de chefia.

 
   Marcos Sá Corrêa é o novo membro do Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (IBDD), ONG que desde 1998 presta assistência a pessoas com necessidades especiais em diversas áreas, como direito, profissionalização, esporte, etc. É realmente um grande reforço para o IBDD, pois Sá Corrêa é conhecido por suas diversificadas, profundas e fraternais relações em diversas empresas de comunicação do país.

 
   Na coluna de hoje, Dona Míriam volta a confundir, propositalmente, servidor público em geral com castas dentro da categoria. Outra demonstração do truque retórico que consiste tomar a parte pelo todo. É tosco, mas sempre eficiente.

 
   A necessidade de diploma de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão está valendo novamente. Boa vitória, já que agora a causa deve ir ao Supremo, o que leva a decisão para as calendas. De qualquer maneira, para não tomarmos novos sustos, vamos continuar correndo com afinco atrás do Conselho, único a ter poder de polícia para evitar abusos.

   Aliás, será necessária uma ampla campanha de fiscalização e repressão, pois obviamente um montão de malandros que se aproveitaram da situação vão continuar usando os tais registros provisórios por aí.

 
   Do Informe do Dia:

Nomenclatura

O projeto de lei 1.056, em discussão no Câmara dos Deputados, permitirá que brasileiros com mais de 18 anos mudem o prenome sem burocracia.

A lei do deputado Ricardo Fiúza (PPB-PE) é para facilitar a vida de travestis, transexuais e filhos de pais ingratos, que batizam filhas com barbáries do tipo ?Joroslava?.


   Da coluna de Lu Lacerda:

   Transexuais, façam figa! Foi apresentado na Câmara um projeto que assegura a mudança de nome para quem mudou de sexo. O troca-troca tem um porém: a Justiça tem que ser convencida de que a pessoa realmente precisava tirar os, digamos, excessos por razões psicológicas, e não estéticas. É, porque no Brasil muitos ainda pensam que tal cirurgia é um ‘capricho’. Se aprovada, a lei vai livrar muitas meninas do ridículo. E todas poderão chegar lindas, ricas, arrasando em Milão com o nome de guerra no passaporte.


   Taí: é mesma nota ou não? A notícia é a mesma, mas o enfoque bem diferente.

 
   Alguém precisa levar uma conversa com o Fernando Calazans. Ele é um dos melhores e mais sérios analistas de futebol, mas anda excessivamente amargurado com o nivel do esporte por aqui e esse estado de espírito parece estar afetando sua capacidade de análise. A crítica dele ao desempenho da seleção Sub-23 na Copa de Ouro é exagerada. Afinal, esse time nunca jogou junto e está treinando há apenas três semanas, em plena competição, em meio a viagens. Querer que ele demonstre um padrão de jogo de equipe já entrosada é meio demais. Pior. Pode matar no nascedouro um trabalho que se baseia exatamente na renovação e na montagem de um esquema que se adapte ao talento e não o contrário, justamente, uma das teses centrais de três em cada cinco colunas escritas por Calazans.

 
   Só faltou alguns jornais e tevês lamentarem publicamente a possibilidade de Luiz Antônio Costa ter sido morto por um simples assaltante. Mas deviam ver as coisas pelo lado positivo: pelo menos escaparam mais uma vez de discutir a segurança dos jornalistas em matéria de grande risco.

24.7.03

 
   Hilde no JB? Tudo a ver. Infelizmente.

 
   Quando escrevi no C-se, depois do assassinato de dois colegas pelos americanos no Iraque, que jornalista tinha virado alvo e que outros morreriam logo, disseram que eu estava tendo delírios persecutórios. O que as pessoas parecem não conseguir compreender é que a paranóia é a unica maneira saudável de se relacionar com a sociedade moderna, especialmente quando ela é semi-moderna como aqui no Bananão.

 
   Uma das coisas mais chatas de se acompanhar o jornalismo (além de se arranjar inimigos a torto e a direito) é a previsibilidade. Ou alguém aí achou que os veículos de comunicação não iam aproveitar a morte do Luiz Antônio para usar o cadáver dele contra os "sem" que brigam? Agora, mandar jornalistas para local de conflito sem nem um colete a prova de bala pode, né?

23.7.03

 
   O companheiro Luiz Antônio da Costa, fotógrafo da Época, 32 anos, foi assassinado hoje com dois tiros no peito quando fazia matéria sobre um acampamento de sem-teto em São Bernardo do Campo.

   A situação de quem cobre a área de segurança e os escândalos no Rio também é muito grave. Há dois domingos, a equipe de um grande jornal foi agredida quando investigava a denúncia de que os empresários de Ronaldinho, Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, estavam promovendo um alegre churrasco no presídio de Água Santa. O fotógrafo teve o filme confiscado e foi levado para dentro do presídio, onde foi ameaçado de morte, tudo isso por policiais que participavam do convescote. Por muito compreensível medo, os dois colegas não quiseram dar queixa e o jornal nada pôde fazer juridicamente, mas, ao que consta, está se mexendo nos bastidores para que o caso seja investigado e os bandidos pagos com dinheiro público sejam punidos.

   Esse foi o caso mais grave, mas não o único ocorrido nos últimos dias. Durante a guerra de traficantes de Vigário Geral, repórteres foram ameaçados pelo tráfico e quando foram relatar o caso à Polícia ouviram que o melhor era se mandarem, pois os valentes mantenedores da lei não tinham como lhes garantir proteção. Tem mais. Colegas que cobrem o escândalo do propinoduto foram não muito sutilmente avisados que seus celulares estariam sendo grampeados.

   Depois do martírio de Tim Lopes, ouviram-se muitos discursos indignados e muitas promessas de que as empresas iriam tratar de proteger melhor seus empregados jornalistas quando estes estivessem em serviço, e mesmo antes, oferecendo-lhes cursos de jornalismo investigativo. Porém, ao que eu saiba, muito pouco - ou mesmo nada - foi feito até agora. Certamente muitos discursos indignados e muitas promessas serão ouvidas no enterro de Luiz Antônio da Costa. Uma pena que palavras não o façam reviver, nem a qualquer outro jornalista morto no cumprimento de seu ofício.

 
   Do Panorama Político:


ANTECIPANDO-SE a uma eventual decisão do PCdoB de substituí-la na comissão da reforma da Previdência, a deputada Jandira Feghali (RJ) apresentou ontem um voto em separado. Ele defende a integralidade e a paridade também para a aposentadoria dos futuros servidores e é contra a cobrança de contribuição previdenciária dos servidores aposentados.

Do Segundo Colunista

Voto Feghali
Jandira Feghali, do PCdoB, apresentou ontem seu voto em separado pela paridade e integralidade para atuais e futuros servidores, e contra a taxação de inativos e fundos de pensão.


   Teve assessor que vacilou ou então deu um azar dos diabos.


22.7.03

 
   Ana Cristina Machado está deixando a subeditoria de Economia do Globo para se juntar à equipe de Carlos Haag na Petrobras. Em seu lugar, ficará Flávia Barbosa, quando retornar do seu mestrado na London School of Economics.

 
   A finada coluna Pessoas do Globo conquistou o Prêmio Austregésilo de Athayde na categoria "melhor coluna informativa", enquanto a Telenotícias, assinada por Regina Rito n'O Dia, venceu na categoria "coluna de TV".

 
   Por falar em Pan, um grande sábio do Conselho diz que o nome da capital dominicana é Santo Domingo não em homenagem a São Domingos, como ignorantemente pensava eu, mas ao domingo, o dia santo do Cristianismo.

   Ah, bom! (copyright Segundo Colunista).

 
    As confederações brasileiras de Judô e Tênis de Mesa também terão assistência da Textual no Pan, mas resolveram se unir contratar uma assessoria exclusiva para complementar o serviço. A escolhida a Media Guide, de Manoela Penna e Diogo Mourão. Lá estará um coleguinha que vai cobrir as lutas e os jogos com maior profundidade e ainda produzir conteúdo exclusivo para os sites das duas confederações. (J&C)

 
   A obrigatoriedade do diploma para jornalista é coisa de país atrasado, de terceiro mundo, que não respeita a livre expressão de pensamento, certo? Errado. Pelo menos é o que acha a Ordem dos Jornalistas Italianos. Veja aqui.

 
   Uma dica para quem leu a nota Chance de volta a um dígito na coluna da Dona Míriam de hoje. Luiz Roberto Cunha, apresentado como professor da PUC, é isso mesmo, mas também é diretor da Fecomércio. Assim, ele é superior hierárquico do economista da entidade que aparece na mesma nota. Dona Míriam não dá conta aos leitores desta relação. Vai ver que achou que ela não influenciaria a maneira como as posições dos economistas seriam recebidas pelo leitor. É uma posição, claro.

 
   Do Segundo Colunista:

Liminares

A CPI da Câmara que investiga a área de combustível quer ouvir a juíza federal Cláudia Valéria Fernandes, de Nova Friburgo (RJ).

Os deputados estão de olho no que chamam de ?farra das liminares?, que reduziram a receita com a Cide em R$ 780 milhões.


   Pô! Isso saiu ontem nos jornais!

 
   Talvez esteja um pouco tarde, mas acho que valeria mais uma edição daquela famosa pautinha sobre a morosidade do Judiciário. Afinal, para quem passa cinco, seis anos esperando a decisão sobre uma demanda, uma semana a mais, uma a menos, não vai fazer diferença, né? Para uma greve no Judiciário influenciar na vida do cidadão comum precisaria durar um ano pelo menos.

21.7.03

 
   Cícero Sandroni dançou do Jornal do Commercio.

 
   Depoimento de um jovem coleguinha assinante do JB:

      Tudo bem, se me chamarem pra trabalhar lá eu vou numa boa, mas o Jornal do Brasil de vez em quando apronta cada uma... Ontem a Revista de Domingo veio com a encadernação toda errada e faltando metade das páginas. Ela começava na p. 11, terminava na 34 e duplicava essas poucas páginas. Típica cagada da gráfica, aquelas tragédias que raramente acontecem mas que estamos sujeitos. Mas o que eu não considero acidente é a atitude do JB com o assinante. Liguei pra lá pau da vida ontem quando vi isso, querendo saber qual ia ser a deles e a mocinha muito educada (embora pareça não ter entendido nada do que eu falava) disse que mandaria outra em até duas hora e meia. Achei isso muito difícil, porque deve ter acontecido com a tiragem toda. Estou esperando até agora...

      Depois culpam alta do dólar, perda de poder da classe média e outras bobagens. É só ter uma melhor relação com o assinante que as coisas melhoram. Engraçado é que agora o JB publica um expediente em que o Helio Tuchler é vice-presidente. Ele podia adotar a política do outro jornal que trabalhou, O Globo, que trata muito melhor os assinantes.


 
A técnica Carina Caldas definiu o time da Textual que vai a campo durante o Pan - marcado para Santo Domingo (República Dominicana) entre 1º e 17 de agosto - defendendo as cores do COB:

Alexandre Castelo Branco; Bernardo Pires Domingues, Christian Dawes e Claudio Motta; Fernanda Kalache, João Pedro Nunes, Mauro Rodrigues, Roberto Falcão e Samy Vaisman; Tiago Campante e Evandro Teixeira. Ainda fazem parte do elenco Wander Roberto e Washington Alves, fotógrafos como Evandro. (Jornalistas & Cia)

 
Ah! O Master em Jornalismo para Editores é ministrado aqui no Brasil pelo Centro de Estudos Universitários (CEU), de São Paulo. Na página de apresentação da instituição há a seguinte epígrafe:


      "Os intelectuais são como os cumes de neve: quando esta se desfaz, desce a água que faz frutificar os vales" (*)

   O autor da frase vem no asterisco:

      (*) Texto do Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Fundador do Opus Dei, Prelazia da Igreja Católica, à qual estão confiadas as atividades de formação doutrinal que se desenvolvem no C.E.U.

      Já viu, né?

 
Carlos Alberto Di Franco é maior elo brasileiro da Universidade de Navarra, centro de disseminação da ideologia jornalística que dominou as redações daqwui durante a década de 90 e que tem como síntese a idéia de que "jornal para ser independente politicamente deve ser independente economicamente". Uma tautologia, como se vê, mas que foi saudada como uma descoberta digna de Prêmio Nobel por aqui.

   Não tenho certeza se a culpa é dos navarristas, mas eles não protestaram quando as idéias deles foram transformadas aqui em demissões a torto e a direito e predomínio do marketing sobre a redação, consubtanciado na farta venda de atlas, dicionários e livro de receitas ocorridas em fins dos anos 90 e que elevaram artificialmente as tiragens dos jornais.

   Na sua coluna de hoje no Globo, Di Franco critica Ben Bradlee, editor do Washington Post durante anos (exercia o cargo durante Watergate e teve participação fundamental na decisão de publicar as matérias que levaram Nixon a renunciar) por este defender que os jornais devem mostrar aos leitores o que eles precisam saber e não o que eles querem saber. O diretor do Master em Jornalismo para Editores - da Universidade de Navarra - acredita que o futuro do jornalismo é o mercado local, com matérias sobre a cidade, o bairro e o quarteirão.

   É uma boa tese, mas que tende a fragmentar ainda mais o entendimento do mundo por parte dos leitores. Di Franco escreve no artigo que os jornais devem dar mais força a seções de saúde consultas em direito, informática, etc, mas - contraditoriamente, me parece - preconiza que os jornais mostrem aos leitores "em que medida o transnacional pode afetar o seu dia-a-dia e, como é lógico, o seu bolso. Isso demandaria investimento em equipes numerosas e bem qualificadas, como o articulista admite, o que elevaria o investimento e, faria, consequentemente, que os lucros caissem. Isso não faria os jornais menos independentes?

   Pois é. O que me ficou desse artigo do Di Franco é que a ideologia disseminada pela Universidade de Navarra chegou ao seu limite e não está sabendo mais lidar com suas contradições internas e com o mundo em volta. Espero apenas que os editores cujas cabeças foram feitas pelos navarristas saibam resolver este problema na prática.

 
   Esqueci de comentar essa do Segundo Colunista, publicada dia 19:

      
Veja como o setor elétrico anda jururu.

O grupo português EDP, que injetou US$ l,7 bilhão no Brasil, mandou segurar, à espera de dias melhores, R$ 300 milhões que seriam aplicados na hidrelétrica de Peixe Angical, em Tocantins.


   Beleza, né? Sabe qual o título da nota? Este:

      Ministra Dilma

   Antigamente, pelo lados da esquerda, chamava-se a isso "queimação".

 
   Isso é que lóbi. Hoje, na página A2, o Valor tem matéria com o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, afirmando os perigos dos investidores privados irem embora devido à nova regulamentação no setor elétrico. Pois na página A8, do mesmo periódico, tem um longo artigo do mesmo lobista falando exatamente a mesma coisa. Neguinho perdeu mesmo de vez a compostura.

20.7.03

 

   Da excelente matéria de O Dia sobre o envolvimento de Alexandre Martins e Reinaldo Pitta com o escândalo do Propinoduto e, agora, com o do Banestado:

(...)Na contabilidade, há nomes de jogadores, dirigentes, clubes e até de jornalistas. O Vasco devia 4,58 milhões, valor do passe do jogador Juninho Pernambucano, de acordo com o ex-contador, dado como garantia pelo presidente Eurico Miranda por conta de uma dívida com os empresários. (...)

   De quem serão estes nomes...?


 
   Bela e angustiante matéria de Deborah Berlinck sobre as mulheres muçulmanas na Europa, na Inter do Globo.

 
   Ora, ora...Quer dizer que terceirização mata, é? O Globo faz esta descoberta da pólvora com alguns anos de atraso. Há quase uma década que os sindicatos denunciam as condições absurdas a que são submetidos os trabalhadores terceirizados e nunca lhes foi dado ouvidos. Bem, vamos ver até onde vai esta série de reportagens que começou hoje. Se chegar até à Reduc, aí vai ser uma festa...

 
   Depois de séculos muda a enquete. Agora você pode opinar a respeito da cobertura da reforma da Previdência. A pesquisa fica até 3 de agosto.

   O resultado da anterior - sobre que jornal fazia melhor cobertura de Inter - foi o seguinte:

      Folha - 11 votos (44%)
      O Globo - 8 (32%)
      Estadão - 6 (24%)
      JB - 0

      Total: 25 votos

 
   A Plano 1, de Marcela Esteves e Carina Freitas, ganhou a conta da Veiga de Almeida, tendo montado um birô dentro da universidade, com Roberta Talibert, na assessoria, e Ana Carolina Moras, nas publicações. A Plano 1 tem quatro anos de idade e atende os patrocínios culturais, esportivos e sociais da Petrobras, clientes da área de gastronomia e a produtora Tecnopop. (Jornalistas&Cia)

 
   Eleida de Góis, do Studio EME, agora faz parte do grupo de mamães jornalistas. Júlia nasceu no dia 16, na Casa de Saúde Santa Lúcia, em Botafogo, de cesariana. Mãe e filha passam muito bem.


 
   Falta um pouco, um pulo do gato, para a série de Lúcio de Castro poder concorrer a prêmios na categoria Esporte. E acho que este pulo está na ligação, que a cada dia me parece mais óbvia, entre a distribuição de verbas esportivas municipais, inclusive as referentes ao Pan, e o esquema político de César Maia.

 
   Se fosse algum repórter eu até entenderia, afinal existem muito poucos com idade acima de 40 na redações e não poderiam lembrar mesmo. Mas o Segundo Colunista é velhinho o suficiente para recordar que aí pelo fim dos anos 80 - mais especificamente entre 86 e 88 - pulularam passeatas nas ruas do Centro tendo como protagonistas velhinhos - a maior parte aposentados e pensionistas do setor público - que protestavam contra a defasagem em suas aposentadorias. Houve também muitas matérias em jornais e revistas a respeito - no Globo não, obviamente - nas quais eram enfocados o casos mais absurdos, com aposentados e pensionistas recebendo o que hoje equivaleria a R$ 0,10 porque os "benefícios" não tinha sido reajustados pelos governos.

   Foi por isso, Segundo Colunista, que a paridade foi criada na Previdência Social para os servidores públicos.

   Havia alguma outra maneira de resolver este impasse na reforma? Sim. Era só indexar os proventos a um índice que mede a inflação (ou outro qualquer, como crescimento da arrecadação da Receita, por exemplo). Só que aí os de sempre - capitaneados pelo grupo de rock industrial "Dona Míriam & The Friedmans" - iriam dizer que o governo estaria indexando a economia, como se sabe um pecado capital, exceto quando remunera o capital, como no caso das empresas de energia elétrica e as telefônicas.

 
   Reesquenta o debate sobre a Previdência, retornam as falácias. Do Globo:

Ele [José Cecchin] cita como exemplo um funcionário que tivesse salário de R$ 10 mil e fosse se aposentar aos 65 anos. Pela média salarial, ele teria um benefício de R$ 4 mil aproximadamente. Se decidir atrasar em três anos a sua aposentadoria, teria de pagar mais R$ 40 mil — R$ 1,1 mil durante 36 meses.

— No quarto ano, ele se aposenta e em vez de receber R$ 4 mil, recebe R$ 10 mil. Neste caso, o governo teria economizado R$ 4 mil de aposentadoria durante 36 meses e recebeu R$ 1,1 mil por mês. Deixou de gastar R$ 180 mil, mas quando ele se aposentar, vai fazê-lo com R$ 10 mil em vez de R$ 4 mil. Ou seja, o estado vai gastar R$ 6 mil a mais por mês. Em três anos de aposentadoria, a economia já foi gasta — contabiliza o ex-ministro.


   Vamos lá:

      1. Quantos são os funcionários públicos federais do país?
      2. Quantos ganham R$ 10 mil, conforme o exemplo?
      3. Quantos ganham outras faixas que poderiam servir como exemplo (R$ 5 mil, R$ 2 mil, R$ 1 mil, menos que R$ 1 mil)?
      4. Qual o peso de cada faixa na massa salarial total?
      5. Quantos desses são CLT e que por isso só conseguem intregralidade se contribuem para fundos de pensão (tipo Previ, Funcef, Petros), caso contrário vão para o INSS?
      6. Desse modo, qual o verdadeiro "prejuízo" do governo ao não se aprovar o fim da integralidade?

   Mais uma pergunta, fora deste campo: José Cecchin foi ministro da Previdência de que governo? Não foi daquele que moveu mundos e, principalmente, fundos para aprovar a reeleição do chefe, mas ficou quietinho na hora de se mudar a Previdência dos servidores públicos e acabar com o seu déficit?


19.7.03

 
   A TVCOM, de Porto Alegre - que está para a RBS como a Globonews está para a Globo aqui - foi condenada a indenizar Julieta de Vargas Rigotto, mãe do governador Germano Rigotto, em 150 salários mínimos (R$ 36 mil) pela maneira como noticiou o assassinato de Lindomar Vargas Rigotto, outro filho de Julieta. Lindomar foi morto em fevereiro de 1999 durante assalto a sua casa de diversões e a TVCOM tascou no ar que ele tinha sido assassinado como queima de arquivo porque estaria envolvido na morte de uma bailarina e teria participado de desvios na CEEE, a companhia de energia elétrica do Rio Grande. Como não apresentou nenhuma prova do que afirmara, a tevê foi condenada e terá, além dos R$ 36 mil, que pagar juros sobre este valor retroativos a fevereiro de 99. Como se bastasse a queda, veio o coice: a TVCOM ainda terá que veicular, na abertura do Jornal da TVCOM - o principal da emissora e onde foi ao ar a matéria causadora da celeuma - uma síntese do caso, informando de sua condenação.

   Como cabe recurso, a empresa deve recorrer ao STJ, quando o Judiciário voltar das férias de meio de ano, em agosto.

 
   Tânia Malheiros volta aos palcos no dia 22. Dessa vez será no Sveryna (Rua Ipiranga, 54, Laranjeiras) e como sempre o repertório será composto por jóias como "Tive Sim” (Cartola), “Rugas” (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), “Bodas de Ouro” (Dona Yvone Lara e Paulo César Pinheiro), “O samba é meu dom” (Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves), “Tempo de Glória” (Wilson Moreira e Nei Lopes), “Eu canto samba” (Paulinho da Viola) e outras. O show começa às 20 horas e o couvert será de R$ 7,00, sem consumação mínima.

 
   Como todo mundo - inclusive o todo-poderoso mercado - achou que a reforma da Previdência está até boazinha, o Colunista da 4 e Dona Míriam recuaram os bicos curvados e pontudos. O primeiro, para botar o galho dentro, usou José Sarney, enquanto a segunda - dona de maior classe, talento e experiência colunal - deu uma notinha no pé que desmente a principal crítica da toda a coluna de ontem.

   Mas aposto que eles voltam ao ataque assim que forem remuniciados pelos analistas tucanos de plantão.

18.7.03

 
   Outra coisa a respeito da matéria. O Ruy Cezar foi vereador, muito votado aliás. Onde ficava o reduto eleitoral dele? E nestes locais aquinhoados com a verba triatlética, quais foram os vereadores e deputados mais votados nas últimas eleições? De que partidos são? Creio que o TRE poderia dar estas informações.

 
   Relendo a matéria do Lúcio, vi uma coisa gozada: o secretário municipal de Esportes chama-se o Ruy Cezar Miranda Reis. Já o diretor administrativo da mesma secretaria chama-se Celso de Miranda Reis Neto.

   São parentes?

 
   Título do IG Último Segundo, em matéria vinda de O Dia:

Casal acusado de falsificar notas fiscais de carros são presos

   Não costumo criticar erros de português, até porque os cometo muito, mas tem alguns sobre os quais não dá para calar.

 
   Do Informe do Dia:

Vidraça

O PT está passando pelas agruras do poder.

Na Rua Domingos Lopes, perto da estação de trem de Madureira, tem uma faixa pendurada onde se lê: "PT - Partido dos Traidores".


   Essa está há meses num muro da Presidente Vargas, pouco depois dos Correios.

 
   O Segundo Colunista informa hoje que o pessoal da Gazeta Mercantil foi informado que foram retomadas as negociações com Nelson Tanure. Ou seja, deixaram o German Eframovitch (é assim?) e foram para o maior inimigo dele.

   Sei não, mas seja um, seja outro, acho que o pessoal da GM está mal parado à beça...

 
   Como o boné era para ajudar uma causa que o Globo apóia, tudo bem, né?

   Tá certo...

 
   Mas se Lúcio resolveu usar um estilo mais direto, sem esquecer a precisão vocabular, o Pedro Motta Gueiros anda exagerando nas embaixadinhas verbais. Pedro Bala é bom, ninguém discute, e ousado, o que valorizo, e essas qualidades o fizeram sacar um bom lide relacionando as três derrotas, e os três gols em cada uma, com as três cores do clube. Mas enstusiasmou-se com a metáfora, centrou-se nela e a acabou tornando-a mais importante que a matéria em si.

   Não é a primeira vez que Pedro faz isso, o que pode prejudicar. Hoje, por exemplo, a notícia mais interessante do Flusão estava na matéria sobre a desastrosa campanha dos clubes cariocas: que o zagueiro César ficou zangadinho porque um atacante do Coritiba prometeu fazer dois gols no Flu. Bem, o cara fez mesmo os dois gols e eu, como tricolor, queria muito saber o que o César tem a dizer disso agora, e também do fato de a defesa em que ele atua - que já foi a mais vazada do Brasileiro passado - estar na mesma lamentável disputa este ano.

 
   Lúcio de Castro deixou as firulas de lado e mandou bem à beça com a matéria de hoje sobre as esquisitas dotações da Secretaria Municipal de Esportes para a Confederação de Triatlo. Arrebentou!

   Mas, com é de lei, uma gozação. A frase inicial da matéria - "Entre 19 de junho de 2002 e 26 de fevereiro passado, a Confederação Brasileira de Triatlo (CBTri) recebeu R$ 1.964.708,66, da Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SMEL), de acordo com o Diário Oficial do município (DO)" - deve ter provocado um suspiro do velho e grande Marcos de Castro. É que eu levei muitas doces chamadas do mestre por usar "através" em lugar de "por meio de" ou "por intermédio de"...:))

 
   Se serve de consolo para os petistas mais empedernidos, não é só o PT que está sofrendo de crise de identidade. Os colunistas também. Tirando o personagem Olavo de Carvalho, todos sobem no banquinho e discursam em defesa da democracia, da importância do Parlamento e da discussão de idéias, condenando com veemência quando os governos tentam passar por cima das tradições democráticas do nosso povo varonil, salve! salve!.

   Mas é só a democracia ser praticada à vera, com suas pressões, concessões e acordos que os mesmos colunistas sobem no mesmo banquinho e clamam por uma ação forte do governo, que não pode transigir de imperiosas necessidades da Pátria por pressões de sórdidos interesses de grupos privilegiados.

   Fazer o quê, né? É essa a imprensa que a gente tem...

17.7.03

 
   O escritório paulista da FSB ganhou mais um cliente, a Abrafix (Associação Brasileira de Prestadoras de Serviço Telefônico Fixo Comutado). A associação de classe está no núcleo de atendimento coordenado por Carlos Henrique Ramos.

 
   Luciano Rodrigues, ex-Diário da Região, está lançando o jornal Saúde, Beleza & Comportamento, em São José do Rio Preto, que terá, inicialmente periodicidade mensal e será distribuído nas clínicas médicas e odontológicas, hospitais, salões de beleza, farmácias e lojas de conveniência. A tiragem inicial é de três mil exemplares, mas a idéia é elevá-la para cinco mil já a partir do número dois. O jornal procura aproveitar o potencial de São José do Rio Preto, que tem faculdade de medicina famosa, cerca de 450 clínicas médicas (dois mil médicos), mais de 200 clínicas odontológicas (cerca de dois mil dentistas), além de cerca de 10 hospitais e centros médicos especializados e dezenas de farmácias de manipulação e drogarias. A cidade fica a 550 quilômetros de São Paulo e tem 370 mil habitantes.

   Muita sorte, Luciano!

 
   Muito bem! Alguém aí falar sobre o Eleito vestido de atleta? E com direito a boné?

 
   O Colunista da Página 4 está desperdiçando a excelente verve anti-petista ue possui. Devia é escrever discurso para o Arthur Virgílio, o "homem mau" do PSDB.

 
   Joaquim Ferreira dos Santos deve estar querendo bater algum recorde na "Gente Boa" do Globo...Na terça-feira, deu uma nota sobre a senhora que faz o verdadeiro Angu do Gomes. Nada demais se a história não tivesse saído no livro "Confesso que bebi", do Jaguar, cujo prefácio é - oh, surpresa! - de... Joaquim Ferreira dos Santos! Tá ficando estranho...

 
   Úrsula Alonso foi demitida do Jornal do Commercio no dia 1º de julho. Abaixo, ela faz um relato que reflete como as empresas de comunicação vêem - e tratam - os jornalistas. É uma prova de que o jornalista não pode - em tempo algum, de forma nenhuma - confiar nos patrões que têm. Com vocês, Úrsula Alonso:

Amigos,

talvez este e-mail esteja atrasado e vocês já tenham ouvido falar do assunto. Minha intenção ao escrevê-lo, porém, é a de que vocês saibam dos fatos por mim, de modo a evitar versões truncadas ou parciais.

Falo da minha demissão, no último dia 1º de julho. A rescisão, marcada para o dia 9, no Sindicato dos Jornalistas, não foi realizada. Não porque eu me recusasse a assiná-la, mas porque o sindicato negou-se a homologá-la. O motivo: o Jornal do Commercio não me submeteu a exame demissional, o que agrava-se diante de laudo médico que possuo, informando que devo manter "tratamento regular (psiquiátrico, em função de depressão) pelo período mínimo de seis meses".

O último exame médico que fiz no Jornal do Commercio data do dia 3 de abril deste ano e não é um exame periódico, muito menos demissional. É um exame de retorno ao trabalho após afastamento superior a 30 dias, após meu período de licença-maternidade. Neste exame, a médica do trabalho indicou a necessidade de avaliação osteomuscular, à qual nunca fui encaminhada. Além disso, tal exame é anterior à minha primeira crise de depressão, no dia 21 de maio.

Sim, eu estou sofrendo de depressão e fazendo tratamento psiquiátrico por causa disso. Foi por causa disso também que tirei licenças médicas entre os dias 22 e 23 de maio e entre os dias 3 e 13 de junho. Conforme o psiquiatra que me atende, o diagnóstico é o de depressão reativa – aquela que acontece em função do ambiente. No caso, o ambiente de trabalho, onde muitas vezes somos chamados de idiotas, burros, pessoas que não lêem etc, como eu fui. Nunca antes na minha vida eu tive qualquer sintoma de depressão. Ao contrário, achava que era frescura. Hoje, vejo que é doença, classificada como tal pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apesar de doente, estou em condições de exercer minhas atividades e pleiteando minha reintegração ao trabalho, que o Jornal do Commercio sistematicamente rejeita. Na última sexta-feira, ouvi (e gravei) a seguinte frase, de funcionário do departamento pessoal: "a demissão está mantida, ou você recebe o que tem a receber ou não recebe". Ora, minha demissão não pode ser homologada em outros locais que não o Sindicato dos Jornalistas ou o Ministério do Trabalho. Acredito que o Jornal do Commercio, ao qual me dediquei durante 11 anos, não está acima da lei.

Amigos, não peço para vocês concordarem comigo. Cada cabeça, uma sentença, já diz o ditado popular. Apenas não gostaria de ser julgada sem que vocês conhecessem a história completa e verdadeira.

Obrigada pelo apoio. Sinto muitas saudades de todos vocês!

Grande abraço,

Ursula Alonso




16.7.03

 
   Bom, segundo colunista...:

      1. Estar em 65º lugar entre 175 não é estar na rabeira. A rigor, se está até acima (no caso) da média, que fica entre a 87ª e 88ª colocação;

      2. Interessante saber que Ipanema e Barra e suas regiões próximas estão entre os maiores IDHs do mundo. Interessante, mas não supreendente, certo? Até porque o próprio Globo ganhou há pouco tempo um caminhão de prêmios com uma brilhante série de cadernos que tratava exatamente sobre o IDH aplicado ao Rio, e que apontava para esta informação (se é que não a descrevia explicitamente, do que não me lembro);

   3. De qualquer maneira, fico esperando a complementação da nota, óbvia, mas necessária: a diferença entre as "repúblicas" dos bacanas e outros bairros do Rio, em especial da ZN e ZO (fora Barra e as Vargens).

   4. Uma nota dessa atiça o sempre latente desejo separatista dos barratijucanos, que normalmente gostam de lembrar que são Barra, mas esquecem que são também Tijuca e estão na Zona Oeste, de uma forma que poder-se-ia dizer que são a Tijuca da Zona Oeste.

 
   Do Informe Econômico, no JB:


O diabo mora nos detalhes
A integração operacional avançou com a inauguração de linhas de transmissão entre os sistemas Sudeste e Norte-Nordeste. A compra em pool da energia excedente, com um mix de preço entre o custo de renovação e a geração já amortizada, tende a evitar oscilações bruscas como as que por pouco não levaram ao apagão em 2001.

Só que a oferta a maior está concentrada em Tucuruí e na área da Chesf. Como o aquecimento da economia reflete-se mais rápido nas regiões mais ricas e urbanizadas, o consumo crescerá mais fortemente no Sudeste. Assim, o novo modelo poderá subsidiar as áreas mais afluentes, agravando a concentração de riqueza.


   Excelente observação. Como é bom ter jornalista que pensa, ou que tenha fontes que pensam...

 
   Companheiro Gáspari, que esporro no Rapaz da Página 4 e na Dona Míriam, hein? Faz assim, não. Eles podem ficar melindrados.

15.7.03

 
   Conselheiro lembra que o Nelson Vasconcelos achou a tal argentina num encontro de TI para jornalistas. "Ou seja, foi pra rua apurar. Não ficou com a bunda numa cadeira na redação esperando release ou telefonema de fonte", argumentou o sábio, que, como se vê, é um sujeito meio antigo, pouco afeito ao jornalismo moderno.

 
   O líder da oposição, Arthur Virgílio (bom de bola, o único que parece saber mesmo ser do contra no PSDB) diz que Lula não devia bater nos EUA. Tudo bem, oposição é pra se opor e os tucanos sempre foram americanófilos mesmo (vide o processo de privatização). Mas o interessante é que dois colunistas do Globo - O Da Página 4 e Dona Míriam - vão pelo mesmo caminho, batendo no Eleito com a mesma borduna, no mesmo dia. E olha que Dona Míriam não tem nada a ver com o assunto...

   Realmente o mundo é mesmo cheio de coincidências, não é?

 
   Nas duas últimas semanas, a coluna do Nelson Vasconcelos dá mais um exemplo de bom jornalismo. Nelson descolou a história de uma especialista em TI argentina que foi demitida da Comissão Européia por ter pedido uma auditoria no sistema de tecnologia da instituição, e tem usado o exemplo para discutir as normas de segurança e integridade destes sistemas. Bacana, mesmo para quem não tenha intimidade com o assunto e também para aqueles que acham que corrupção só existe aqui no Bananão. Veja aqui .

 
   Mãozinha para quem for fazer a suíte de mais um capítulo da novela "A Barca Perdida . Há coisa de dois anos, o sindicato dos "barconautas" (não lembro o nome) montou dossiê demonstrando que as barcas estavam em péssimo estado de conservação. Foram desmentidos, claro, e - também obviamente - ficou tudo por isso mesmo. Parece que estavam certos.

14.7.03

 
   Dei outra bobeira ontem e não elogiei a boa matéria da Roberta Oliveira sobre o Bonequinho Vil no Segundo Caderno do Globo. A matéria ficou bem legal, mas me deixou um pouco triste também. É que pauta só existiu porque se referia a um ícone do Globo, mas há outras, muitas, iniciativas criativas e bonitas na ZN e na Zona Oeste que são simplesmente ignoradas pelos veículos de comunicação ou, no máximo, ficam nos suplementos de bairros. O Dia dá mais força, mas é o público dele, que ele tem que mostrar mesmo. Não faz nada além da obrigação. Lamentável é que Globo e JB ignorem a riqueza cultural do lado pobre da cidade. Enfim, é o marketing, né?

 
   Por falar em JB, tudo parece dar errado por lá. No domingo, cumprindo determinação judicial, o jornal teve que editar duas páginas com a sentença do juiz da Quarta Vara Cível em favor do juiz José Maria de Mello Porto, que se sentiu ofendido por matérias publicadas nos dias 14, 15 e 17 de dezembro de 1994, dando conta que falcatruas que ele teria cometido à frente do TRT-RJ.

   E o pior é que a maior parte das acusações era verdade...

 
   Sábio do Conselho jura que não é a primeira vez que o Joaquim Fereira dos Santos usa a sinergia contra o Império. O Conselheiro calcula que metade das colunas das segundas tiveram os mesmos assuntos das publicadas antes no JB.

 
   Boa idéia a da Veja a de fazer duas capas para a mesma edição - uma mais quente para venda em banca, outra, mais fria, para assinantes. O objetivo, explica a revista, é testar o quanto a compra por impulso - muito importante em jornais populares, que por isso esquetam na temperatura alta das capas com muito crime, mulher pelada e notícias sobre grana para trabalhador - impulsiona a venda em banca de revistas. Na edição para assinantes, a capa da Veja traz matéria sobre a crise na produção brasileira, e a das bancas é sobre a atração pelo risco, com foto de um sujeito dependurado por um braço numa montanha

   Bom ficar de olho para saber o resultado da experiência.

 
   O dia começou com duas notícias ruins: a morte de dois caras muito bacanas - Fausto Neto e Compay Segundo. Este não precisa de apresentação para quem viu Buena Vista Social Club, mas o primeiro pode ser que os mais novos não conheçam. Fausto era um jornalista à moda antiga, cheio de tesão pela profissão e mais ainda pela vida. Boêmio, bebedor, fumante, desbocado, era um colega dos melhores que tive - trabalhei (e aprendi muito) com ele na já quase mitológica equipe do Esporte do JB no início dos 90. Como Compay, Fausto teve uma vida longa, movimentada, longe da monotonia, e, creio, algumas vezes feliz. Não se pode querer mais do que isso, né?

13.7.03

 
   Por falar em SS e Contigo....

   A Televisa disse que não está negociando a compra do SBT. É "menas verdade". Estava sim, mas como a cláusula de sigilo da opção de compra foi quebrada pelo próprio porta-voz da empresa, ela tem que desmentir mesmo. E o faz porque a tal cláusula de opção de compra está inscrita num contrato de co-produção de telenovelas o qual o SBT está querendo renegociar, pois prevê que o SS é obrigado a entrar com 30% da grana. Ou seja, se não desmentisse oficialmente, o SBT detonaria o contrato com um bom argumento.

   O problema do SS é que a grana encurtou muito nos últimos tempos. A Globo, também sentindo o traseiro dela sofrendo friagem por estar na janela, começou a jogar duro, baixando preços de veiculação, numa estratégia que tem gente do mercado chamando de suicida. Se a vida está dura para a Estrela da Morte, imagina pro SBT, que montou aqueles megaestúdios da Cidade De Televisão (CDT) na Via Anhangüera ao custo de US$ 120 milhões (segundo a própria empresa). E ainda por cima tendo que aguentar os "bispos" da Record nos calcanhares...

 
   Colega Abismado quer que eu tire a notinha sobre o Cocadaboa e a matéria da Contigo do blog. Não tiro por duas razões:

      1. Só em último caso retiro post. Se estiver errado (o que não me parece o caso), eu aponto o erro e peço desculpas, mas mantenho o post. Não tem graça ficar escondendo as falhas, né?

      2. A gozação do Cocadaboa vale a pena.

 
   O bravo Renan Cepeda está organizando o concurso nacional de fotografia Um Olhar sobre o Meio Ambiente Urbano - Alternativas para as Cidades, cujo objetivo é "revelar e expor, de maneira artística, formas criativas e inusitadas de interação entre o ser humano e o meio ambiente nas cidades brasileiras". Podem concorrer fotógrafos profissionais e amadores residentes no Brasil, com idade mínima de 18 anos. Os trabalhos devem ser postados até o dia 20 de agosto e os três primeiros colocados receberão prêmios no valor de R$ 6 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do Instituto de Estudos da Religião.

      Mais informações sobre o concurso podem ser obtidas com Maria Alice Falácio pelo telefone (21) 2555-3750, fax: 2558-3764 ou pelo e-mail alice@iser.org.br. Quem quiser já ir dando uma olhada no edital pode baixá-lo para ler no Acrobat em
http://www.iser.org.br/portug/concurso_de_fotografias/editalconcurso.pdf.

 
   O jovem Alexandre Carvalho foi efetivado como editor do sítio TI Master. Ele estava no cargo interinamente desde que a Fabiana Monte tinha ido para a assessoria de imprensa da Oi.

 
   Joaquim Ferreira dos Santos estréia a coluna Gente Boa comovendo este velho coração comunista ao inverter a lógica da exploração capitalista e usar a sinergia contra os patrões. É que a nota sobre os bravos PMs paraplégicos que se tornaram campeões de tiro ao alvo esportivo já tinha sido usada pelo próprio colunista em matéria na revista Trip, inclusive com a mesma foto. Bacana ver um coleguinha passar a perna nos patrões - ganhando duas vezes por apenas um trabalho. Claro que os leitores do Globo - especialmente aqueles mais antigos que acreditam que lendo jornal estão sabendo de coisas novas - podem se sentir um tanto lesados, com razão. Mas fazer o quê, né? Não dá pra todo ganhar, certo?...

 
   Falando nessa matéria sobre os gays enrustidos londrinos, ela matou, praticamente no nascedouro, uma idéia que tinha começado a implementar aqui. Jamais conseguiria pensar uma pauta mais escalafobética do que a da Inter do Globo de hoje.

 
   Há duas semanas, o companheiro Gaspari tem publicado a lista de deputados que devolveram a grana da Viúva que lhes caiu no bolso por conta da convocação extraordinária do Congresso. Um belo serviço jornalístico. Tão bom que fico pensando porque O Globo ou os outros jornais não o realizaram antes e agora não seguem o companheiro. Afinal, espaço têm, caso contrário não publicariam matérias sem pé nem cabeça como a que está hoje na Inter sobre um tipo de gay enrustido que existe em Londres.

   Depois, os jornais se queixam quando os leitores ficam se perguntando porque jornal só se interessa em dar más notícias. Aliás, tenho uma teoria sobre isso (por que será que você não se surpreendeu com isso?), que um dia eu desenvolvo.

12.7.03

 
   Os colunistas, mas não só eles, têm um desaguisado sério com a oratória aristotélica (que se baseia na lógica do ateniense), em especial aquela parte que diz que um argumento só é válido se não puder ser usado contra quem o enunciou. Dona Míriam hoje demonstra essa dificuldade dos titulares de coluna pátrios. Ela escreve o seguinte:

(...)A economia brasileira é muito complicada para caber em explicações ideológicas. (...)

   E ainda:

(...)O setor de plástico não é o único, mas é um bom exemplo de como é difícil fazer generalizações pessimistas sobre a economia brasileira. (...)

   Primeiro: se a economia brasileira não permite ideologizações, ela é inexplicável no âmbito do discurso, já que todo discurso (qualquer um, inclusive o que se diz inteiramente técnico-científico) é ideológico, pois parte da linguagem, que é uma maneira de enquadrar o mundo, mas sem jamais consegui-lo. Ou seja, a economia brasileira (assim como toda e qualquer economia) é inexplicável, logo colunas de economia são dispensáveis. Aliás, o jornalismo todo é dispensável, pois o mundo que nos cerca é inexplicável, já que é ainda mais complexo do que qualquer economia, por englobar outros âmbitos.

   Segundo: Se é difícil fazer generalizações pessimistas, logicamente também é difícil fazer generalizações otimistas. Na verdade é difícil fazer qualquer tipo de generalização. Inclusive esta.

11.7.03

 
   Colega dublé de empresário está meio besta com os preços cobrados pelo Sindicato para o Enjac:

   (...) Enjac a R$ 250 (ou 320, pra quem não está em dia com o sindicato, nesses tempos bicudos em que muita gente não está em dia nem com a venda da esquina) por cabeça é coisa de rico, né não? A idéia é mesmo fazer um encontro só para "grandes" assessorias e funcionários públicos (que os governos costumam bancar a participação de alguns de seus assessores)? Que coisa! (...)

   O que o colega acha de mais estranho é que no ano passado, o preço já tinha sido salgado, mas não tanto:

   Estive no Enjac do ano passado, no Le Canton, que já não foi nada barato. A pauta, como agora, era ótima (tirando uma das palestras que foi, literalmente, para vender um software). O preço era quase a metade! Que há com esses caras?

   Fica aí a pergunta.

 
   Agora, que o SS está negociando com a Televisa é verdade. Há umas três semanas, me bateram isso, mas indesculpavelmente não escrevi isso na CPM (para onde vão primeiro todas essas bombas de negócios). Desculpe aí...Foi mal...

 
   Os bastidores da entrevista de Sílvio Santos a Contigo aqui.

   E meus humildes cumprimentos de fã ao pessoal do Cocadaboa.

10.7.03

 
Confirma-se nossa reportagem...:


Cadastro vai aproximar leitor do Globo On Line

RIO - Com o redesenho do Globo On Line, que estréia neste domingo, será preciso se cadastrar para acessar os novos serviços oferecidos pelo site. (...)

 
   Vamos lá, reaças, admitam: esses caras do MST são bons de mídia pra caramba! Agora transformaram os bonés num símbolo!

 
Grande Veríssimo...

Culpa maior

Cartum: as caravelas de Pedro Álvares Cabral aproximam-se da praia, onde um grupo de índios as observa. Um índio olha para outro e diz: ? Iiih... Lá vem aquele papo de reforma agrária.? O papo de reforma agrária pode não ser tão antigo quanto o Descobrimento do Brasil, mas é certamente um dos nossos temas mais velhos e recorrentes. Tanto que adquiriu uma certa candura de folclore.


Falar muito de reforma agrária e nunca fazê-la seria uma das simpáticas inconseqüências brasileiras, algo como a nossa impontualidade ou outro mau hábito qualquer. Mas como era um ideal nobre, e o fato de termos tanta terra agia como uma espécie de remorso geográfico permanente, a reforma agrária estava em todo discurso de candidato e todo programa de governo, à esquerda e à direita. O grande, o imperdoável crime dos que começaram a organizar o movimento dos sem-terra foi, em primeiro lugar, se organizarem, e em segundo querer transformar retórica em realidade. O de afrontarem um dos pressupostos do patriciado brasileiro e dos seus discursos, que é o de que a boa intenção se basta, e os exime de fazer. Desafiaram uma das mais arraigadas tradições nacionais.

Não se trata de justificar ou incentivar as invasões do MST e a ilegalidade, mesmo porque a violência sempre favorece a reação. Mas a culpa maior pelo ponto de combustão a que chegou a questão fundiária no Brasil não é do ativismo que hoje assusta, de multidões de enjeitados do campo e das cidades, que não são causa mas efeito, e sim de toda uma história de promessas não cumpridas ou mal cumpridas, insensibilidade, oportunidades perdidas ? e bons discursos.

Não adianta nada, claro, ficar aqui dizendo que a conta da dívida social brasileira acumulada desde as caravelas, a conta de tudo que não foi feito, está chegando, quá-quá-quá e bem feito, porque numa combustão geral nos queimaremos todos. Mas não culpem as vítimas. Lula não vestiu um uniforme inimigo, como quer a reação, quando botou o boné do MST. O inimigo usa cartola. Ou usava, nas charges antigas.


 
   Apesar do errinho, a coluna da Tereza dá um alerta muito interessante: contra os que vão querer transformar o acordo para reforma previdenciária em derrota para o governo. Porque se sair como estava ontem - e mesmo que mantida a paridade para quem está na carreira, só valendo o fim para os novos - é uma vitória governista e não o contrário.

   Agora, a Tereza bem poderia ter ligado para a chefia do Rio para dar este alerta, pois foi exatamente tentar transformar a quase-vitória em derrota decidida o que a edição do Globo fez hoje.

 
   Na coluna da Tereza Cruvinel:

(...) A permanência da paridade entre ativos e inativos, apesar de desejada pelo Congresso, não era ponto fechado ontem, dia em que, pela primeira vez, dizia o vice-líder do governo, Vicente Cascione, “as águas convergiram para a voz, depois de um percurso acidentado”.
(...)


Não seria "convergiram para a foz", não, querida?

9.7.03

 
   Veredas, a belíssima revista de cultura do Banco do Brasil, editada pela Verso Brasil Editora, deixa de circular por determinação da administração do BB, seguindo o aperto monetário definido pelo FMI e obedecido pela administração brasileira (aquela que tinha vindo pra mudar, não sei se você ainda lembra).

   Agora é esperar que o ministro Gilberto Gil venha a público protestar contra o fechamento da revista, secundado por Cacá Diegues, Marieta Severo, Luiz Carlos Barreto e outros luminares, claro.

 

   Hildegard Angel, dia 4 de julho, véspera de seu último dia no Globo:

      (...) " UMA VEZ UMA amiga apareceu arrasada. O noivo estava com um tumor inoperável, e não queria contar pra ninguém, nem pra família. Tiveram que desmarcar o casamento. A moça definhou, mantendo seu terrível segredo. Até que, um dia, uma amiga dela viu uma foto do safado, abraçadinho à noiva nova, no interior do país...

MANTIDAS AS devidas proporções, um renomado cineasta paulista acabou de fazer o mesmo. Ele andou espalhando que estava à morte, com dois tumores no cérebro. Desolados, os amigos tentaram ajudar de todas as maneiras, inclusive financeiramente. De repente: tchan! Era brincadeirinha. Ameaçado de processo pela Riofilme, por ter gasto um financiamento em cositas outras, o cineasta queria criar um clima de constrangimento para não ser processado. Mas será...

DIZEM INCLUSIVE que esse moço foi a causa principal do enfarte sofrido pelo ex-dirigente da empresa, embaixador Carrilho, que empenhou sua palavra em seu favor, e acabou descarrilhando. Não é a primeira que ele apronta: no tempo da Embrafilme pegou uma grana para filmar a biografia de um sambista e até hoje ninguém viu o filme!...

   A CHARADA É: Quem será o infrator? Dou pista: ele é casado com atriz famosíssima dos anos 60 e foi tido por muito tempo como o enfant-gaté da vanguarda tupiniquim... " (...)


    O cineasta é Rogério Sganzerla e a "famosíssima atriz dos anos 60" é Helena Ignez, companheira de Sganzerla e cuja resposta, em carta dirigida ao Globo no dia 5 de julho, foi esta:

      " Que erro, Hildegard Angel!



Foi demais! A calúnia, difamação e injúria que você praticou em sua irresponsável e mentirosa notícia de sua coluna em "O Globo" de 04 de julho de 2003 sobre "um cineasta paulista"!

Por que tanto veneno e má informação sobre um dos nossos mais brilhantes artistas dessa sofrida e gloriosa cultura brasileira?

Nessa vida de "atriz famosíssima dos anos 60" tenho tido a felicidade de conviver com pessoas de espírito nobre, os mestres, e com eles pude aprender que Judas, coitado, merece pena e não ódio. Pois é Hilde, tenho pena de você, filha da mulher que foi sua mãe, chegar ao nível de obscuro pau-mandado escrevendo sucessivas infâmias sobre o "cineasta paulista", melhor, sobre um dos mais importantes cineastas brasileiros de todos os tempos, Rogério Sganzerla, nome que você não citou expressamente em atitude extremamente antiprofissional e anti-ética.

Que pena Hildegard! Você não sabe o que fez! Podemos desmentir item por item dos seus desequilibrados e maldosos "negritos". O cineasta citado por você na sua coluna, está doente sim, Hilde, com um tumor no cérebro, e nestes dias têm lutado pela vida com a bravura e dignidade que lhe são características. Está lúcido, graças a Deus, e sua desastrosa nota foi lida por ele. Que vergonha para você, Hilde. Quem lhe informou tão mal, qual foi o canalha, seja de que sexo for? Sem mesmo checar a informação, obrigação mais rasteira de um jornalista, você afirmou com tanta leviandade e sem o menor respeito à nossa dor, que: "De repente: tchan! (a doença) era brincadeirinha". Que nojo!

Para o seu conhecimento e dos leitores do jornal em que você publicou essas calúnias, o "cineasta paulista" a que você se refere com tanta leviandade está completamente em dia com suas contas. Contas prestadas e aprovadas pela Riofilme, com a conclusão de seu belíssimo filme "Signo do Caos", já exibido em sessões especiais e no momento sendo traduzido e legendado para apresentações em festivais de cinema no Exterior.

Quanto ao queridíssimo embaixador Arnaldo Carrilho, pelos seus serviços prestados ao nosso cinema desde sempre e pela sua natural dignidade, jamais "descarrilharia" como você, Hilde e seus "asseclas-desinformantes" e mentirosos "descarrilharam" em sua irresponsável coluna. Chegar ao ponto de atribuir ao "cineasta paulista" o infarto sofrido pelo nosso querido amigo Carrilho é simplesmente monstruoso.

Finalizando este direito de resposta e defesa perante suas infamantes afirmações, o filme realizado no "tempo da Embrafilme sobre o sambista", nosso glorioso Noel Rosa, que você diz "que até hoje ninguém viu", foi exibido ainda no mesmo ano em que foi produzido, no Festival de Cinema de Brasília e em outros, rendendo muitos aplausos ao realizador.

Quanto a mim, "famosíssima atriz dos anos 60", continuo com meus companheiros do espetáculo "Os Sete Afluentes do Rio Ota", emocionando São Paulo e recebendo entusiásticas manifestações de carinho do público paulista, que lota nosso teatro todas as noites e nos aplaude de pé, após cinco horas de duração deste belíssimo espetáculo.

Lastimo por você, Hildegard, e pelas injúrias, calúnias e difamação, que hão de ser reparadas pela Justiça."

Helena Ignez, atriz






 
Ana Maria Tahan está assinando o Informe JB, mas só na versão impressa. Na on line, o nome dela não aparece.

8.7.03

 
   A querida Tânia Malheiros volta ao palco para cantar samba de raiz. Dessa vez será dia 12, às 16h, no Bar do Juarez (Estrada Dom Joaquim Mamede, 98, em Santa Tereza), onde ela soltará a voz acompanhada de Eduardo Gallotti (cavaquinho e voz), Pedro Holanda (violão), Marco Basílio (surdo), André Corrêa (percussão) e Paulinho da Aba (pandeiro). No repertório, aquelas jóias de sempre: Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Nei Lopes, Zé Ketti e outros bambas.

 
   Oportunissíma a entrevista de Deborah Berlinck com o Sérgio Vieira de Mello sobre o Iraque no Globo.

 
   Esse IDH da ONU pode ter um monte de falhas, mas pelo menos botou o Brasil onde ele deve mesmo estar: entre a Colômbia - país partido pelos narcotraficantes em um monte de pedaços - e a Bósnia, que ficou semi-destruída devido a uma guerra civil.

 
   Mas, pensando bem, ruralista é que tem mesmo pinta de framenguista, né, não?

 
   Agora é que a tensão no campo vai crescer mesmo! O Luiz Garcia chamou o MST de vascaíno!

   Mas podia ser pior: LAG podia ter dito que o Movimento era framengo. Aí seria mesmo provocação suficiente para o início do conflito armado...

 
   Na boa: você votaria para sede dos Jogos Olímpicos numa cidade que é capital de um estado que tem um preposto de traficante como secretário de esporte?

 
   Pergunta: e se o Rio perder outra vez a disputa pela sede dos Jogos vai desistir? Ou vai dar uma de Barcelona que levou 50 anos concorrendo para ganhar a honra? Se for assim, aquela música do Chico e do Hime poderia ganhar um verso - "E se a Olimpíada for no Rio?".

 
   No caderno do Globo comemorando (porque aquilo foi o correspondente impresso ao estouro de uma champanha) a escolha do Rio para concorrer à sede dos Jogos Olímpicos é mostrado, nas páginas centrais, um mapa das obras que a prefeitura fará para adequar a cidade ao Pan-Americano de 2007. Pois bem. É só olhar o desenho para ver que a prefeitura simplesmente vai institucionalizar a partição da cidade já detectada pelo Zuenir Ventura (aliás, colunista do jornal).

   Cerca de 90% das melhorias serão feitas no eixo Zona Sul-Barra da Tijuca, sobrando um pouquinho para outros bairros da Zona Oeste (por rebarba da Barra, que fica por perto) e uma migalha para o Centro. Para o restante da cidade, zero, nada, lhufas. E o jornal achando isso a coisa mais natural do mundo. Depois se perguntam porque a violência cresce e ainda acham um escândalo o país estar entre os dez mais desiguais do planeta... Fico pensando: é burrice mesmo ou cara-de-pau?

7.7.03

 
   Já estão abertas as inscrições para o II Encontro de Jornalistas em Assessoria de Comunicação, marcado para 22,23 e 24 de agosto no Hotel Portobello Resort e Safari, em Mangaratiba. O tema do encontro será Responsabilidade Social e a Mídia , mas os painéis versarão sobre outros assuntos também:

      Painel I: Direito do Consumidor e Ouvidoria
      Painel II: Estágio nas Assessorias de Comunicação
      Painel III: Responsabilidade Social & Empresas
      Painel IV: Responsabilidade Social & a Mídia

   Mais informações (e ficha de inscrição) em www.jornalistas.org.br.

 
O blog O Guru Que Anda, do coleguinha paulista do Luiz Augusto Simon (está aí no Vai Lá, Mané), lançou a campanha "Paga, Walter! Paga!" para que o dono do Lance! pague os valores que perdeu na Justiça trabalhista. Tem o humilde apoio deste Picadinho:

PAGA, WALTER! PAGA!

 
Só esse texto do Sérgio Dávila hoje (saiu sábado), por isso o atraso. Mas o grade Barry White merece:

MEMÓRIA

Mundo fica mais agudo sem a voz de "O Homem"
SÉRGIO DÁVILA
DA REPORTAGEM LOCAL

"Your sweetness is my weakness, yeah, ah-ha, uh-hu." A voz em primeiro plano ressoa na caixa torácica do ouvinte, e logo também o coração parece estar batendo no ritmo vocal extremamente grave e extremamente afinado do cantor negro. No fundo, na "cozinha", a orquestra come solta, cordas sempre à frente.

O que roda nas carrapetas nesse momento é um clássico de 1978, precisamente "Your Sweetness Is My Weakness", talvez a faixa com mais onomatopéias do século 20, a melhor do disco "The Man" -"O Homem" era um de seus epítetos, assim como "A Voz".

O mundo fica mais agudo com a morte de Barry White, o pioneiro e um dos principais responsáveis pela popularização da onda disco nos anos 70 e o mais longevo "cantor de motel" ("makeout singer", no original) da história.

Nenhuma trilha sonora sentimental de trintões e quarentões hoje de olhos vermelhos e voz embargada ficaria completa sem incluir pelo menos uma das dezenas de hits imortalizados principalmente em r&b pelo colossal cantor -colossal em mais de um sentido, uma vez que desde que deixou a adolescência BW nunca mais teve uma massa corpórea menor do que três dígitos.

Atire o primeiro terno azul compridíssimo e brilhante e a primeira latinha de henê (dois acessórios obrigatórios em seus shows) quem até hoje não se arrepia com "Can't Get Enough of Your Love, Babe", "You're the First, the Last, My Everything", "I'm Gonna Love You Just a Little More, Baby", "You're the Only One for me", "It's Ecstasy When You Lay Down Next to me", todas com títulos quilométricos, todas deliciosamente sexies.

No começo dos anos 80, enquanto o novo rock inglês tomava o mundo pop de assalto, grupos fiéis de ouvintes nos divertíamos ao ver os baixos das cordas vocais de BW fazer pular os grãos de areia e poeira dos alto-falantes traseiros de corcéis e opalas.

Porque, antes de tudo, O Homem era o terror dos woofers.

 
   Carlos Arthur Nuzman quis dizer o quê, ao alertar os coleguinhas de que o que fosse publicado a partir de hoje iria ser levado às outras cidades que concorrerão com o Rio para sediar os Jogos de 2012? Ele, por acaso, quer que a imprensa esconda que a Avenida Brasil e as linhas Vermelha e Amarela são interditadas por tiroteios pelo menos uma vez por semana? Que esta é uma cidade com um dos maiores índices de homicídio por armas de fogo do planeta? Que aqui mais de 130 mil desempregados brigam para ser garis?

   Não...Acho que nem o Nuzman seria tão cara-de-pau para pedir isso e nem a imprensa carioca tão subserviente para atendê-lo, caso ele ousasse pedir um absurdo destes...

 
Fiquei triste pela morte do Léo Montenegro, um cara legal.

 
Parabéns ao João Antônio Barros, do Dia, pela conquista do Maria Moors Cabot Prize, concedido pela Universidade de Columbia NY. Reconhecimento justo para um grande repórter.

6.7.03

 
Aliás, o Informe JB continua muito estranho. Na assinatura, tem um "com Doca de Oliveira". Tá, mas quem está com Doca de Oliveira? A coluna continua apócrifa.

 
   Esse escândalo com o uso do boné do MST pelo Eleito já estava passando dos limites. Estava, porque depois dessa do Informe JB não está mais:

Troca de layout
Consultor de etiqueta e comportamento, Ivan Serra Lima orienta empresários peso pesados e políticos. Por isso, a imagem do presidente Lula com o boné do MST o horrorizou.

- O presidente estava errado ao usar o boné do MST?

- Foi um gesto infeliz. FH usou o boné oferecido por um menino que o orientou a colocar a viseira para trás, como usam na rua. FH fez isso, ficou bem. O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, adotou um chapéu do Corpo de Bombeiros durante a tragédia do 11 de Setembro. No caso do MST, é um movimento beligerante, sem gesto de pacificação ou diálogo.

- Elegância combina com poder?

- Sempre combinou, desde a época dos romanos e dos gregos. Elegância é um dos atributos do poder.

- O que falta ao presidente Lula para ser elegante?

- Vestir-se de estadista.



 
Nota com prazo de validade vencido no Informe JB

Cinzeiros vazios
O deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ) já recolheu mais de 100 assinaturas para a criação de uma frente parlamentar contra o cigarro. Quer levar a discussão de normas de combate ao fumo para o Congresso e pressionar o governo a adotar políticas internacionais de saúde.

José Serra, mesmo fora do ministério e derrotado nas urnas, aumenta seu exército antitabagista.


Pagar este mico só para botar o Serra nas páginas?


 
   Uma pautinha escalafobética. Dia 14 de Julho vem aí e fiquei a pensar se os franceses batizam nome de rua com nomes de personagens históricos (e nem tanto) como aqui. Se fazem, achei que seria legal saber em que vizinhança estão as ruas com os nomes daqueles revolucionários mais destacados, como Robespierre, Danton, Marat, Saint-Just e La Fayette. Ia ser gozado ver o moderadíssimo Danton, por exemplo, dando nome a uma rua cheia de árabes...

 
   Boa a pauta do esporte do Globo com a entrevista com o grande Eduardo Galeano falando sobre sua paixão pelo futebol. Lúcio de Castro, cujo trabalho gosto, porém, acaba se enrolando no texto introdutório ao procurar fazer texto bonito. Deve ter se entusiasmado com o entrevistado, mas teria feito melhor, acho, se fosse mais Diego e menos Robinho.

 
   O companheiro Gáspari está em grande forma hoje:

      * Na nota principal, soma cinco bananas e cinco maçãs e diz que o resultado são dez frutas. Não está errado, mas não tem nada uma coisa a ver com a outra;

      * Dá uma ordem unida na oposição conservadora ao Eleito alertando para que ela critique as políticas públicas dele caso queira chegar a algo lugar. Análise correta. O problema é que a oposição conservadora nunca tinha sido oposição antes - o que lhecria naturais embaraços - e nunca teve políticas públicas, e por isso também está sofrendo muito para arrumar uma em seis meses.

      * Faz um bom ping-pong com o tal chefe da Inteligência da Receita defenestrado sem explicação, num caso realmente muito estranho.

5.7.03

 
   Por falar em morte (hoje a coisa está meio fúnebre por aqui, não?), a briga pela sucessão tende a abalar os alicerces do prédio número 359 da Rua do Riachuelo.

 
   Sou um monte de coisas, mas não hipócrita. A morte ocorrida ontem que lamentei de verdade foi a do Barry White. "Love?s Theme" é uma das minhas dez músicas favoritas. Como membro da família soul que cresceu na região de Pavuna na década de 70, estou de luto. Valeu, negão!

 
   Mesmo quem já leu na CPM, pode dar uma olhada nessa porque andei pensando no assunto.

   Realmente, essa volta da Marluce Dias ao comando da Globo está virando um novela. Semana passada, mais precisamente no dia 30, depois de ter sido noticiado que ela voltaria ao comando da Globo depois de os analistas internacionais terem começado a duvidar que o Império possa simplesmente manter seus negócios de pé, Marluce mandou o seguinte emeio para os executivos da casa:

      O primeiro [motivo das reuniões realizadas na semana passada] foi para agradecer a todos (...) pelo que fizeram, durante a minha ausência, pelo sucesso da TV Globo (...). O segundo motivo das reuniões foi para falar do futuro. Expliquei que ainda continuo em tratamento e que o Octávio (Florisbal) permanecerá como Diretor Geral, liderando a TV Globo em sua trajetória de sucesso (...). Falei então [durante as reuniões] que estou à disposição dos Acionistas e do Octávio para apoio em projetos específicos que eles venham a solicitar e relatei o projeto que estou retomando a partir de agora (...). É o projeto de valorização da Produção Cultural Nacional e da defesa (essencial para o nosso futuro como sociedade, como país e como empresa) da presença do produto brasileiro de qualidade, como o que fazemos, em todos os meios de distribuição de conteúdo áudio visual.

      Não terei qualquer envolvimento em projetos de resultados econômicos da TV, projeto UHF ou sei lá mais o que foi citado (...). Estarei dedicada a este projeto de Produção Nacional que havíamos iniciado antes de eu precisar me ausentar.


   Bom, pelo menos até onde minha vista alcança (mas tem que ver que minha miopia tem aumentado muito...), a idéia imperial para a Marluce - e desculpe as almas mais sensíveis, mas é a imagem que me parece mais apropriada - é transformá-la numa espécide de El Cid corporativo (você sabe da lenda, né? Não preciso contar, correto?). Vamos ver se dá certo.



 
   Tem uma galera do Sportv que é realmente hilária. Hoje, no intervalo de São Caetano x São Paulo, momento em que o primeiro vencia por 1 a 0, o narrador Jota Junior perguntou ao comentarista Daniel de Paula, à guisa de introdução à participação deste: "Daniel, o São Caetano foi melhor que o São Paulo?". O outro foi peremptório:

   - Não! Foi apenas mais eficaz na defesa e mais eficaz no ataque.






 
Santos e Marta

Maldade de uma raposa política. Sabe qual é a semelhança entre Marta Suplicy e o Santos?

É que os dois não resistem a um argentino.

Com todo o respeito.



   Segundo Colunista, essa piada é sen-sa-cio-nal! Devia ser contada na apresentação em que se escolherá a cidade brasileira que vai pagar mico na Suíça. Um povo que, apesar de viver em guerra civil, ainda tem alguém capaz de criar uma tirada como essa tem que ser reverenciado, nem que seja porque terá o fair-paly necessário para ver sua cidade ficar em último na decisão sobre quem vai sediar os Jogos de 2012.

4.7.03

 
Do Informe Econômico:

The ight (sic) never sleeps
A Light tem um advisor para o lugar do Citigroup Global Market, ligado ao Citibank. A EDF, dona da empresa, contratou a Goldman Sachs, que não é sócio de nenhum credor.


Matéria de alto de página com esta notícia estava no Valor de ontem.

 
Compare:

Fred Suter no JC de hoje:

Dinheiro a rodo
Estudo da Câmara de Infraestrutura revela que o Governo ainda tem R$ 12 bilhões para financiamentos este ano. O BNDES, que carrega um rombo de mais de US$ 1 bilhão de dólares por conta da AES, tem outros R$ 3 bilhões no cofre e o Banco do Brasil, mais R$ 1 bi. Com as verbas das estatais como Eletrobrás e Petrobras, pode-se chegar próximo de um total de R$ 29 bilhões.

O que falta no momento são empresários de olho em grandes investimentos. Até agora, de interesse concreto, só chegou mesmo ao BNDES um pedido da R$ 1 bilhão da Volkswagen para tirar do papel o projeto do novo modelo Tupi.


Isto É Dinheiro desta semana (começou a circular na quarta), coluna Poder:

DINHEIRO SOBRANDO

Dinheiro para emprestar, tem! O que não tem é disposição do empresariado para investir, reclama o ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento. Cálculo da Câmara de Infra-Estrutura indica que o governo ainda tem R$ 12 bilhões para financiamentos este ano. Há outros R$ 3 bilhões do BNDES. O Banco do Brasil também teria outro R$ 1 bilhão. Com as verbas de estatais como Eletrobrás e Petrobras chega-se a R$ 29 bilhões.


Notou alguma coisa?

 
Uma última sobre o Informe do Dia, esta mais conceitual:

Culto ao banditismo
Já foi o tempo em que os estudantes cariocas pintavam a cara de verde e amarelo e iam para a rua protestar na maior serenidade. Nos protestos contra o fim do passe livre, os jovens mostraram nova e violenta faceta. Boa parte das pancadarias que aconteceram entre os próprios estudantes que foram para a porta do Fórum refletiram a rivalidade entre as facções criminosas da cidade.

Alunos de escolas em áreas dominadas pelo Comando Vermelho decidiram acertar as contas com quem imaginavam ser seus inimigos ? jovens vindos de regiões do Terceiro Comando ou dos Amigos dos Amigos. A brutalidade não se limitou a tapas e pontapés. Os professores ficaram chocados ao verem ataques com morteiros.


Os donos de ônibus devem ter adorado essa história. É óbvio que, sem um pingo de unidade, jamais os estudantes cariocas conseguirão ressuscitar o benefício cassado pela Justiça.


A maior tristeza: mais que perder o passe livre, a estudantada carioca já não tem referências. Agem como se fossem bandidos. Está aí um belo desafio para educadores e autoridades.


É, é mesmo um desafio e tanto. Mas também para toda a sociedade - jornais, rádios e tevês incluídos - não é não?


 
Outra nota vencida do Informe:

Exploradas

A CPI do Congresso sobre violência e exploração sexual de crianças começou a fazer roteiros de diligências.

São 241 as rotas usadas para o crime ? 76 no Norte, 69 no Nordeste, 35 no Sudeste, 33 no Centro-Oeste e 28 no Sul.


Saiu ontem na Tereza Cruvinel.

 
Por falar em O Dia...Do Informe de hoje:

Acomodação

O primeiro-ministro José Dirceu botou na cabeça que um novo partido terá que ser criado no Brasil.

É para hospedar mais de 20 parlamentares que estão sem pouso fixo, zanzando de um lado para o outro no Congresso.


No fim de semana, outras colunas disseram que o próprio Zé Dirceu havia repelido esta idéia. Vamos ver quem tem razão.


 
Dr. Roberto enterrou mais um. Ary Carvalho, dono de O Dia, foi prestar contas ao Criador na madrugada de hoje.

3.7.03

 
Sabe o moleque que está na capa da Época desta semana? É filho do diretor da revista, Aluízio Falcão.

Vai ver é mais uma maneira criativa de fazer economia...

 
Correção: o Perin chama-se Orivaldo.

Esses nomes estranhos são traiçoeiros. Bom mesmo é ter um nome simples como Ivson...

 
A matéria não está lá muito bem escrita, mas a pauta do Caderno 2 do Esatdão é muito legal: livros que toda livraria deveria ter e quase nenhuma tem. Olha aqui.

2.7.03

 
Agora que conseguiram o que queriam (atrasar a votação), os deputados traíras que derrubaram o parecer do relator em favor da aprovação da redação do PL-256/91 (versa sobre regionalização da programação de tevê) apresentaram, por intermédio de Roberto Magalhães, o projeto com a mesma redação que tinham recusado. Com a manobra, o PL só volta à pauta em agosto e chega ao Senado apenas em setembro.

 
Para o lugar de Helena Celestino no Globo vem mesmo Oriovaldo Perin, cujo lugar na direção de redação do Diário de São Paulo será ocupado por Paulo Moreira Leite, que, assim, não será mais o correspondente do Globo em NY, o novo posto da Heleninha, como se sabe.

 
Vai ser difícil de você arrumar, ainda mais se morar fora de Sampa, mas se puder consiga a revista Communicare, do primeiro semestre deste ano, editada pelo Centro Interdisciplinar de Pesquisa (CIP) da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Neste número, Maurício Stycer e Raquel Salgado fazem uma interessantíssima análise da maneira como César Giobbi noticiou a eleição de 2002. Não creio que os autores concordem com a ilação, mas vi alguma relação entre o jornalismo praticado por Giobbi e o de Hildegard Angel, o que torna - em minha opinião, repito - ainda mais atual o estudo.

 
Dei bobeira ontem e não elogiei a boa matéria de capa do Megazine. Ela demonstra que dá para falar de e para adolescentes com conteúdo.

1.7.03

 
Rodou a cimitarra no Jornal do Commercio. Dançaram Jorge Luiz Lopes (chefe de reportagem), Úrsula Alonso (editora de Gerencia, Carreiras, Suas Contas e Seu Negócio), Christine White (repórter), Roberto Hillas (editor de Tecnologia e Saúde) e o inimitável e folclórico Pereirinha, repórter de política. Bailou ainda Jorge Bahia, responsável pelos infográficos e gráficos em geral. Quatro páginas do caderno Seu Dinheiro também foram cortadas.

 
Aos poucos, o Picado vai voltando ao normal. Com algumas modificações de lei, como sempre, mas já reconhecível...

 
Outra que está arrumando as malas no Globo é Helena Celestino, mas por uma boa causa: vai ser correspondente em Nova York. Toni Marques retorna à Irineu Marinho 35/2º, muito provavelmente para a Nacional. Ainda não há um substituto definido para Heleninha, mas o cargo não deverá ficar vago muito tempo.

 
Boechat diz que Hilde vai dançar do Globo e que o jornal desistiu de publicar colunas sociais. Duas boas notícias. Afinal, como você sabe, nunca entendi muito bem porque a Hilde ainda existia: ela não acrescenta ao noticiário e ainda faz o jornal pagar micos homéricos, como aquele recente em que ressuscitou Tchecov.

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