31.3.03

 
Que maldade o governo do Eleito está fazendo com os coleguinhas de BSB...Eles estão tendo que apurar! Nada de receber telefonemas dos assessores dizendo quando e onde está a notícia e quem vai falar e sobre o quê. Onde já se viu?!

Ah, pessoal, dá um tempo! Vai cobrir um "bonde do terror" e pára de encher a paciência!

 
Velhice é legal, pena que a gente comece a fazer besteira...A bela matéria sobre o horror das armas biológicas, que saiu há dias no caderno do Globo, é da Ana Lúcia Azevedo e não da Cristina Azevedo (não são nem parentes...). Sorry...:(

 
Emprego!!!

A Carta Z Notícias, que produz os noticiários TV Press, Auto Press e PopTevê publicados em 120 jornais de todo o Brasil, tem vaga para repórter que queira trabalhar no caderno de TV e, eventualmente, cobrir férias no de automóveis. É para começar já. Emeios com curriculo no corpo e foto anexada para cartaznoticias@cartaznoticias.com.br

 
Olha só...Errei o nome de dois concorrentes ao título de melhor locutor de futebol da TV e acrescentei mais dois, a pedidos. Como o Enquete.com.br apaga todos os votos quando alterações dessa monta, quem já votou, tem que votar de novo, ok? Desculpe o mau jeito, ok?

 
A liberdade de imprensa já tinha ido pro brejo nos EUA. Agora a liberdade de expressão foi junto. Nem Peter Arnett escapou.

 
Uma teoria que explicaria o porquê de Donald Rumsfeld ter se recusado a mandar o número de soldados que os militares afirmavam ser nececessários para vencer Saddam rapidinho, como informa o caderno do Globo, reproduzindo matéria do Washington Post.

 
Todos os jornais, TVs e rádios deveriam ter o cuidado do pessoal do Globo de procurar evitar a palavra coalizão para definir as tropas que invadiram o Iraque. Coalizão de dois e meio (a Austrália enviou apenas 200 soldados) é demais, não? Coalizão era aquela da Guerra de 91, que tinha uns 40 países.

 
Cid Andrade, da coluna Conexão Blogger, não levou muito a sério a proibição de Nilo Dante que só o pessoal da Inter falasse de guerra. Botou até links para o blog de Raed (blogger iraquiano) e do Warblogs:CC, um blog com várias fontes críticas a respeito da invasão americana.

 
Acho que o pessoal do Globo deve um cuidado dobrado com as matérias do Daily Telegraph. Os caras parecem mais realistas que o rei...

 
A opinião de Gay Talese a respeito da cobertura da mídia americana sobre a guerra, na Folha.

30.3.03

 
Com a demonstração de força da edição do dia 23 - matéria cafajeste e completamente parcial avaliando o governo Lula - Veja ganhou facilmente o título de veículo que mais está torcendo contra o governo petista. A revista dos Civita levou 21 dos 48 votos da pesquisa (43,75%), com a Folha ficando em segundo com 12 votos (25%). Muito atrás ficaram Estado de S/ao Paulo, O Dia, TV Globo e TV Record, com 2 votos cada, e O Globo, JB, SBT e IstoÉ, todos com um. A Bandeirante não teve votos.

A nova pesquisa é "positiva" e aproveita o início do Brasileiro/2003: qual é o melhor narrador de futebol da TV? A pesquisa fica até o dia 15, e quem quiser colaborar mandando algum nome, pode fazê-lo até quarta, ok?

 
Muita coisa acontencendo na InPress Porter Novelli, segundo o J&C:

* A empresa ganhou concorrência para fazer RP da Petrobras no Nordeste e Norte-Centro-Leste (o que inclui Minas e Espírito Santo). A coordenação ficará com Flávia Pinho, com equipe formada por Verônica Nonato e Camile Gavazza (Salvador); Claudia Pinheiro (BSB) e Shirley Peixoto (Manaus).

* Em março, a empresa passou a cuidar também da assessoria estratégica de comunicação da TIM e da TINnet (desde 2000 a empresa coordena a Telecom Itália). No Rio, a coordenação está com Roberta Machado, e em Sampa com Cristina Fernandes. Também fazem parte da equipe Jacqueline Breitinger, Aglaé Feldmann e Valéria Rossi (ex-JB)

 
A Publicom-SP ganhou a conta de produtos farmacêuticos da Novartis, ela que era, há tempos, responsável pela Divisão de Consumo (Gerber, Lillo e Ovomaltine). No Rio, chega Liane Thedim (ex-Extra) para a coordenação de publicações, ficando a seu cargo a revista da Lafarge, o jornal da FGV, as publicações internas do McDonald's (incluindo o McNews) e o jornal da Contax (empresa de call center da Telemar). (J&C)

 
Sérgio Rodrigues assume o recém-criado cargo de diretor de Redação da Selulloid, que edita, entre outras, a revista da Oi. Sérgio, porém, continua com as colunas no JB e no Pasquim (Jornalistas&Cia)

 
Jantar no Museu Nacional de Belas Artes promovido pelo Banco da Providência. Longos e black-ties, até porque era uma homenagem ao vice-presidente José Alencar. E por causa da presença do vice estavam lá também o repórter de um grande jornal e a repórter de uma revista de celebridades. Com dificuldade, ambos conseguem furar o cerco de puxa-sacos e chegar perto de Alencar, que os nota e toma aquela postura de quem vai responder a perguntas desagradáveis sobre paralisia do governo, bate-cabeça da base governista, bobagens do Graziano à frente do Fome Zero...E era essa mesmo a intenção do coleguinha do grande jornal. A garota da revista de celebridades, treinada em se desvencilhar de baba-ovos, porém, é mais rápida, chega segundos antes do outro á frente do vice e sapeca a pergunta que estivera esperando boa parte da noite para fazer:

- Dr. Alencar, o senhor se sente homenageado neste jantar?

Vendo a oportunidade, o José Alencar não titubeia:

- Muito, minha filha! Muito! - diz, sorrindo, e cai fora, de fininho.

 
Barcímio Amaral e Maxi Marques, da editoria de País do Globo, foram demitidos semana passada, deixando a editoria com apenas dois redatores. Ainda não se falou em substitutos.

 
Caderno de guerra esperto hoje, o do Globo: como já tá ficando chato esse negócio de os invasores estarem avançando rapidamente rumo a Bagdá e continuarem há dias a 80 quilômetros da capital do Iraque, hoje o pessoal resolveu dar uma olhada em volta nos temas que se relacionam com a guerra. Ficou algo meio desnivelado, e nem poderia ser de outra forma - afinal nem tudo tem uma ligação maior com guerra. Assim mesmo, valeu a idéia e aqui vai uma avaliação, mas sempre repetindo - todos estão de parabéns, em especial o (s) que pensaram o conjunto da edição:

* A matéria da Adriana Castello Branco sobre o boicote estava meio caindo de madura e, acho, poderia ter sido melhor aproveitada. Em vez daqueles depoimentos repetitivos de parlamentares (da retranca de Isabela Abdala), teria sido legal saber se, por exemplo, aumentaram o consumo de guaraná ou a freqüência ao Habib´s e ao Bob´s (aliás, continua holandês? Se continua, a Holanda apoiou os EUA na União Européia..), e como ficamos, por exemplo, no caso dos dentrifícios: Crest é americana, tudo bem, mas as outras pastas de dente se dividem em Gessy Lever e Procter&Gamble (americanas) e Unilever (anglo-holandesa). Vamos aderir ao juá? E há planos de marketing das marcas alternativas brasileiras (além do Habib´s, a Casa da Empada, por exemplo) para ganhar este mercado? Tempo já teve de sobra como a Insetisan mostra com os anúncios engraçadinhos que pôs na rua.

* Renato Galeno foi muito bem na matéria sobre a derrota americana pelos corações e mentes mundiais, sobretudo pela explicação dada por Mark Hertsgaard. Afinal, só mesmo muita arrogância par perder numa frente da mídia em que os caras têm poder pelo menos igual ao que têm no campo militar.

* As matérias sobre música pop e moda são daquelas mais fracas, pois não há muito o que fazer em meios que são apenas espuma mesmo.

* Já no campo dos livros, Daniela Birman fez uma matéria de serviço, competente e útil.

* Ana Lúcia Azevedo volta a arrebentar com Apocalipse no Éden, sobre o drama da região do Crescente Fértil. Matéria que aumenta conhecimento e mostra o dramas da guerra vão além do imediato.

* Ah! O título da capa do caderno - O Homem-bomba vai à guerra - foi trocadilho com "Johnny vai à guerra", livro (e depois filme) de Dalton Trumbo, citado na matéria dos livros? Se foi, confesso que incomodaria saber disso: já vi milhares de filmes na minha vida, mas não me lembro de nenhum mais triste e belo em sua mensagem pacifista do que o de Trumbo. Enfim...

* Tambpem ia esquecendo: boa a entrevista de Deborah (errei a grafia ontem) Berlinck com Boutros-Ghali. É um filão que, creio, pode render boas matérias side da correspondente.

29.3.03

 

Do Informe do Dia


Dito e feito

Quinhentos empregados da Coca-Cola nos Estados Unidos foram demitidos ontem.

Prometida desde o mês de janeiro, a degola atingiu as áreas de vendas, recursos humanos, financeira, jurídica e de tecnologia.


Caramba! Não sabia que a coluna era tão lida nos Estados Unidos!

 
Cara, o Ali estava certo! A ONU não vai se tornar irrelevante! Veja aqui.

 
Quer dizer que o Ali Kamel gastou papel e tinta do Dr. Roberto, e tempo dos editores do caderno de guerra do Globo, só para dizer que o mundo será melhor para se viver quando depender menos do petróleo da Arábia Saudita? Ora, francamente...Esperava bem mais do Ali como analista geopolítico...

 
Matérias bacanas no caderno de guerra do Globo:

* O chamado (antigamente) esforço de reportagem da Cristina Azevedo entrevistando o cara da Cruz Vermelha em Bagdá por telefone celular internacional;

* A entrevista de Débora Berlinck com o diplomata kuwaitiano, onde se nota que o ódio - mais que compreensível - dos caras ao Saddam. Ódio que eles projetam com igual intensidade em outros. Um seguimento da matéria poderia ser entrevistas com os diplomatas iranianos e de países árabes para saber se o que o representante do Kuwait disse tem algo a ver com a realidade e em que medida;

* Hilário artigo de um cara do NYT no qual faz conjecturas sobre o pós-guerra baseando-se na idéia de que "os EUA têm sido cuidadosos até agora em evitar mortes de civis". Pra você ver como funciona a cabeça dos sujeitos: matar umas 70 pessoas, incluindo crianças e velhos, em dois bombardeios a mercados é estar sendo cuidadoso.

* Entrevista de Lilian Fernandes com Christiane Amanpour, da CNN, onde ela se defende das acusações de parcialidade na cobertura do ataque ao Iraque. Faltou apenas a pergunta sobre o motivo pelo qual a empresa ordenou ao Kevin Sites que parasse com o blog que mantinha sobre a guerra e mostrava coisa que não iam ao ar na TV. Fica-se agora esperando uma entrevista com os coleguinhas da Al-Jazeera expulsos da Bolsa Nova Iorque ou, melhor ainda, com alguém equivalente à Amanpour na TV do Catar e naquela TV do Dubai.

 
Olha só que bacana saiu na coluna do Jorge Bastos Moreno:

Lanche

Lula, perplexo, lendo no jornal uma frase que não pronunciou: ?Estou comendo o pão que o diabo amassou?.

? Se pelo menos aparecesse o nome da pessoa para quem eu teria dito essa bobagem...

Ou da padaria.

Bem feito!

Governo que não dá informação estimula a invenção.

Dos próprios membros.



Quer dizer então que é assim? Se não me derem exclusivas eu publico o que algum fofoqueiro disser - ou, quem sabe, invento alguma coisa -, publico e vocês, do PT, vão ver o que é bom.

É impressão minha ou você também está sentindo aí um certo cheiro de chantagem?

28.3.03

 
Ah! Ia esquecendo...Dona Míriam, também acho o Babá um bobão, mas tentar desqualificá-lo por ter falado errado - e ainda por cima num hora de exaltação - é mostrar que não se sabe combatê-lo no campo das idéias, da substância, da política. Isso sim é que é de se lamentar, muito mais que outra atropelada na Última Flor do Lácio. Aliás, seu colega, o principal counista do Globo, outro dia também passou por cima da língua de Noel Rosa ("É brasileiro, já passou de português" - Não tem tradução, 1933) - por escrito - e você não reclamou. Ou será que não notou que a conjugação do verbo intervir no pretérito perfeito estava errada? Hein? Hein?

 
Desculpe o dia de pouco movimento virtual, mas é que ele foi cheio no mundo real - levar mãe ao médico em Botafogo, dar entrevista agendada em cima da hora no Observatório da Imprensa no Centro, fazer compra de mês na Ilha - e por isso não deu pra blogar muito, até por falta de disposição para tal. Vamos ver se amanhã me recupero, ok?

 
O tempo está ficando quente em BSB, com a "rorização" desembestada do Correio Braziliense. Veja a última escaramuça aqui.

 
E o JB finalmente alcançou o nível norte-americano de jornalismo. Agora, como na terra do Bush, há censura aos profissionais do jornal de Nelson Tanure. O diretor de redação Nilo Dante determinou que ninguém, com exceção do pessoal da Inter, mencione a guerra do Iraque. Isso vale para todos, incluindo os colunistas. Dante afirma que está havendo "militância" no jornal contra a guerra e isso ele não vai tolerar.

27.3.03

 

Canção do não tempo de lua

(Mário Lago)


Amada não me censure, se sou de pouco falar
Nem se esse pouco que falo não faz você suspirar
É tempo de vida feia, de se morrer ou matar
De sonho cortado ao meio, de voz sem poder gritar
De pão que pra nós não chega, de noite sem se acabar
Por isso não me censure, se sou de pouco falar

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada minha não chore se nunca falo de amor
Nem se meu beijo é salgado, que é beijo chorado em dor
É tempo de vida triste, de olhar o seu com pavor
De mão pro último gesto, de olhar pra última flor
De verde que era esperança trazer desgraça na cor
Por isso amada não chore se nunca falo de amor

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A Lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada não vá embora se eu trouxe desilusão
Se aumento sua tristeza, tão triste a minha canção
É tempo de fazer tempo, de pegar tempo na mão
De gente vindo no tempo em passeata ou procissão
No mesmo passo de sonho pra bomba dizendo ?não!?

Amada não vá embora, mudou a minha canção!

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Pois criança vai ser homem porque a gente quer
A mulher vai ter seu homem porque a gente quer
Homem vai fazer seu sonho porque a gente quer
Vai ser tempo de ver lua e tirar rosa do pé

 
Agora, não há dúvida de que é importante ter um correspondente no local. Mesmo com uns acessos de literatice, a descrição do Sérgio Dávila sobre o massacre do mercado de Bagdá é mais impactantes do que qualquer coisa que pudesse vir por agências internacionais ou jornais, ambos de capital americano, por mais bem editadas que sejam aqui.

 
O problema com o Diário de Bagdá, da Folha, nem é de conceito - a idéia de dar uma panorâmica de uma cidade em guerra é até que legal -, mas de tamanho: fica-se com a nítida impressão que os repórteres não conseguem apurar o número de suficiente de notinhas (provavelmente pela marcação dura do pessoal da censura iraquiana) e acaba botando qualquer coisa que vêem, achem significativo ou não.

 
Bacana a auto-ironia do colunista do Informe do Dia: ele chama os petistas de barbudinhos e ele mesmo um barbudinho.

 
Tudo bem, eu disse que não ia falar, mas não quero decepcionar o Ali Kamel - de quem gosto tanto -, que claramente espera que alguém preste atenção à defesa que está fazendo da Doutrina Bush no Globo. Até que eu concordo com a idéia dele (e de um monte de gente, falando nisso) de que a ONU não vai morrer por ter sido desrespeitada pelos EUA. Mas o meu raciocínio (e do mesmo monte de gente) é que a ONU ganhou moral, e ainda pode se manter relevante, exatamente por não ter cedido à truculência do Império.

26.3.03

 
Um importante alerta da galera da FAIR para quem assina a Associated Press:


With citizens expressing their opinions on the war through marches and rallies across the country, many news outlets rely on the Associated Press
news service to help them cover these important manifestations of democracy. Unfortunately, AP has frequently used the terms "pro-war" and
"pro-troops" interchangeably-- a practice that distorts the views of anti-war demonstrators and contributes to the media marginalization of the
peace movement.

It's likely that the overwhelming majority of participants at peace events would describe themselves as "supporting the troops," in the sense of
being concerned for their well-being and hoping for their safe return. "Support Our Troops: Bring Them Home" is a popular slogan at peace
marches, which tend to criticize George W. Bush and other administration officials, not rank-and-file U.S. military personnel.

Nevertheless, AP and some other news outlets often use "supporting the troops" as a synonym for "supporting the war"-- and use "pro-troops" as a
shorthand to describe rallies and demonstrations that are, in many cases, explicitly pro-war events. "Pro-troops" is frequently used as the
opposite of "anti-war," as if the only way to be supportive of soldiers is to advocate their involvement in war on Iraq.

For example, the day after bombing of Baghdad began, the AP ran a story (3/20/03) under the headline "Anti-War, Pro-Troops Rallies Take to Streets
as War Rages." Another story (3/22/03), about pro- and anti-war activities, was labeled "Weekend Brings More Demonstrations-- Opposing
War, Supporting Troops." The clear implication is that those who call for an end to the invasion of Iraq are opposed to U.S. troops, as in the story
"Protesters Rally Against War; Others Support Troops" (3/24/03).

This tendentious usage shows up in the body of stories as well. "In San Francisco, at least three pro-troop demonstrators who attended the rally
were alternately yelled at and debated with by peace demonstrators," the AP reported on March 23. Another AP story (3/24/03) referred to "about
100 people-- half anti-war and half pro-troops-- [who] demonstrated on the Sagadahoc Bridge over the Kennebec River near Bath."

Other news outlets use the misleading formulation as well. "Perhaps you see police arrayed in riot gear keeping apart the pro-troop rally and the
anti-war rally," CNN's Jeff Flock stated on March 22. A Sacramento Bee story (3/22/03) reported that while pro-war activists "said those who
support the Bush administration have been less likely to stage large demonstrations because they are busy with the concerns of daily life,
there have been large pro-troop rallies held across the country"-- as if only those who back the Bush administration are friendly toward those in
the military.

 
Aviso: amanhã vou dar um tempo na análise do caderno de guerra do Globo, voltando, provavelmente, sábado (a não ser claro que veja uma besteira sem par ou um Esso barbada). Acho que já tá ficando meio chato.

 
O Centauro Enfronhado esclarece: a superexposição do companheiro Palocci hoje no Globo (depois notei que ele também estava na coluna da Helena Chagas) se deve a um agradável jantar na casa do diretor da sucursal de BSB, Dácio Malta, na segunda, apenas para "happy few".

 
E os pobres leitores do Informe do Dia continuam sem saber como é importante a Agenda 21...

 
Ah! O principal colunista do Globo não pediu desculpas pelo erro de conjugação do verbo intervir ocorrido ontem. No jogo de de respeito ao leitor, o Informe Econômico fez 1 a 0.

 
Aliás, Palocci fez barba, cabelo e bigode no Globo hoje. Além de brilha no Paneco, apareceu em três notinhas da principal coluna do jornal (todas positivas) e ainda teve uma participação especial na coluna da Tereza Cruvinel.

Bela ação de assessoria. Parabéns!

 
Boa a jogada do pessoal de comunicação do governo: promover um encontro de Dona Míriam com o companheiro ministro da Fazenda. Mesmo que não acabe a ojeriza da colunista ao governo petista - afinal, as raízes do sentimento estão num órgão particularmente sensível do corpo humano - pelo menos deve dar uma acalmada na torcida contra por um tempo.

 
Na boa, onde estão o Sérgio Dávila e o Juca Varella, enviados especiais da Folha? Se estão em Bagdá, como parece, o que raios é esse "Diário de Bagdá"? Onde estão as matrérias que mostram a guerra de verdade, como as que faz o Francisco Perigil, do El País? Se a idéia do tal diário é dar uma visão de como funciona um cidade sob bombardeio, e a se crer no que sai na Folha, então levar bomba na cabeça deve ser tão perigoso quanto morar em Jacarepaguá e ir tomar sorvete no Barrashopping...

 
Vamos à análise do "guerra de Bush" (título criticado pelo NYT, uau!!):

Pontos positivos

* Como já disse os quase 50% de material nacional ou produzido com nossa visão;

* Novamente a análise do Ronaldo Leão, que parece ter pegado o tom;

* A boa contextualizada do Renato Galeno sobre o que é a Guarda Republicana do Saddam;

* Matéria do Francisco Perigil, do El País. O cara sabe o que faz - o parágrafo de como ficou o prédio detonado está bem legal. Pena que, certamente pela pressão, não foi pontuada direito;

* Ah! Legal também a materinha sobre os kids que ficaram decpecionados com o fato de guerra de verdade não ser igual a dos videogames.

* Boa a entrevista da Deborah Berlinck com o ex-assessor do Saddam. Dá uma visão pós-guerra legal, assim como o box ao lado, vindo do NYT.

* Bacana o texto do Zé Meirelles sobre a Torre de Babel do Saddam, mostrando a escrotidão desse sujeito, que hoje é bombardeado pelos ex-amigos;

* O box da Cristina Azevedo com o presidente da CNN Internacional poderia ser melhor, certamente, se tivesse mais espaço, mas deu pra ver como os caras não têm argumentos para defender o que estão perpretrando.

* Boa contribuição do Toni Marques (que parece mesmo curado) com box sobre a Bechtel. Esta empresa, aliás, merece uma boa investigada porque ela esteve metida em boa parte das coisas esquisitas da diplomacia americana nos últimos 50 anos.

* Cristina Azevedo briha na contracapa com a matéria arrepiante sobre a guerra química. Parabéns!

* O artigo do Ali Kamel foi melhor do que o de ontem (pior seria difícil mesmo...), dando um contexto legal sobre o wahhabismo e o fundamentalismo islâmico. Mas não falou do perigo que é este grupo político-religioso como fez Demétrio Magnoli, editor da revista Pangea, na Folha há dias (veja aqui). Só esta análise permitiria mostrar se o tais fanáticos são mesmo perigosos, pois, a princípio, o fundamentalismo wasp de Bush e seu pessoal é bem mais perigoso do que o dos beduínos do deserto da Arábia. Enfim, Ali ainda terá não sei quantas colunas para provar a sua tese de que Little George é um bom sujeito, está certo e é vítima de um clamorosa injustiça da opinião pública mundial, coitado...

Pontos negativos

* A matéria do Zé Meirelles sobre a "verdade como vítima de guerra". Não acrescenta nada ao que já fora dito antes.

* A página 9 me pareceu requentada. Acho que li as duas matérias (aqui e aqui) em outros lugares antes...

No fim, como se vê, mais uma bela edição, embora sem as matérias brilhantes de ontem.

 
Estou começando a me preocupar com a minha fama de mau... O grilo vem do fato de que, pela segunda vez seguida gostei da edição do caderno sobre a guerra do Globo. Sim, não acho que tenha atingido o nível altíssimo de ontem, mas a de se convir quem nem Michael Jordan no auge fazia 50 pontos por noite. Ainda assim, foi o caderno digno dos profissionais que o fazem pelo equlíbrio e que trouxe uma novidade que para mim aponta para um caminho: o uso das próprias pernas do jornal.

Eu contei: são 31 textos, sendo 15 feitos por profissionais do Globo. Foi do que mais gostei do caderno de hoje - a preferência pela "prata da casa" (incluindo aí os correspondentes). E acho esta opção legal não por xenofobia, mas porque, creio, seja algo que deveria entrar nos planos estratégicos não só do Globo como de outros jornais grandes do país. É que, se você olhar bem, o único setor em que o governo do Eleito acertou 99% foi na área externa. E por que? Porque o PT sabe que, para sobrevivermos econômica e politicamente no Século XXI, vamos ter que entrar num jogo mais alto, bancando a idéia de sermos imperialistas aqui na nossa área. Era o que devíamos ter feito lá pelo meio do século XIX: depois de massacrar os paraguaios, devíamos ter aproveitado o embalo e ido jogar os chilenos no mar, garantindo uma praia (e um porto) no Pacífico. Um lero com a Inglaterra, alertando sobre as potencialidades dos EUA, teria feito com que o pessoal do Almirantado nos desse as bençãos da Rainha Vitória. Vacilamos, babau.

Uma outra janela - menorzinha, mas ainda assim clara - apareceu agora com a maluquice dos americanos quererem dirigir cada esquina do Hemisfério Norte olhando pro rio Potomac. Como a América do Sul está para os americanos como São Gonçalo está para quem mora em Florianópolis - até pode saber da existência, mas não tem certeza de onde é, não conhece ninguém de lá e também não se interessa muito a respeito - o caminho fica um tanto livre, ainda mais agora que a Argentina virou uma sombra que só vagamente parece um país, sobrando apenas o Chile e a Venezuela para fazer frente à gente. Ou seja, dá pra levar.

E os jornais com isso? Bom, diante deste quadro, conviria aos grandes jornais brasileiros, eu creio, ir, gradativamente, investindo mais nas editorias de Inter, a fim de se preparar para os novos tempos. Não precisa ser nada grandioso e nem rápido. Tomando o Globo como exemplo, este poderia assinar material de jornais mais diversificados geográfica e ideologicamente. Exemplo: pra que assinar NYT e Washington Post/Los Angeles Times? Eles vão dizer a mesma coisa - com uma ou outra variaçãozinha de tom - como se está vendo agora com toda a clareza. O lance seria assinar um e dar força aos correspondentes, talvez botando mais um na Costa Oeste, até para aliviar a carga do pobre do Zé Meirelles, e pautando mais de perto o Toni (ou quem vier depois dele).

Na Europa, por que não assinar um outro jornal, além do El País? Le Monde ou Guardian/Observer, por exemplo (pra mim, no momento, o primeiro seria melhor devido ao Complexo de Asterix dos gauleses). Aliás, pra quê o Daily Telegraph, meu Deus? Não acrescenta nada. Mais uma vez, toda força aos correspondentes e stringers, aproveitando o nível alto de todos lá. Aliás, escolher o Monde seria mais legal também porque na Inglaterra - salvo engano - estamos mais bem servidos de coleguinhas brazucas - Cláudia Silva, Silvia Salek e o resto do povo do serviço brasileiro da BBC - além da galera que vai lá estudar todo o ano.

Uma outra jogada seria a assinatura de um jornal mexicano que cobrisse bem o país, a relação deles com o Império além-Rio Grande e - importante - os cucarachas da América Central. Aqui no Sul, poderia ser mantido o esquema atual de atenção ao exangue país do Maradona, com um olhinho aberto no Chile e na Venezuela.

Bom, acabei derivando...Comento mais a edição de hoje da "guerra de Bush" em outro post.


25.3.03

 
A FAIR mostra os erros mais grosseiros desses primeiros dias de cobertura da guerra pela mídia imperial americana, com o caso dos Scuds que não eram e a incrível fábrica de armas químicas que se evaporou.

 
Marcelo Soares começa a colaborar com o Knight Center of Journalism in the Americas (aquele centro de estudos em que meu ex-professor Rosenthal Calmon Alves leciona e cujo sítio entrou na relação de links), fazendo matérias sobre a nossa mídia. O gaúcho Marcelo já trabalhou na Folha e frila também para Carta Capital, Expressão e outras publicações.

 
Mais uma boa e comedida - e neste caso até esperançosa - análise de Luís Nassif.

 
Um ponto importante negligenciado no excelente caderno do Globo sobre a guerra é apresentado pela Folha.

 
Pois é. A Folha lembrou que nem só de televisão vive a mídia americana (e dos outros países também): tem os jornais.

 
Boa lembrança do Nélson de Sá, na Folha:

A maior aliada de Bush e equipe, na guerra de propaganda, é a News Corporation, de Rupert Murdoch.
Foi a Fox News, parte da News, que deu o "furo" da descoberta de uma fábrica de armas químicas pelas forças anglo-americanas. A informação era questionada ontem por CNN e NBC. A fábrica teria sido abandonada há anos.
Mas a verdade sobre as armas não é o que importa -e sim o efeito que as notícias teriam, em dois dias tão ruins para a causa anglo-americana.
Ela sim uma arma, a rede de emissoras do australiano naturalizado americano Rupert Murdoch se estende pelo globo e só faz crescer.
A Fox News passou a CNN em audiência nos Estados Unidos e avançou suas transmissões pela América Latina.
A Sky News, a emissora da News para a Europa, também já vence a BBC na Grã-Bretanha. Na cobertura da guerra, passou dos 9% de audiência, contra 2% da BBC News 24.
E vem aí a Star News, uma versão da Fox News e da Sky News para a Ásia. Murdoch programou o lançamento para o início de abril -a tempo de pegar a guerra.


Também só pra lembrar: Murdoch tem 100% da Sky Brasil e, até a última vez que soube, conversava com os Marinho para ficar com a maioria da NET.
Ah! E foi ele a inspiração para aquele bilionário da mídia megalomaníaco de um filme recente do James Bond (não me lembro o nome...)

 
Mais uma matéria com validade vencida no Informe do Dia:


Mão na cumbuca
O Governo Lula quer porque quer ter ingerência sobre as agências reguladoras federais, cujos presidentes, eleitos na Era FH, ainda cumprem mandato.

A deputada Telma de Souza (PT-SP) apresentou projeto que amplia o controle sobre essas agências. No caso da de Energia (Aneel), o ministério deve aprovar previamente as tarifas.


O projeto foi apresentado semana passada e noticiada na maior parte dos grande jornais com destaque.

 
Do Informe do Dia:

Nomeação

A ex-candidata a governadora pelo PV Aspásia Camargo agora é subsecretária na Secretaria de Integração para cuidar da Agenda 21.

O mistério é saber para que servirá a tal Agenda 21!


Dá vontade de chorar de vergonha de como alguém pode trabalhar na profissão sendo tão desinformado. A Agenda 21, resumindo à beça, é um plano da ONU para estudos sobre modelos de desenvolvimento sustentável. Meu Deus! É só ir Google e digitar "Agenda 21" (assim mesmo com aspas)! Vem lá um monte de sítios, sendo o primeiro o da ONU sobre o assunto, em inglês. Mas como aí é pedir demais, aqui vai um em português, que fica no site do Ministério do Meio Ambiente.

Será que não se tem mais vergonha de própria incompetência? Será que agora é "muderno" gritar ao mundo que se é ignorante? "Eu envelheço, eu envelheço", como dizia o poeta.

E com gente tão boa por aí procurando emprego...

 
O outro ponto negativo da edição de hoje do caderno do Globo, na verdade, é o início de um, mas pode mudar: a primeira de uma prometida série de análises de Ali Kamel sobre o conflito. O articulista avisa que vai usar a História para, entre outras coisas, defender as razões de Bush II atacar o Iraque. Só que começa mal:

1. Comparar o Iraque de Saddam com a Alemanha pré-nazista é uma brincadeira! Os alemães tinham sido derrotados na Primeira Guerra, mas a casta militar - incluindo os instrutores, uma força desde dos tempos de Bismarck, e um monte de vetaranos de guerra -, o sistema educacional, a capacidade de pesquisa científica, a unidade nacional e a posição geográfica (no centro da Europa!) continuaram intactas. Tudo bem, teve a hiperinflação, mas na época da eleição de Hitler era já não era um fantasma, embora a situação econômica fosse péssima. Aindan assim não dá pra comparar com um país depauperado por 12 anos de embargo comercial, faminto, pobre, e dividido racial, social, histórica e fisicamente. Não tem jeito: o Iraque não era uma ameaça nem aos seus vizinhos, quanto mais ao EUA e ao resto do mundo.

2. A valer o raciocínio de que todo o governo que seja acusado de ajudar a Al Qaeda (mesmo sem provas, como os próprios americanos admitem, veja a matéria do Toni Marques hoje) - ou então que possa potencialmente fazê-lo - deve ser atacado pelos EUA, não vai sobrar um país islâmico no mundo. E o próximo da lista deveria ser a Arábia Saudita que, comprovadamente (pelos próprios servicos secretos americanos), financiou a organização de Bin Laden, que, aliás, é saudita, como também eram a maior parte dos atacantes do WTC.

Vamos ver se o Ali melhora na próxima.

 
O caderno sobre a guerra do Globo de hoje é de guardar para análise em sala de aula. É praticamente perfeito. (Ahá! Peguei você, que ainda crê que tenho má-vontade com o jornal do qual sou assinante!! :)) )

E o que fez o Globo hoje de diferente dos outros dias? Simplesmente procurou dar outras visões que não apenas a dos americanos, isso sem as esquecer. A medida, simples e eficaz, para atingir este objetivo foi mesclar, com classe e competência, as matérias do El País, da Espanha, dos jornais americanos (em especial o NYT) e até as maluquices da mídia iraquiana (só um pouco mais rídiculas que as das cadeias americanas de TV). Se assinarem o material do grupo do grupo Guardian/Observer e/ou do Le Monde, então viraria massacre.

Parabéns, meu povo! Tá vendo? Quando está a fim, o Globo consegue ser realmente um jornal de alto nível, melhor, na minha opinião, do que a Folha, por ser mais honesto: quando é conservador, não tenta mostrar que é o contrário; quando é reacionário também. Profissionais para fazer um grande jornal todos os dias, a empresa tem.

Tô tão feliz que vou começar por um dos dois pontos negativos de hoje (o outro precisa de post separado):

Eles são cruéis e primitivos, além de dispensar uma fidelidade canina a Saddam Hussein. Pô, Zé Meirelles! E as tropas especiais dos EUA são o quê, hein?

Agora vamos à enxurrada de coisas legais:

Capa: Equilibradíssima (portanto, excelente), com a descrição do dia de ontem, incluindo a história maluca do cara derrubando um Apache com um tiro de espingarda. Hilário! A próxima vai ser a virada de um tanque na mão...

Página 2: Panorâmica que mostra que os americanos vão ganhar a guerra, mas vão sangrar muito até vencer e, muito provavelmente, depois também. O toque do Ronaldo Leão dizendo que o Apache derrubado era da antiga divisão do General Custer é uma gostosa cereja de bolo.

Página 4: Toni Marques, parece que recuperado do surto de milicianismo, faz matéria equilibrada com um reaganista que dirige uma ONG apartidária (rárárá, como diria o Simão) e defende a estratégia do Bush, apesar de admitir que ele está mentindo ao ligar Saddam a Al Qaeda. Matéria legal para ver como funciona a mente de um patrício do Império Americano.

Página 5: Bela matéria de Francisco Peregil, do El País, sobre o sofrimento em Bagdá. Jornalismo pra ninguém botar defeito, valorizada pela edição sem firulas.

Página 6: Outras duas matérias bacanas - a de Samia Nakhoul, da Reuters (sobre as dificuldades dos coleguinhas para trabalhar em Bagdá), e a do nosso Zé Meirelles, que inicia aqui sua recuperação da página 3, sobre a angústia da OMS e da Cruz Vermelha com o caos em Basra.

Página 7: Materinha mais ou menos sobre a questão do "mostra-esconde" prisioneiros. Boas são duas matérias sobre o militar americano muçulmano que detonou os companheiros da famosa e decantada 101ª Aerotransportada. Boa sacada a pesquisa, assinada pelo Toninho Nascimento, sobre o "Band of Brothers".

Página 8: Importante box com a coluna de William Safire. Mostra melhor do que a matéria do Toni como é a cabeça de um patrício do establishment imperial. O cara não admite que a Turquia - como não admitiu com a França e a Alemanha - tenha interesses próprios, diferentes daqueles do Império do qual ele faz parte. Super-interessante do ponto de vista jornalístico, psicológico, sociológico e antropológico.

Página 10: Mais uma dentríssima da parceria com o El País, a análise sobre o papel ridículo - e gloriosamente desmistificador - da mídia americana neste massacre. A matéria do Marqueiro faz bom contraponto, mas é o box do Zé Meirelles que rouba a cena: pra mim foi a melhor coisa do caderno de hoje. Infelizmente, não achei o link pra botar aqui...:(





 
Da principal coluna do Globo:

Fator Solange

A presença de Solange Vieira de Paiva no comando da Telos, fundo de pensão da Embratel, preocupa os fundos de estatais.

Dizem que a Telos começa a atuar sozinha, enfraquecendo os fundos.

A má vontade com Solange vem do tempo em que ela era secretária de Previdência Complementar e interviu em nove fundos.


Ao que parece, de nada valeu aquela autoflagelação do Informe Econômico outro dia. De uma vez por todas, o verbo "intervir" se conjuga como verbo "vir" e não como o verbo "ver", ok?

24.3.03

 
O Jornal da Band disse que o discurso choroso do Adrien Brody foi mais impactante do que o tonitroar do Michael Moore, que parecia mesmo ter sido encavalado por São Miguel. Bom, só se foi em São Paulo, pois aqui no Rio só ouvi comentários de admiração sobre as palavras do gordão. Vamos ver o que dizem os jornais amanhã.

 
A Auto Press, revista especializada em automóveis editada pela Carta Z, pôs em seu site (www.autopress.com.br) a íntegra do livro Auto Press 10 Anos - Uma década a bordo - Panorama Automotivo Brasileiro 1993-2002, obra comemorativa da primeira década de existência da publicação.

 
A querida Tânia Malheiros, que está mesmo investindo em sua porção cantora, estréia na sexta, dia 28, no Dama da Noite (Rua Gomes Freire, 773, Lapa), tendo no repertório Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Wilson Moreira e Nei Lopes, entre outros bambas. Tânia será acompanhada por Guaracy 7 Cordas e Serginho Procópio (cavaquinho), ambos da Velha Guarda da Portela; e Marco Basilio, Paulinho Supira e Mauro Passarinho (percussão). O show começa às 22 horas, mas a casa abre ao público três horas antes.

 
Uma versão anterior da matéria sobre o livro "Clube do Bangue-Bangue", que saiu no caderno de guerra do Globo, pode ser lida aqui. Também foi escrita por Dorrit Harazim e publicada em 2 de fevereiro de 2001 no finado no. .

23.3.03

 
Mais uma vez, a liberdade de imprensa (se é que ainda se pode falar disso) fica em dívida com a Al Jazeera.

 
Mea culpa! Mea culpa! Mea maxima culpa! O ping-pong com Noam Chomsky, que elogiei outro dia aqui, foi feito pelo Renato Galeno e não por Ricardo Galeno. Putz! Demoro tanto a elogiar alguma coisa do Globo e quando o faço, erro! Desculpa, viu, Renato?

 
Centauro sábio e enfronhado afirma que a empresa Sócio Dinâmica Aplicada perdeu mais de metade de seus clientes da eleição presidencial para cá.

Gincana: por que a nota acima está aqui, num blog de jornalismo, para jornalistas? Pergunta dfícil, mas a dica para resposta pode ser encontrada neste sítio.

O prêmio para quem acertar é uma viagem virtual ao país que foi considerado o melhor aluno do FMI nos anos 90, a Argentina (Sim, isso também é uma dica!).

 
Folha de São Paulo e Veja lideram folgadamente a disputa pelo título de veículo de comunicação que mais torce contra o Governo Lula. A Folha ganhou ainda (como o Globo) um reforço de primeira grandeza hoje: o Companheiro Gaspari, retornando de suas estratégicas férias (que atingiram precisamente o objetivo, aliás...) com a corda toda em seu udenismo reciclado.

A votação termina esta semana! Ainda dá tempo!

 

Ainda no caderno de guerra do Globo, boa a tentativa da Dorrit Harazim de fazer os fotojornalistas de guerra um tipo de herói moderno. Mas ficaram sem resposta três perguntas: o que eles fizeram com o dinheiro dos prêmios que ganharam? O que fizeram com o aumento que receberam com a valorização profissional proveniente desses prêmios? O que farão com a grana que ganharão com o livro "Clube do Bangue-bangue"? Se doaram 50% dos prêmios, dos aumentos de salários e dos direitos do livros para instituições de órfãos de guerra ou pacifistas são heróis mesmo. Caso contrário, são abutres.

 
Comentários sobre o caderno de guerra do Globo de hoje (bem, quem mandou pedir pra eu olhar?...). A edição de hoje foi bem melhor do que a de ontem, mas, mais uma vez, graças a matérias que pareciam "frias", como as entrevistas com Saramago e Joseph Rotblat. Em compensação, fiquei muito triste com a matéria da página 11: pensei que coisas como essa não existiam mais num jornal sério. Mas vamos aos pontos positivos e negativos.

Positivos

Matéria com Saramago: para mim matéria com José Saramago é sempre ponto positivo.

União forjada nas guerras: matéria brilhante, da concepção à realização. Esse tipo de trabalho é que, em minha opinião, pode fazer diferença em jornais hoje em dia - aprofunda e abre outros ângulos de reflexão. Parabéns ao Flávio Henrique Lino e a quem mais tiver participado da matéria.

Uma guerra de duração incerta: para contrabalançar a página 3 (ponto negativo abaixo), matéria das correspondentes na Alemanha e na Inglaterra com analistas europeus, botando os pingos de sangue nos devidos is. Uma boa matéria não só por relativizar as matérias que vêm da mídia subsidiada dos EUA, como por botar em campo as correspondentes de quem esperava maior participação (queria ver também participando Paris, Roma, Madri e Lisboa). Ah! E pelo que se viu hoje, parece que as coisas não vão ser tão fáceis como afirmavam os americanos e era considerado duvidoso pelos analistas consultados pelo Globo. Tá vendo como bom jornalismo funciona? Parabéns à Graça Magalhães-Ruether, à Cássia Maria Rodrigues e a todos os envolvidos na página.

Rotblat: Na mesma página, outro gol: a entrevista com o Nobel da Paz Joseph Rotblat, feita pela Graça.

Outra matéria bem cavada, a de que o Iraque quase teve o míssil brasileiro Piranha. Quase não é ter, poderá argumentar você, mas a matéria mostra o quão próximo estivemos do governo de Saddam, mesmo após eles terem tungado a gente do megacampo de petróleo de Majnoon, descoberto pela Petrobrás. Sem contar, aliás, aquela famosa (graças à Tânia Malheiros) operação de venda de material nuclear aos iraquianos lá pelos fins dos anos 70. Como tudo isso deu errado, a gente tem que dar um certa razão ao Cacá Diegues: Alá é mesmo brasileiro. Parabéns à dupla "essável" Chico Otávio e Bernardo de La Peña.

Tia, tem guerra pra quê?: materinha simpática, não muito criativa como pauta, mas sempre bem-vinda. E feita com evidente carinho pela especialista em Educação Ediane Merola.

Negativos

Título da primeira página do caderno: "Rumo à Bagdá"? Pô, fica bem NY Times, pro Washington Post...Para um jornal brasileiro pega meio mal, não? Não tem brasileiro nenhum indo pra Bagdá por vontade própria agora, né? Dá um tempo (ou "gimme a break", para ficar mais ao gosto...)

Medo e alívio com a chegada das tropas: Tudo bem que vem lá a assinatura do NYT, mas, cacete!, não dava pra relativizar isso não? Se não, não tinha outra matéria pra botar que não fosse essa, que parece ter saído de escritório de propaganda da CIA? Valia, no máximo, um pé de página e pra fechar buraco. Nunca a 3.

Meu Deus! Alguém tem que ir buscar o Toni Marques! A escolha de frases do quadrinho foi feita sob medida para sacanear os pacifistas. Ele - ou quem tenha editado - deve também ter pegado algumas do NSI, aquele serviço de segurança interna ianque.

Agora a coisa realmente desagradável desta edição: a matéria As 'Jane Fonda' da guerra de hoje...Confesso que há muito tempo, que eu me lembre, não via uma prova tão grande de covardia moral impressa como esta matéria. O redator procura sacanear todos os artistas que tomaram posição contra a guerra nos EUA. Para atingir seu objetivo, o redator não hesita em, cinicamente, desinformar e distorcer fatos, insinuando, por exemplo, que Michael Moore começou a criticar o governo americano depois que Bush assumiu. Se este redator - que covardemente não assinou a matéria, embora o espaço para a assinatura estivesse marcado lá, bonitinho - não sabe, Moore dá porrada no governos dos EUA desde a época do Clinton - e o documentário "The Big One", de 1997, que mostra como foi a turnê de lançamento do livro "Estúpidos Homens Brancos" é uma prova. Documentário esse, aliás, que foi exibido no GNT. Martin Sheen também não tem que se candidatar a nada, pois é um defensor das boas causas pelo menos desde "Apocalypse Now!", o mesmo se aplicando, mais para cá, para Danny Glover. O que o redator que escreveu esta lamentável matéria não entende é que há gente com fibra moral para falar no que acredita e defender seu ponto de vista assinando embaixo, apesar das pressões, sem se esconder num cinismo pusilânime que nem ousa assinar o nome.

22.3.03

 
Pô, Tereza Cruvinel! Flecha é assim, com ch e não com x!

 
Ah! E teve uma outra coisa hilária no caderno de guerra do Globo: a Janaína Figueiredo entrevistando o vice da Venezuela. A irritação da moça deve ter sido muito engraçada de se ver. Como você deve se lembrar, Janaína só faltou pegar em armas para ajudar na tentativa de golpe contra Hugo Chavez, em abril de 2002.

 
Amigo manda emeio reclamando: "você esculhamba bem à beça, mas não elogia o caderno e, sobretudo, a admirável postura política do globo na cobertura da guerra. o caderno deles tá show de bola!!!".

Realmente, não vi o caderno porque acho esta "guerra" de Bush, o Moço, uma das coisas mais lamentáveis do Século XXI, que apenas começou, e, francamente, estou mais preocupado com as batalhas que posso ouvir da minha janela (aquela coisa da faculdade: o acidente de carro em que o filho do vizinho quebrou as duas pernas é mais importante que a queda de avião na Indonésia). Mas diante do entusiasmo do meu amigo (embora ele se entusiasme facilmente pelas coisas do Globo...), fui dar uma olhada.

O caderno de ontem estava muito bom mesmo, embora as melhores matérias parecessem ser frias - carta do Michael Moore (alô, povo do Estação! Já passou muito da hora de trazer os documentários desta grande figura, em vários sentidos, para cá!), a entrevista com o Jack Lang e a pesquisa sobre as guerras dos americanos. Hoje, no entanto, houve, ao meu ver, uma queda acentuada na qualidade, com matérias previsíveis e aquele monte de gráficos que não dizem muito a respeito de nada, embora pareçam estar cheios de informação. Os destaques, na minha opinião, foram negativos:

1. A manchete do caderno tinha que ser "Massacre americano" - ou algo do gênero - e não "Fúria americana", né? Bombardear uma cidade praticamente indefesa e ainda comemorar isso como o maior bombardeio da História é de deixar enojado qualquer ser que se ache humano, mesmo que vagamente. Que Rumsfeld diga isso, tudo bem - ele não é humano mesmo -, mas que jornais brasileiros não assumam uma postura de revelar a monstruosidade, aí é meio demais, não é? Além disso, nas minhas contas, não é o maior bombardeio da História não: o maior ainda é o de Dresden, em 1944: a cidade era ainda mais indefesa (não tinha uma única bateria antiaérea) e morreram 250 mil pessoas. Tamanho de ataque, pra mim, se conta pelo número de mortos (especialmente civis) e não pela tonelagem de bombas jogadas. Mas admito que esta é uma maneira de encarar por demais humanista.

2. Toni Marques - Se continuar como hoje, tem que ser resgatado rápido, antes de se naturalizar, mudar pra Montana e entrar em alguma milícia que ache o Bushinho moderado. Fez uma pergunta ao um líder pacifista americano que precisei ler três vezes para acreditar que não estava vendo coisas: Mesmo com as manifestações que resultaram em milhares de detenções, o movimento nas ruas dos Estados Unidos é em geral menor do que os protestos na Europa. Isto não é estranho?. Conhecendo o patriotismo babaquara dos americanos, estranho é se fosse o contrário, né?

3. Ronaldo Leão - o "analista de defesa" conseguiu algo incrível: me fazer rir apesar do engulho. Tentando parecer politicamente correto, escreveu coisas hilárias como não é crítica, nem elogio, mas constatação: o ataque de ontem das forças da aliança anglo-americana sobre Bagdá estabeleceu novos padrões para a guerra, e quando se leva em conta que a tecnologia das bombas inteligentes já está disponível para 40 países se conclui que a abertura desta 'caixa de Pandora' prenuncia dias mais terríveis ainda em tempos de guerra. O cara quer convencer o distinto público que um analista de guerra é contra a guerra! É tão absurdo quanto se aqueles analistas financeiros que pululam nas páginas de conomia dissessem que são contra os juros altos, garantia dos bônus que os levam (e à família) a Paris todo o ano.

Para não dizer que não houve coisas boas na edição de hoje, vale o registro da frase de Patrícia Eloy: na lógica desumana do mercado, a intensificação dos bombardeios no Oriente Médio seria positiva, porque alimenta a crença de que a guerra acabará rapídamente. Pela primeira vez, vejo escrito o óbvio na grande imprensa brasileira (e não só no Globo): o mercado é desumano e, portanto (concluo eu), não é racional, pois a racionalidade, característica que diferencia (ria) os humanos dos animais, não poderia aceitar ir contra o humano, certo?

O quê? A matéria da Patrícia está na Economia? Mesmo? Então o que fazia o Paul Krugman falando do déficit fiscal americano no caderno de guerra? Eu hein...

21.3.03

 
O Grupo Estado apela mesmo quando o negócio de vilipendiar a esquerda. Olha só a matéria que saiu hoje no Jornal da Tarde. Parece do Hora do Povo, não?
E preste atenção às assinaturas. Pelo menos os "repórteres" não usaram pseudônimo...

 
Poderosa entre homens e elfos notou coincidência interessante: durante três seguidos (desde quarta), o principal colunista do Globo publicou notinhas sobre o candidato derrotado (sempre se referiam assim ao Eleito, portanto...) José Serra: hoje foi sobre o convite da Folha; ontem sobre om aniversário, e anteontem sobre uns estudos que ele está fazendo.

A enxurrada de notas tinha me passado e é nessas horas que me pergunto: onde estaria sem minha "equipe de repórteres"? ;)

 
Também do Informe do Dia:

Sumiço

O rapaz Arnon Afonso de Mello anda amoado com o paizão, Fernando Collor.

O menino foi candidato a deputado federal por Alagoas, e não se elegeu. Mas recebeu muitos recursos para sua campanha, que se evaporaram.


Amoado?!! Não seria amuado, não?

E o pior é que se pode ler na nota de abertura da coluna de hoje:

(...)O ideal é apostar que, quanto mais gente se preocupar em defender o nosso velho e surrado português, melhor.





 
Mais uma nota com validade vencida no Informe do Dia:

Boa nova
A Petrobras - a maior estatal do País - foi liberada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para fazer investimentos sem se preocupar com metas de déficit primário.

Isso tem nome e sobrenome: desenvolvimento e geração de empregos.


O orçamento de 2002 da estatal já não contava para o déficit primário contabilizado pelo Fundo.

Isso também tem nome: desinformação.

 
O comunicador Haroldo de Andrade acertou o arrendamento da Rádio Mauá ("Mauá! Mauá! Mauá! Mauá! Mauááá!"), que passará a se chamar Rádio Haroldo de Andrade.

 
A M&M informa ainda que a Investnews, pertencente à Gazeta e à Portugal Telecom, será transformada numa agência com foco em finanças&mercados e empresas&negócios. A ação de transformação será lançada no dia 27 próximo.

 
A briga entre os indigitados Nélson Tanure e Luiz Fernando Levy prossegue renhida. O JB, pertencente ao primeiro, teria conseguido o arresto do call center da Gazeta Mercantil, (ainda) de propriedade do segundo. Tanure cobra R$ 2,2 milhões de Levy na Justiça por conta de promissórias não honradas pela Gazeta. (Meio & Mensagem)

 
Belo artigo de Nicolau Sevcenko, na Folha.

 
Rapaz e moça, palavra que não entendo os critérios editorais vigentes nos jornais. Hoje, na página 19 do Globo, o assunto cotas tem menos espaço que a demissão da Luma do cargo de madrinha da bateria da Viradouro e uma briga de vizinhos por causa de gatos. Tudo bem que a Luma é bacana à beça, mas, caramba, o debate sobre as cotas é um dos que vai definir o futuro do Bananão (até se ele vai continuar sendo Bananão ou não) para muito depois de a mulher do Eike Batista ter virado pó no jazigo da família.

 
Aliás, Dona Míriam bem que poderia fazer como os petistas e realizar uma autocrítica. No caso dos ataques que fez à Petrobras, empresa que ela queria porque queria ver privatizada. Na coluna de hoje, ela elogia a estratégia da estatal, como se não a tivesse criticado acerbamente durante anos.

 
Tá lá no principal colunista do Globo (afinal uma nota relevante!): José Serra deve escrever pra Folha e Malan está estudando convite para também cometer colunas. Irão de juntar ao Luiz Carlos Mendonça de Barros nas críticas às tentativas do Eleito de reconstruir o país destruído por eles. E também irão diminuir a solidão de Dona Míriam na tarefa.

20.3.03

 
Mais uma prova da aparente inevitabilidade histórica do jornalismo tribalista está no blog da Tia Cora.

 
O marrento Juca Kfouri, a Folha e a TV Cultura estão ameaçados de morrer numa grana. Os três foram condenados, em segunda instância, pela Justiça de São Paulo a pagar 200 salários-mínimos (R$ 60 mil) cada ao juiz Marcos Gozzo porque o jornalista fez, em 1996, uma gracinha com o sobrenome do magistrado ao criticar o fato de ele não ter aceito fita oriunda de grampo ilegal como prova de acerto entre os árbitros Wilson Cattani e Marcos Fábio e o então dirigente do Botafogo-SP, Laerte Alves (no que, cá pra nós, tinha toda razão). Os três réus podem recorrer ao STJ e depois, se for o caso, ao STF.

 
Não apenas eu estou pessimista com os rumos da mídia. O Nassif também tá down.

 
Veja aqui porque o conceito de liberdade de imprensa é que nem o personagem principal daquele filme, "Morto muito louco" (fins da década de 80, lembra?)

 
Cara, é preciso ter muita paciência pra aguentar a Dona Míriam. Não sei como o Kotscho consegue...Hoje, ela está em grande forma manipuladora, como se vê abaixo:

1. Contar como "contras" os 30 ausentes do encontro da Executiva do partido pega até mal para quem tem como uma das ferramentas básicas de trabalho a máquina de calcular. Se apenas três dos ausentes não puderam ir por motivos supervenientes - perda de vôo, filho doente, gripe - muda-se a contabilidade de Dona Míriam em nada menos de 10%. Mas mesmo usando as contas cabulosas da colunista, o número apontado por ela quer dizer que dois terços do PT apóia o que está sendo feito. E, de qualquer ângulo que se olhe, dois terços é maioria absoluta;

2. Confundir força na Executiva com peso na bancada é de uma ignorância política que chega a constranger. Como já foi dito, redito e demonstrado, os tais radicais só têm três parlamentares certos - o Lindberg, o Babá e Luciana Genro. Nem a Helô está mais reclamando tanto por ter entendido que fora do PT é o abismo para ela e outros. Ou seja, dos 92 petistas da Câmara, o partido pode contar com o voto de 89. Nem o PSDB de Dona Míriam teria um índice de fidelidade deste. E nem força na Executiva os tais radicais têm: eles são mesmo uns 25% ou 30% dela.

3. Quer dizer que o PT tem mudado muito a sua prática e isso está fazendo Dona Míriam duvidar do partido? Mas no domingo passado mesmo a colunista saudou a mudança do partido no campo econômico...Como é que pode? Acho que a explicação para esta absurda discrepência está na passagem de José Serra pelo Brasil. Tenho quase certeza de que rolou um "centralismo democrático" pra cima da colunista, cuja memória deve ter sido refrescada sobre com quem ela tem compromissos.

19.3.03

 
Não elogiei ainda, mas acho que está em tempo, o bom ping-pong de Ricardo Galeno com Noam Chomsky. O mais interessante é que, em menos de uma semana, é a segunda vez que este grande ativista pró-Humanidade ganha espaço no jornal, algo que, pelo que posso me lembrar, nunca tinha acontecido.

 
Para quem ainda acha que eu pego pesado quando analiso jornais, revistas, TVs e rádios é bom dar uma olhada neste artigo da brava (no bom sentido) Cláudia Santiago, do Núcleo Piratininga de Comunicação.

 
Mais uma da série "observações irrelevantes". "Chororô" não é encontrado nem no Aurélio, nem no Houaiss, com esta grafia ou como "xororô". A palavra é achada, porém, com a primeira grafia, no Dicionário de Usos do Português do Brasil, de Franscisco S. Borba (Ed. Ática). Também não é encontrada na edição de bolso do Vocabulário Ortográfico da ABL, e como não está nos nossos maiores dicionários, é muito provável que não esteja no Vocabulário completo também, pois ele é o guia tanto do Houaiss como do Aurélio. Ou seja, tecnicamente a palavra não consta da língua portuguesa. Para você ver como dicionário é bacana, mas normalmente está muito atrás da língua real.

 
Seria legal você ler este artigo de Michael Hardt, publicado hoje na Folha. Mas seria ainda mais legal se você lesse o livro "Império", que ele escreveu com Antonio Negri. Nele se tem uma visão bem original da situação geral em que estamos metidos hoje em dia.

 
Olha só que interessante coincidência: a coluna de Dora Kramer (JB e Estadão) fala de Segurançca Pública com Luiz Eduardo Soares, exatamente como a Tereza Cruvinel. Veja aqui

 
Entrando também na onda da autoflagelação, o Informe Econômico pede desculpas ao distinto público:

Mea maxima culpa

O colunista atropelou o idioma ontem com um ''interviu''. A ministra Dilma Rousseff não interveio nas tarifas de energia elétrica. Desculpas aos leitores pelo curto-circuito.

 
O Informe do Dia pede desculpas por uma falha:

Pingos nos is

Esta coluna tropeçou ao grafar a palavra chororô com ?X?.
Muito leitores nem perceberam, mas é uma agressão ao idioma, pela qual pedimos desculpas.


Belo passo adiante! Parabéns! Agora é esperar que erros de informação e venda de notas velhas como se fossem novas também mereçam pedido de desculpas.

 
Outra notinha do Informe do Dia que pode provocar seqüelas graves por conta da antigüidade do conteúdo:

Preservação
O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, anda falando grosso com o lobby de fornecedores americanos e japoneses de tecnologia de TV Digital.
Estão de olho num mercado de US$ 8 bilhões. Miro quer esse quinhão para empresas com tecnologia nacional.

Ah! E Miro não está falando grosso só com americanos e japas não. Os europeus estão na parada também com seu sistema, o DVB.

 
A praga das notas com prazo de validade vencido se espalha mais rápido que a da "pneumonia misteriosa". Essa é do Informe do Dia de hoje e tem quase cinco anos de vencimento:

Meu gaaaroooto...

Uday Hussein, filho mais velho do ditador iraquiano, ? esse que anda falando em guerra sangrenta na TV ? é um rapaz muito genioso. Em 1998, a seleção iraquiana foi derrotada pela do Cazaquistão e acabou não disputando a Copa da França. Quando o time chegou a Bagdá, o tresloucado Uday mandou prendê-lo. Todos tiveram a cabeça e o bigode raspados e receberam porretadas na sola dos pés.

 
Lembra aquele elfo esperto que afirma não é só a legislação e a polícia que estão defasados quando se trata de crime organizado - nós também estamos devendo? Pois a prova está hoje no Globo: os textos com amplidão de horizontes, pegando questões de fundo, são as colunas de Tereza Cruvinel e Helena Chagas (mais o primeiro que o segundo, pois este é mais opinativo).

18.3.03

 
Simone Gondim está frilando no JBairros até fins deste mês.

 
Os advogados da Associação de Funcionários, Prestadores e Credores da Gazeta Mercantil entraram com uma petição na Justiça do Trabalho pedindo explicações sobre o anúncio, publicado dia 10 na primeira página do jornal, que informou ser German Efromovich, dono da Marítima, "consultor" da empresa. Os caloteados pelos Levy acham que estão armando (Efromovich não é armador? Pois então...) pra cima deles. (Meio&Mensagem)

 
O SBT está a fim à beça de comprar os direitos de transmissão dos jogos da Segundona do Brasileiro. O "homem do sorriso" aposta muito no masoquismo dos sofredores de Botafogo, Palmeiras e Portuguesa de Desportos para faturar. (Meio & Mensagem)

 
Já consertei aquele link quebrado da nota sobre o Nassif e o Fome Zero. Desculpe aí, viu?

 
Elfo atento (e põe atento nisso!) viu na TV Câmara que o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT), atendendo a pedido do deputado Luiz Antônio Fleury, do PTB, (o popular Luiz Carandiru), convocará o principal colunista do Globo para prestar esclarecimentos sobre a seguinte nota:

Gangue
De um minstro importante do governo Lula:
- A bancada do crime organizado tem hoje uns 30 deputados na Câmara.


E agora? Vai alegar sigilo da fonte, claro, mas vai tomar um carão de suas excelências. Espero que dê pra assistir na TV Câmara quando passar. Vai ser gozado, embora também uma glória para uma coluna que anda tão decadente ultimamente.

 
Lembra do que escrevi ontem sobre as "fotos heróicas" (cinematográficas, pra ser mais exato) das tropas americanas que estão saindo nos jornais? Dois exemplos são essas aí, ambas da Folha de hoje:






 
Dona Míriam se meteu de novo a analista internacional. Menos mal que dessa vez não escreveu sandices, só obviedades já publicadas em um monte de lugares.

 
Ainda no Boechat:

Pingo no i

A Construtel afirma que a empresa não está encerrando as atividades, como foi aqui noticiado.


Tá e a coluna nem se deu ao trabalho de ligar para a empresa, que deve estar no catálogo, para checar a informação?

 
Da coluna do Boechat de hoje:

É guerra

As divergências entre americanos e franceses em relação ao Iraque chegaram à mesa.

A cafeteria do Congresso dos EUA mudou o nome da batata frita que serve aos políticos locais.

Em vez de French fries (fritas francesas), o menu agora traz freedom fries (fritas da liberdade).


É bom chamar a vigilância sanitária de Washington, pois essas batatas já devem estar com a data de validade tão vencida quanto a da nota: a tal mudança de cardápio foi notícia no mundo inteiro semana passada.

 
Também do Informe do Dia

Xororô celestial

O pastor Luiz Carlos Esperon, da Igreja Luz do Mundo, em Laranjeiras, fez um desabafo, antes do culto de domingo.

?Quando chegar à eternidade, vou perguntar ao Senhor: como pode um time tão grande e glorioso perder para um tão pequeno??, indagou, referindo-se à fragorosa derrota do Fla para o Flu.


É nessas horas que concordo com o "seo casseta" Beto Madureira: "Sexo é bom, mas sacanear rubro-negro dura mais". :)))



 
Do Informe do Dia:


Providência

Um banqueirão paulista ? e bota banqueirão nisso ? confidenciava ontem, no Rio, que um enorme palácio acaba de ser comprado no interior da França para alojar Saddam Hussein e a sua filharada.

Seria a primeira medida concreta para evitar o derramamento de sangue no Iraque.

Que Maomé nos ouça!

Pronto! Agora é só esperar a fatwa contra o colunista por blasfemar contra o Profeta e contra Alá, o único que pode ser invocado no Islã (o "pelas barbas do profeta!" é sacanagem de cristão).

 
Basta de intermediários! Luís Nassif para gestor do Fome Zero! Por que? Veja aqui.

 
Tudo bem, Eleito, que a dupla Miro&Ciro está batendo uma bola legal no ministério - o primeiro correndo atrás para aprender sobre o complexo setor dele e o segundo mostrando disciplina soviética num ministério sem grana - e o Gil está mesmo surpreendendo, como notou Tia Cora. Mas, caramba, como se não bastasse o Graziano, agora a primeira coisa que o tal Márcio Thomaz faz é arranjar segurança para ele e para a sua (dele) família? Meu Deus, esses caras têm que passar por um clínica intensiva ministrada pelo companheiro Duda para não fazer coisas como essa que pegam mal pacas...Que coisa!

17.3.03

 
Por falar nisso, o pessoal da imagem bem poderia fazer um estudozinho sobre as fotos que andam saindo nas capas do jornal. É um tal de foto "heróica" em contra-luz que vou te contar. Não tem um dia que não role uma foto "inspiradora" dessas em pelo menos um jornal.

 
Enquanto pressiona o Martin Sheen (grande figura esse sujeito!) para que ele pare de lutar contra o massacre que começará a qualquer momento, a NBC dá força aos americanos mais malucos em sua TV a cabo, a MSNBC (uma parceria com a Micro$oft). Veja matéria da FAIR aqui.

 
Do Fred Suter, no Jornal do Comemrcio:

Bom de voto
O pastor Manoel Ferreira, que não se elegeu, embora tenha sido o terceiro mais votado para o Senado, está sondando o mercado depois que deixou o PPB. Na sexta-feira, andou conversando longamente com Cesar Maia, de olho nas próximas eleições municipais.


Peraí! Esse pastor não é aquele que aderiu ao PT outro dia? Nada contra ele ir embora pro PFL (acho mesmo o lugar dele), mas a informação está cheirando à barriga do nosso Fred.

 
Essa é da Lu Lacerda:


O ator chicano Roberto Gómez Bolaños, o ‘Chaves’, aquele moleque-chato da TV que o SBT reprisa há 100 anos, está vivo, tem 74 anos e vai lançar um livro de poemas. Taí uma notícia que pode mudar os rumos da guerra.

Realmente a notícia não tem a menor importância, como a colunista afirma. Mas então por que raios ela a publicou?!

 
Para quem se interessa pelo assunto Direito Autoral na internet - em moda neste site desde o Caso Peltier-Doria - uma boa é ler esta matéria do André Machado no Informáticaetc.

16.3.03

 
Não houve surpresa: a criação de um Conselho Federal de Jornalismo para garantir o bom exercício da profissão foi aprovado por ampla maioria dos 33 votos registrados (o número foi menor nesta votação porque ela não foi pública, ficando restrita a quem a viu aqui): 66,67% (22 sufrágios) contra 33,33% (11 votos). Como prometido, vou enviar este resultado ao Sindicato para que este o encaminhe à Fenaj.

Uma nova pesquisa já está aí a sua esquerda. Como já você escolheu qual coleguinha mais estava torcendo contra o Governo Lula (houve empate entre Dona Míriam e Companheiro Gaspari), mais do que justo que escolha também qual o veículo que mais está querendo que o petista fracasse. A eleição fica até dia 1º de abril, quando o Eleito completa três meses no Planalto.

 
O comunicador visual Pedro Lessa é o novo coordenador do escritório da UNESCO no Rio de Janeiro.

 
Companheiro Palocci, se faltava alguma indicação para você ligar o desconfiômetro a respeito de sua política econômica, agora não falta mais: Dona Míriam aderiu hoje ao senhor. Lembre-se que já aderiu ao Gustavo Franco, quando este defendia o câmbio artificial que destruiu o Plano Real, e depois aderiu ao Pedro Malan, cuja política levou o governo de qua participava a uma derrota contundente na eleição presidencial.

Companheiro Ministro da Fazenda, parafraseando a definição do presidente eterno do Flusão, Francisco Horta, sobre Raphael de Almeida Magalhães, Dona Míriam é uma mulher com a vocação do erro.

 
Boa a pauta a respeito dos pirvatizadores da Era FH e que hoje dizem exatamente o oposto do que diziam. Mas tenho três comentários:

1. Achei pequeno o espaço, ainda mais se comparado com a página inteira sobre a falta de conservação da memória da indústria no Rio. Este é assunto importante, sem dúvida, mas, como pauta, é bem mais fria do que a dos "privatizadores arrependidos". Mas pode ter rolado aquele problema de indefinição de espelho que tanto atrapalha os dias de pescoção.

2. Senti flta de "mudou de tom", aquela série de frases que mostram as pessoas desdizendo-se e tão comuns na página de política, em especial em matérias a respeito de lideranças do PT. Elena Landau, por exemplo, hoje critica o artificialismo do câmbio na época do Gustavo Franco, mas na época era a favor;

3. Aliás, informa-se que Elena Landau, uma das privarizadoras do BNDES e consultora da AES, agora estagia no escritório do superadvogado Sérgio Bermudes. Faltou dizer, no entanto, que o escritório de Bermudes foi contratato pela AES para ajudá-la a consumar o calote no BNDES.

 
Mas o artigo de Noam Chomsky é melhor ainda. E é bom aproveitar porque artigo publicado dele por aqui é raro à beça.

 
Legal artigo do Ali Kamel no Globo. Serve pra gente ter um pano de fundo pra essa confusão armada pelo Bush. Veja aqui.

15.3.03

 
Eleito, meu filho, nasceste mesmo virado pra lua, hein? Na semana em que a tua aprovação cai e o Fome Zero toma outro tombo, o Fernandinho Beira-Mar te dá a chance não só de recuperar os índices - e chegar a níveis bushinianos pós-11 de setembro - como ainda aprovar qualquer coisa que quiseres (reforma da Previdência, tributária, trabalhista, do calendário gregoriano...) até o fim do ano.

Basta até terça-feira editar uma MP derrubando tudo o que for infra-constitucional e que beneficie presos (visita íntima, banho de sol, progressão de pena, etc), desapropriando áreas no sertão para construir prisões federais (se quiser botar na MP que nelas os presos passarão o dia quebrando pedra, com pés atados a a bolas de ferro, sob sol ou chuva, tomando um copo d´água a cada cinco horas e comendo apenas uma vez por dia, bota que neguinho aprova...) e o que mais sua imaginação mandar visando punir criminoso.

Te garanto que as agulhinhas dos sensores do aparelhinho que o Duda usa pra saber se o povo está satisfeito contigo (o dudômetro) vão saltar pra fora das trilhas, por cima. Faturar esse rodo no juiz é mais fácil que fazer gol na defesa do Flamengo com Fernando e Váldson.

 
ADEUS, MENGOOO!! ADEUS, MENGOOO!!!

 
O maior problema da ironia é que existem no mundo excesso de pessoas com...digamos...dificuldades de entendimento e/ou falta de humor. O Núcleo de Inteligência Tricolor publicou ontem anúncio no Lance! protestando contra a CBF ter obrigado o jovem craque Carlos Alberto a permanecer na Malásia por conta de um torneio caça-níqueis, enquanto há um Fla-Flu decisivo no Maracanã (o anúncio você pode ver abaixo):




Agora olha só como Informe do Dia entendeu o anúncio:

Desespero tricolor

Tricolores inconformados com o fato de a CBF ter obrigado o craque Carlos Alberto a ficar na Malásia, em vez de jogar o Campeonato Estadual, apelaram. Publicaram ontem um anúncio oferecendo recompensa a quem ajudasse a resgatar o craque seqüestrado. É mole?


É mole pergunto eu...

 
Atenção, eleitores! Acaba amanhã a votação sobre o Conselho Federal de Jornalismo!

 
Me provaram ontem algo que estava me recusando a ver: o grande número de notinhas sem substância está levando a principal coluna do Globo à irrelevância em marcha batida. Tanto isto é verdade que nem tenho mais falado mal dela aqui exatamente porque ela não está fazendo mais a menor diferença.

 
Uma pequena, mas perfeita, aula de reportagem é ministrada hoje por Márcio Moreira Alves na página 10 do Globo de hoje. Leia aqui.

14.3.03

 
Ah! Uma pequena ficha de Mr. William Clark:

William Clark is currently working as a healthcare manager at a well-known east coast university. He is not an economist, but has an MBA, and is currently a graduate student working on his 2nd Masters Degree in Information Technology/Information Security (or INFOSEC).

E olha o que está escrito logo abaixo na página de onde tirei as informações acima:

Copyright © 2003 W. Clark
Reprinted for Fair Use Only.


Pois é...

 
Pedro Dória desanca Márcia Peltier no no nominio - "a sua coluna é plágio da minha porque o texto é meu" - e trata de se defender da acusação de também ter plagiado William Clark, dizendo que a informação está não apenas no artigo de Clark, mas em vários outros sítios da internet. Realmente é verdade: tanto que o americano dá uma enorme lista de créditos no fim de seu texto. A pergunta é: por que Dória, que tinha tantas fontes como ele cita em sua resposta à Márcia, não fez o mesmo? Obviamente, não houve plágio, mas houve falta de credito às fontes de informações, não? E isso também não é bonito, certo?

A resposta de Dória está aqui.

 
Ahá! Márcia Peltier pede desculpas aos leitores pela cópia do artigo do Pedro Dória:

Foi mal

Fiando-se nas informações de um velho conhecido, o empresário Sérgio Costa e Silva, que acabava de chegar de uma viagem ao Irã, esta coluna publicou, na terça-feira, uma série de notas alusivas à crise que tem o Iraque como epicentro.
No dia seguinte, ficou constatado que circulava na internet uma matéria, com as mesmíssimas informações e trechos idênticos, assinada pelo jornalista Pedro Dória.

Para piorar as coisas, sabe-se, agora, que a fonte de todas as informações é um artigo que circula na internet desde janeiro, escrito por Walter Clark - um estudante de comunicação americano - e desenvolvido com base em sua tese de pós-graduação.

A coluna pede desculpas aos leitores pelo escorregão.



Ficou, acho, meio assim de pé-quebrado porque:

1. Demorou demais - a própria colunista admite que soube que tinha plagiado o artigo de um colega no dia seguinte à publicação das notas (no dia 12, portanto). Assim, deveria ter feito o pedido de excusas já na edição de ontem, dia 13 e não na de hoje.

2. A colunista diz que a culpa foi de uma fonte, mas porque esta fonte não foi citada? Afinal, era uma análise, não uma informação sigilosa.

3. Para dividir um pouco da culpa, a colunista manda uma conta para Pedro ao dizer que as informações estavam naquele artigo que eu citei logo depois de avisado do caso (aliás, já leu? Espero que sim, pois é muito bom). Até acho que o colunista do nominino também tem algo a explicar na história, mas não há como comparar o caso dos dois - um foi plágio puro e simples; outro, talvez, uma falta de crédito a uma idéia de outrem. Creio que o primeiro caso é bem mais grave do que o segundo, mas estou aberto à discussão.

4. O nome do cara não é Walter Clark. É William. Walter é aquele outro, já falecido...

 
Boa essa do mestre Janio:

(...)
Goleadores

O dólar começou a subir e o leitor/espectador recebeu dos jornalistas a explicação de que a causa era a aproximação da guerra.
A guerra se tornou mais iminente, até com data marcada, e o dólar começou a cair, e continuou caindo. Até inexistentes rumores da prisão de Bin Laden já foram inventados como explicação para a queda do dólar.
Desculpai-os, leitor/espectador, mas não porque eles não saibam o que fazem.


 
Um esclarecimento histórico-geográfico pra lá de irrelevante: Lourenço Marques, cidade natal do grande Eusébio, bem lembrado hoje no Globo, é a atual Maputo, capital de Moçambique.

 
Outra contradição interessante. Os jornais dizem que o Exército saiu das ruas na noite de ontem. Mas hoje de manhã os soldadinhos continuavam lá na Estrada do Galeão, perto do Bon Marché, como têm estado há dias.

 
A falta d'água na Ilha começou antes do tal estouro da tubulação da Cedae. A empresa diz que o acidente aconteceu por volta do meio-dia, mas às 6 horas da manhã a água já começava a faltar nas torneiras insulanas. Gozado...

 
Tem outra favela de nome Parque Royal, além daquela que fica aqui do lado de casa - e onde o bicho pega com relativa freqüência -, e que fica no Complexo da Maré. Vivendo e aprendendo...

 
Tudo bem que os famintos não vão se importar com este detalhe, mas botar frituras no Fome Zero não faz bem à saúde... Essa da capa do Globo botando a manchete sobre a queda de popularidade do governo (correta, embora um tanto exagerada) com a careta do Graziano logo embaixo é muita sacanagem. A rigor, a foto ali era a do Eleito ou, no mínimo, a do Palocci. Mas sabecumé: não se deve sacanear os sócios que têm na mão o poder de decidir para onde vai dinheiro do negócio, correto?

 
Ora, ora. Dona Míriam a queda de popularidade do governo do Eleito é culpa sim da incapacidade operacional do governo - algo mais ou menos previsto, exceto pelas burradas no Fome Zero - e da falta de uma política de comunicação definida (uma bobagem que não tem razão de ser num governo que tem Duda Mendonça como guru), mas, principalmente, da implementação pelo governo de medidas que a senhora sempre defende. Não tem jeito, Dona Míriam: o mercado está de um lado e o resto da população brasileira está de outro. Assim como o governo não pode agradar aos dois e por isso perde popularidade por resolver acalmar o mercado, a senhora não pode dizer que apóia os dois. É como num jogo de futebo: ou bem se joga num time, ou bem se joga no outro.

13.3.03

 
Fábio Altman está conversando com a IstoÉ Dinheiro.

 
Carolina Benevides deixou o Extra.

 
Tá na Mônica Bérgamo hoje:

DESEJO

O ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP) está no páreo para comprar o jornal "Gazeta Mercantil".
As negociações tentadas por Quércia passam longe do empresário Nelson Tanure -outro que também tinha interesse em comandar o negócio.


A ser verdade, creio os funcionários têm que fazer uma vaquinha para contratar uma mãe (ou um pai)-de-santo com força nas encruzilhadas para arriar um ebó de responsa na porta da empresa, a fim de que faça aparacer nem que seja um empresário decente para adquirir a empresa.

 
Mais uma gincaninha? Então vamos lá: Vá até aqui e escreva-me sobre um absurdo que se vê no endereço.

 
Demora, mas a gente acaba sabendo o motivo de algumas campanhas esquisitas que tomam conta de alguns veículos da imprensa brasileira. Exemplo de explicação está hoje no Informe JB:

Queda-de-braço

Do ministro dos Transportes, Anderson Adauto, sobre a pressão de empreiteiras que tentam receber restos a pagar do governo FH: ''Foi-se o tempo em que empreiteiros mandavam neste ministério.'' As empresas não brigam por pouco dinheiro: são R$ 600 milhões. Adauto comprou briga quando decidiu dar preferência à recuperação de rodovias, cujos executores têm recebido na frente.

Como você deve lembrar, Adauto foi massacrado pela IstoÉ e pela Folha durante semanas, devido a um suposto - e nunca provado - desvio de verbas em sua cidade.

 
Eliane Cantânhede dá uma boa e uma má notícia na coluna de hoje. A má é que Abílio Diniz poderia fazer parte do governo do Eleito; a boa é que seria no lugar do Graziano. Como sou um otimista por natureza (cof !cof! cof!), prefiro acreditar que a segunda seja verdadeira e a primeira não. Veja a coluna da Eliane aqui.

 
Viu o acrônimo da superbomba que os EUA vão jogar em cima dos iraquianos? Moab (de Massive Ordnance Air Burst). Nome bíblico de um dos países inimigos de Israel, o povo eleito do Velho Testamento.

Isso não vai dar certo...

 
O prêmio Babada do Mês dificilmente deixará de ir para o principal colunista do Globo pela puxada na Patrícia Gomes hoje.

 
Grande Cristóvam Buarque! Está manobrando, agora mais às claras, para emagrecer o Fome Zero e usar o Bolsa Escola para encher a barriga dos famélicos, unindo educação e vontade de comer, como, aliás, é proconizado há uma década por qualquer pesquisador sério do país. Além de ajudar os pobres, Cristóvam auxiliará a si mesmo (vai virar ministro poderoso e candidato a Presidente), a o Eleito a cumprir sua principal promessa de governo e, last but not least, nos livrar das bobagens perpetradas pelo Graziano. Que, aliás, fez outra ontem com este negócio de não abrir os números das contas. Será que esse cara não se manca? Quem será que dirige a casa dele? Ele não pode ser porque não deve nem saber fazer lista de supermercado. Que coisa, meu!

12.3.03

 
Geral no passaralho da Época, num gentil oferecimento de Jornalistas&Cia e de uma elfa poderosa:

* No Rio, além de Cláudio Henrique, saiu também seu fiel escudeiro (nova essa...) Clóvis SaintClair;

* Em São Paulo, além de Fábio Altmann e Laura Greenhalg, dançaram João Luís Vieira (Sociedade), Luludi (editora de Fotografia), Lauro Lisboa Garcia e Ana Paula Franzoin (Cultura) e Betina Moura (Economia);

* Em BSB, rodou o sub Carlos Alberto Júnior.

 
Rola amanhã a primeira transmissão de rádio AM digital fora dos EUA. Será realizada pela Harris a partir da Rádio Gaúcha a partir das 9h30, com o aparelho de recepção ficando na sede da regional da Anatel em Porto Alegre.

 
Agora falando mais sério, recomendo fortemente que todos leiam o texto em inglês (este aqui), na verdade um ensaio, que, impresso, dá 17 ou 18 folhas A4. Para os coleguinhas de Economia e Inter, então, ele é essencial. Há ótimas pautas nele.

 
Voltando ao affair (no mau sentido) Márcia Peltier x Pedro Dória. Se você for até aqui e até aqui, certamente notará ..digamos...muitas familiaridades entre esses textos e o do colunista do nominimo. Não tão evidentes quanto as de Peltier com o dele, mas, mesmo assim, bem marcantes.

Mas há também uma diferença importante e é em cima dela que vou fazer uma pergunta de um milhão de euros:
O que tem nos dois textos indicados e não se encontra no texto de Dória?

Uma dica: você tem que ir até o fim dos escritos para descobrir. Respostas nos comentários ou, se você for muito tímido/a, para mim somente.

 
Finalmente alguém que não torce contra por princípio foi entrevistar o bobo do Graziano sobre o Fome Zero. Veja o resultado na coluna de Luís Nassif.

 
Admitamos, porém, que a estranheza da Dona Míriam com as declarações da adevogada de Fernandinho Beira-Mar de que fora instruída pra dar uma idéia no Secretário de Segurança do Rio sobre a sua volta ao bem-bom de Bangu I é realmente pertinente. Assim como a análise de mestre Janio, que você pode ler aqui.

 
A foto publicada acima da dobra na página 27 do Globo faria "paizinho" Stálin enxugar uma discreta lágrima de emoção no canto do olho. Mais "realismo socialista" impossível...

 
Mais uma visão sobre a futura guerra EUA - Iraque, escrita por Demétrio Magnoli, editor da Revista Pangea.

 
Dona Míriam não resistiu dois dias...Hoje se mete onde não sabe e deu no que sempre dá. Ela quer que o governo do Eleito reconheça as Farc como terrorista. Antes da visita do presidente da Colômbia, a Tereza Cruvinel escreveu duas ou três vezes que seria uma besteira diplomática fazer o que Dona Míriam exigiu porque faria com que o George Filho, assim que se livrasse do Saddam, viesse com tudo pra cima da Colômbia e, com o aval do governo brasileiro, criasse um Vietnã no nosso quintal.

Agora me diz o que custa alguém ler ao menos os colegas do jornal em que escreve antes de se meter a gato-mestre sem ter a mínima noção do que se está falando?

E amanhã certamente vai ter pancadaria em cima do Fome Zero...

11.3.03

 
Mais dois comentários sobre o emeio de Paulo Moreira Leite sobre as demissões na Época:

1. O Eleito tem uma chance histórica de mudar a correlação de forças na comunicação pro aqui. Basta o Gushiken distribuir a grana da publicidade oficial de maneira mais igualitária (e institucionalizando essa atitude), alavancando, assim, os veículos regionais. O emeio de PML demonstra claramente a importância da grana do governo mesmo para o Império;

2. Sacanagem o PML ter começado a mensagem com o bordão do magnífico João Saldanha...

 
Cláudio Henrique, Fábio Altman e Laura Greenhalg estão entre os demitidos da Época hoje. Thomas Traumann ficou no lugar de Cláudio na chefia da sucursal do Rio. Abaixo vai o emeio do diretor de redação, Paulo Moreira Leite, no qual, sem muito disfarce, ele atribui as demissões à crise que assola as Organizações Globo causada pela desastrada aventura da NET (aliás, do jeito que a coisa vai, parece que o Império vai confirmar uma tendência aqui do Bananão: avô constrói, pai consolida e cresce e filhos detonam...).

Bom, ao emeio de PML:


Meus amigos. Precisamos discutir e compreender os cortes ocorridos em Época. Basta recordar a qualidade de alguns profissionais que estão deixando a revista - como Fábio Altman, Laura Greenhalgh, Claudio Henrique, para ficar em três nomes que simbolizam o que há de melhor em nossa história - para se ter uma dimensão da gravidade das medidas que fomos levados a tomar.

Sabemos que a imprensa vive uma crise histórica, um desencontro nunca visto entre suas despesas e suas receitas. Basta folhear qualquer revista semanal de informações para comprovar uma queda inédita no faturamento publicitário, responsável por uma fatia imensa de suas receitas - ainda mais em se tratando de um veículo relativamente novo como Época.

Também sabemos que as Organizações Globo - esse nome que abriga empresas de natureza tão diversa - enfrentam uma conjuntura especialmente complicada, cuja origem se encontra em investimentos que, embora legítimos e aparentemente bem pensados, não renderam os frutos esperados. Pelo contrário. A empresa está discutindo como sair de uma moratória e foi nesse quadro que tomamos essas medidas tão drásticas.

Nem de longe, contudo, elas pode ser vistas como elementos para um balanço negativo da revista. Alguns números sao úteis para se entender o que ocorre. Mesmo num ano que esteve longe de apresentar um clima de estabilidade e crescimento, Época iniciou 2002 com uma meta de 6% de margem positiva. Encerrou o ano com margem de 12% positiva. Nesse mesmo ano, o Marplan diz que, na percepção do leitor, somos uma revista mais lida do que no passado.

Pelos critérios objetivos, nossas vendas em banca subiram sempre entre 2001 e 2002, numa comparação trimestre a trimestre. O único trimestre em que as vendas de 2001 foram maiores do que em 2002 foi o do 11 de setembro, quando todo mundo vendeu mais. Nossas renovações de assinaturas seguem baixas, mas subiram mais de 100%. Mesmo na publicidade, colhemos notícias razoáveis. Se no início de 2003 tivemos uma queda brutal na receita de anúncios oficiais, o que é natural numa troca de governo com a dimensao daquela que estamos assistindo, tivemos um pequeno acréscimo na venda de anúncios do setor privado - o que só demonstra um acréscimo em nossa credibilidade.

O que ocorre? Época tem um presente ajustado e positivo, mas um passado de investimentos, dívidas e gastos para lançar e manter a revista que não foram acertados. Numa empresa obrigada a fazer um ajuste em todas as áreas, com imensas dívidas a serem saldadas, tornou-se impossível manter uma situação de perda de receitas sem que, em função da própria instabilidade econômica, seja possível enxergar viradas seguras em horizonte próximo - ninguém fala em grandes margens de crescimento em 2003, os juros seguem nas alturas, etc.

Nossos cortes foram feitos com a esperança de minimizar os prejuizos e preservar ao máximo as características vitoriosas do jornalismo de Epoca - a agilidade, a busca da notícia exclusiva, o rigor na apuraçao. Os colegas que deixam a revista vao fazer falta pela competência, pela experiência e pelo talento. Mas os jornalistas que ficam tem a obrigação de manter o mesmo compromisso, para produzir aquela que é, sob qualquer critério, a melhor revista do Brasil.

 
Esta é a maior parte da coluna de Márcia Peltier de hoje:


Motivos
A guerra dos EUA contra o Iraque não é só pelo petróleo ou contra o terrorismo. O que está em jogo é também a sobrevivência do dólar como moeda padrão no mercado mundial.

Histórico
Em novembro de 2000, véspera da eleição presidencial nos EUA, o Iraque mudou a moeda com a qual operava suas vendas de petróleo: saiu o dólar, entrou o euro. Foram negociados US$ 10 bilhões de dólares, 15% do PIB iraquiano ou, 0,1% do PIB dos EUA. Em meados de 2001, Saddam trocou, de novo, por euros, US$ 10 bilhões. Parecia pirraça: o euro valia 82 centavos de dólar. Só que aí veio o 11 de Setembro, o fortalecimento da moeda européia e a operação acabou sendo muito lucrativa.


Ouro negro
Todo dia são gastos 2 bilhões de dólares com o combustível. Nas previsões otimistas, há petróleo para mais um século. Um quarto do petróleo mundial é consumido pelos EUA: são 20 milhões de barris por dia, ao preço de US$ 28 o barril, em janeiro.


Porém
A balança comercial dos EUA, em fevereiro, ficou negativa em US$ 31,5 bilhões. E o maior negócio é o petróleo. Só que o país mais poderoso do mundo não controla quem o vende. Pelo menos, até agora.


Passeio inesquecível
No dia 12 de agosto de 2000, Saddam Hussein ofereceu ao presidente venezuelano Hugo Chávez um tour pelas ruas de Bagdá. Chávez era o primeiro chefe de Estado a visitar o Iraque desde o início das sanções da ONU. As imagens de Saddam ao volante, com o Chávez ao lado, fizeram a festa das tevês. O fato aconteceu quatro meses antes da posse de Bush.


Outra moeda
Filiada à OPEP a Venezuela responde, nos últimos anos, por 13% a 15% do petróleo importado pelos EUA: 1,6 milhão de barris por dia. Com a crise política venezuelana, a companhia estatal de petróleo venezuelana, PDVSA, parou.


Então...
Os EUA tiveram de comprar petróleo do Iraque, que tem a segunda maior reserva do mundo. Bush havia cortado as importações iraquianas desde sua posse. Em dezembro passado, os EUA compraram 925 mil barris por dia; agora, em janeiro, foram 1,15 bilhão. Pagaram em euros.

Leu? Agora, por favor, vá até a coluna de Pedro Dória, publicada na edição de 14 de fevereiro do site no nominimo...

Não há possibilidade de ter sido mera coincidência, correto? Portanto, se essa história não for devidamente esclarecida por ambos os colunistas e pelas duas empresas será simplesmente o fim de toda a idéia de respeito profissional no jornalismo do Rio de Janeiro.

 
Cara, a tal parceria do JB com O Dia está dando certo mesmo! Até as notinhas das colunas estão iguais. Olha aqui:

Do Informe do Dia:

Companheirada

O presidente da Associação dos Prefeitos do Rio, Luiz Fernando Pezão, desembarca hoje em Brasília com uma trupe e tanto.
Leva 45 colegas fluminenses para o festejado encontro com Lula. Se conseguirem, vão reclamar da maneira como é cobrado o ICMS do petróleo.


Da coluna da Márcia Peltier:

Procissão

O Rio vai fazer bonito, hoje, em Brasília, na Marcha em Defesa dos Municípios: a Associação dos Prefeitos, presidida por Luiz Fernando de Souza, levará à Capital 45 alcaides, metade dos prefeitos do Estado. O principal tema do encontro: a rediscussão do percentual a que os municípios têm direito no bolão tributário.




 
Matéria no Estadão informa que duas professoras paulistas estão ministrando um curso de "Formação de platéias" no CCBB de lá. É exclusivo para quem quer aprender como se comportar em concertos de música clássica, mas creio ser o caso de se oferecer também para as platéias de cinema. Eu e Andréa constatamos que, nos últimos tempos, em todos os filmes que fomos tivemos que aturar gente conversando o espetáculo inteiro (algumas vezes a respeito do dito, mas nem sempre) ou o famoso celular tocando em uma parte importante da película.

Eu acredito que isso seja efeito dos cinemas de shopping - o mané acha que o cinema é a extensão do McDonald´s e, portanto, pode se comportar como se estivesse na lanchonete -, mas Andréa discorda, lembrando com razão que os débeis mentais também podem ser encontrados nos cinemas do circuito Estação, embora em percentagem muito menor. De qualquer forma, creio que vale uma materinha. O assunto é meio batido, certo, mas o gancho da "formação de platéias" dá um ângulo novo.

 
Clóvis Rossi reclama das idéias expostas pelo Rubem César Fernandes, do Viva Rio. Tem razão, mas o Rubem César fala essas nefelibatices há anos e todo mundo achava o maior barato. Até o momento em que o bicho começou a pegar de verdade na Zona Sul carioca, claro. Veja a coluna do Rossi aqui.



 
Dois exemplos no Globo de hoje de como tratar com números é algo delicado. O primeiro exemplo é na matéria sobre o acidente que causou a morte de três garotos na Avenida das Américas. No box, se diz que a Américas é a segunda via onde mais se morre em acidentes no Rio, perdendo só para a Avenida Brasil (371 da primeira contra 1.151 da segunda). Mas e na média? Afinal, pelo que sei, pela Brasil passa muito mais gente do que na avenida da Barra. Pode muito bem ser que esta seja ainda mais perigosa que a outra, mas o leitor não vai ficar sabendo se assim o for.

O segundo exemplo é na capa do Segundo Caderno. Lá está escrito que os prêmios conferidos pelos sindicatos dos atores e roteiristas são indicações consistentes de quem vai levar o Oscar. A hipótese se calça no quadro que vai abaixo do texto mostrando as coincidências. Olhando de relance, achei ter visto alguma coisa estranha e fui conferir.

Pegando nos últimos cinco anos (1998-2002), há realmente uma boa tendência à distribuição dos prêmios coincidir: do total de 35 agraciados, 20 coincidem (57,2%) contra 15 não-coincidentes (42,8%). Não chega a ser um favoritismo absoluto, mas é uma boa mostra. Só que se retirarmos o ano de 98 (o mais antigo), a incidência de concordâncias cai drasticamente: de 28 prêmios concedidos, há igualdade em 15 (53,6%) contra 13 discordâncias (46,4%). Ou seja, nos últimos quatro anos, as coincidências parecem estar caindo, ao contrário que diz a matéria. Essa hipótese é reforçada pelo fato de que no período 2001/2002, houve mais discordâncias (8) do que concordâncias (6). O que significa isso? Sei lá...Mas parece uma boa pauta...

 
O diretor de futebol do Fluminense diz que vai à Fifa para reclamar da escalação de dois cabeças-de-bagre rubro-negros (cuja presença é sempre reforço para o adversário...) na primeira partida das semifinais do Caixão 2003. O argumento é que eles deveriam ter cumprido a suspensão por cartão vermelho como determina a Fifa. Só que a diretoria do meu amado tricolor assinou um acordo em que aceita descumprir resolução da Secretaria de Desportos do MEC, de 1984 que obriga a suspensão pelo terceiro cartão amarelo (o que ocorreu sábado passado com o atacante flamenguista Zé Carlos). Ou seja, a diretoria do Fluminense aceita descumprir uma diretiva, mas quer que outra seja cumprida ao pé da letra.
Agora pergunta se algum coleguinha apontou essa contradição ao diretor de futebol do glorioso clube das Laranjeiras? É ruim, hein...

 
O Informe do Dia publicou anteontem duas notas com prazo de validade vencido: sobre o Idec fiscalizar as agências regulatórias (notícia da semana passada) e sobre a escolha de Maria da Conceição Tavares para o Conselho de Adminsitração da Eletrobrás (novidade velha de dois meses).

10.3.03

 
Acho que descobri a explicação para o balança-mas-não-cai do prédio 110 da Rio Branco. Como o nome do edifício é Conde Pereira Carneiro, o tremelique deve ter sido causado pelo finado, revoltado com o que o Tanure está fazendo com o JB. Conexões para isso o velho teria: afinal, comprou o título de nobreza da Santa Madre Igreja...

 
Por falar em JB, o cinegrafista e o editor da Record deram a maior bandeira hoje. Botaram uma moreninha de sorriso bonito com cara de estagiária uns cinco segundos na telinha na matéria sobre o prédio treme-treme.

 
A maré tá braba mesmo no JB. Até o prédio treme...Tá na hora de levar umas mães-de-santo para elas lavarem a redação com um salzinho grosso...

 
O lobby da AES fez uma festa de arromba neste fim de semana nos jornais. Todo mundo defendendo os gringos caloteiros com matérias que variaram do acintoso (caso da Folha fazendo ping-pong com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA) à ameça velada da matéria do Globo dizendo que o BNDES pode ter um prejuízo de R$ 1 bilhão se executar a dívida, passando pela confusão mental do editorial do JB defendendo que o viadinho viva (a Eletropaulo não tenha as dívidas executadas) e a onça não passe fome (o BNDES recupere o que deu de presente à AES).

 
Bela pauta a da capa da Época desta semana. Usar a morte da primeira mulher do Eleito - fato conhecido de todo mundo - no momento em que se comemora o Dia Internacional da Mulher foi realmente uma boa sacada. Parabéns ao povo.

9.3.03

 
Por enquanto, a idéia da criação de um Conselho para fiscalizar a emissão de registros de jornalistas e o exercício ético da profissão está sendo aprovada facilmente na pesquisa aí ao lado. O pleito termina no domingo que vem. Vamos lá, dê a sua opinião!

 
Para quem acha que os EUA são mesmo o defensores dos direitos humanos e coisa e tal, é muito instrutiva a leitura desta materona do NYT que me indicada pelo mestre Nilson Lage. É longa à beça, mas vale a pena, eu creio, ainda mais que duvido que saia algo nas nossas YVs ou alguma coisa além de um notinha nas páginas de inter dos nossos jornais (se é que vaio sair ...).

Ah! Atenção à declaração do egípcio, no fim da matéria. É de um inigualável sarcasmo, embora possa não ter sido essa a intenção...

 
A Vany Laubé Comunicação Empresarial (VLCE) ganhou mais duas contas - a da Debit, empresa que fornece serviços de cálculos trabalhistas e de correção monetária pela via Internet, e a do Projeto Investidor Social. Esta última conta faz com que a VLCE amplie seu leque de clientes, ficando bandeira no promissor campo do Terceiro Setor. As outras contas da VLCE são da CSR, empresa de cosméticos e farmácia (assessoria de imprensa); Clipping TV, empresa de clipping eletrônico (assessoria de comunicação, endomarketing, CRM e atualização de conteúdo do site); Colégio Magister (assessoria de comunicação); e a Mercer Human Resource Consulting, empresa de localização de releases internacionais para Assessoria de Imprensa Mara Ribeiro Jornalismo.

 
Pô, a Dona Míriam vai voltar terça-feira já...:(
Se bem que tem um lado positivo, pelo menos para meu lado de escrito de blog, nõ chega a ser ruim: volta a torcida anti-Eleito, o que sempre dá notinhas divertidas. É aquela coisa: perco de um lado (a capacidade profissional superior da Flávia Oliveira), mas ganho de outro (a defesa canhestra da ideologia tucana da Dona Míriam).

 
Boa a foto usada pelo principal colunista do Globo para desqualificar o MST. Nela um cara com celular (que na opinião da coluna ainda significa ter muita grana...) e bem vestido (camisa e calça social) faz menção de pôr uma bandeira do MST dentro da caçamba de uma caminhonete com o logo do Incra numa das portas. Deve ter dado um pouco de trabalho catá-la em meio àquelas centenas de outras que mostram os sem-terra armando barracas, cozinhando em fogareiro improvisado, essas coisas (se bem que, como é foto da Agência Estado, ela já pode ter vindo escolhida). De qualquer maneira, não era do interesse da coluna investigar quem era o cara, que, muito provavelmente, se for mesmo do MST, pode ser um entre as dezenas de advogados ou agrônomos ligados à assessoria do movimento.

 
Aliás, essa matéria sobre Bangu III mostra que tem sentido a hipótese defendida por um coleguinha, segundo a qual o pessoal que cobre segurança está ficando para trás diante do desenvolvimento do crime. "O pessoal cobre Fernandinho Beira-Mar como quem cobria Escadinha lá pela década de 80", resume ele.

 
Na matéria sobre um plano frustrado de fuga em Bangu III está escrito que ele só foi descoberto com a ajuda de um detento do Comando Vermelho, cujo nome estava sendo guardado em sigilo. No parágrafo seguinte, está escrito que o cara era o responsável pelas finanças dos bandidos na prisão, Bem, não sei para você, mas para mim essa informação não acrescenta nada. No entanto, para os bandidos, os advogados deles e policiais corruptos que estão no esquema ela é valiosíssima, já que acaba com qualquer dúvida que porventura tivessem de quem tinha sido o denunciante. Não sei não, mas creio que os defensores do jornalismo como serviço público não tinham em mente um jornalismo que prestasse este tipo de serviço a este tipo de público...A matéria está aqui.

7.3.03

 
Para quem ainda acredita que a imprensa norte-americana é digna de confiança quando se trata da cobertura de algo que afete os grandes interesses ianques é bom dar uma olhada aqui.

 
O ministro Carlos Velloso negou o pedido de hábeas corpus de quatro advogados contra a censura prévia à Você S.A. O argumento dos impetrantes da ação foi de que os leitores teriam sido "violentamente submetidos a um regime de repressão, ignorância e cegueira" por não terem podido ler o que seria publicado na Você S/A - data venia, uma bobagem sem tamanho. O ministro do STF considerou assim também e ainda deu uma sacaneada no despacho. "No caso, porque teria sido imposta censura a uma determinada revista, estaria o paciente [ no caso um dos impetrantes, Miguel Guerrieri ] sofrendo ofensa à normalidade funcional do seu organismo do ponto de vista psíquico". A decisão de Veloso e o texto do hábeas corpus negado estão aqui.

 
O Sindicato de Minas botou o nome de 1.100 pessoas que obtiveram registro precário de jornalista com base na decisão de juíza de São Paulo que suspendeu a necessidade de se ter cursos superior para o exercício da profissão de jornalista. A relação está aqui.

 
Comentários sobre duas matérias sobre segurança que acabei de ver no Jornal da Band:

Mãozinha - A equipe entrou, contou como chega a alimentação dois presos, fez imagens que mostram a disposição das torres de vigia, o escambau. Tudo bem que os coleguinhas da Band tinham mesmo que pedir pra fazer a matéria, agora onde estava com a cabeça a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança de São Paulo para permitir isso é que eu não sei. Se tinham alguma dificuldade para obter informações que ajudassem o seu chefe, os asseclas do Fernandinho Beira-Mar tiveram o trabalho bem facilitado.

Humor negro - Na mesma matéria, o repórter diz que os diretores do presídio pediram para ter suas imagens preservadas. Por sacanagem - só pode ter sido - o cinegrafista da Band fez uma das tomadas com um dos caras (não identificado) num perfil que mostrava praticamente a cara toda do sujeito. Mais uma ajudinha pro povo do FBM.

Peito de aço ou cara-de-pau? - No confronto de hoje à tarde na Linha Vermelha lá estavam os coleguinhas da Band. O take de encerramento da matéria é um PM atirando com um fuzil, com o cinegrafista um pouco atrás dele, assim meio de meio ao lado. Das duas uma: ou o tira estava atirando em ninguém depois que o bicho já tinha acabado de pegar - o que configura forte candidato ao prêmio King of The Kings, categoria TV - ou o câmera é doido por ficar na linha de tiro dos bandidos. Aí morre e vamos ter aquele chororô, com nota do Sindicato, leituras compungidas de editoriais, homenagens na Alerj, essas coisas...

 
Se o que narra o Nelson de Sá na coluna de hoje for verdade, o Chico Pinheiro - que costuma cantar de galo com quem é mais fraco fora da telinha - devia ter dado um chega-pra-lá na dondoca da prefeita de São Paulo pela falta de modos.

Agora, afirmar que o Eleito, com dois meses de governo, está na mesma trilha da Marta já é demais, né, Nélson?




6.3.03

 
Mais uma para os taradinhos pela discussão sobre a definição do padrão de TVD para o Brasil. Ontem, o ministro Miro Teixeira pediu a emissários chineses com quem esteve reunido boa parte da tarde que a China designasse um representante para acompanhar os trabalhos sobre a implantação da TV Digital por aqui. Pode ser apenas jogo de cena, como defende o Nassif, mas se for esta sendo bem feito pacas...

 
Como saiu na CPM da semana passada, o Sportv planeja pôr no ar, em fins deste mês, um programa sobre o velho e violento esporte bretão. Comandado por Galvão Bueno, a novel atração terá outros bambas da imprensa esportiva como Armando Nogueira, Renato Maurício Prado, Jorge Kajuru e Arnaldo César Coelho. A idéia é que eles recebam um convidado - jogador, técnico, cartola e até outro coleguinha - para falar sobre o esporte das multidões. O programa, cujo nome ainda está para ser decidido, irá ao ar às segundas à noite, começando entre 21h e 22h, tendo algo entre 1h30 e duas horas de duração.

 
Para quem é acha importante a definição do padrão da TV digital no país - ou é simplesmente tarado como eu -, a opinião do grupo de conterrâneos do Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (Cesar), segundo Luís Nassif.



 
Maldade gratuita no Painel da Folha:

Movimento das marés

A Agência Nacional do Cinema, da Casa Civil, prorrogou até dezembro a captação de recursos para a distribuição do filme "O Dono do Mar", baseado no romance de José Sarney.


Desde o início do ano, a Ancine já prorrogou dezenas de prazos para captação, diante do fato de que o dinheiro para a produção cultural praticamente sumiu há meses.

 
Boa observação do Clóvis Rossi hoje a respeito de uma coleguinha:

Érica Fraga, repórter desta Folha com uma notável capacidade para escrever sobre economia de forma que os mortais comuns possamos entender, enveredou ontem pela Argentina.(...)

Érica tem essa habilidade desde os tempos de O Globo. E não só ela: a Flávia Oliveira também, sendo que esta discorre, com igual desenvoltura, sobre temas somente econômicos (como Bolsa e negócios), político-econômicos e sócio-econômicos (como a questão racial).

Parabéns - e sinceros agradecimentos - às duas.


5.3.03

 

Esta é da Márcia Peltier ontem:

Pé-quebrado

Decididamente, estatal não é a melhor rima para carnaval. Só a comissão de frente da Grande Rio empolgou o público no desfile patrocinado pela Vale do Rio Doce. (...)

A colunista do JB não sabe que há anos a Vale é uma empresa privada...

 
Tá lá matéria de capa do Segundo Caderno de ontem, a respeito do documentário que está sendo feito sobre o Chacrinha. No "dedo duro" para a continuação saiu: "Continua na página tal". A tal página era a 3. O Velho Guerreiro deve ter ficado emocionado com a homenagem...

4.3.03

 
Para quem não viu um pitaco da semana informando o fato...Leila Youssef ficou no lugar de Gabriel Oliven (que foi pra Alerj) no comando da editoria de Política de O Dia. Leila estava em BSB como correspondente do jornal - onde já também editora de Cidade e de Produção - e em seu lugar lá no DF fica Lúcia Leão.

 
Pedro Cuadrat, jovem coleguinha que estagiou lá na Eletrobrás e estava na assessoria da Guarda Municipal, começou no caderno Automóveis, de O Dia, substituindo Alfredo Junqueira, transferido para a Política. Creio que Pedro vai se dar bem: ele é tarado por carros.(J&C)

 
A Media Guide, da nobre tricolor Manoela Penna, passou a atender a conta da Confederação Brasi-leira de Tênis de Mesa, tendo como primeiro trabalho a divulgação da Copa Brasil, a ser realizada nos dias 15 e 16 de março, em Piracicaba (SP). (Jornalistas&Cia)

 
Estive olhando as estatísticas do Picadinho e vi que há muitos acessos de fora do Brasil (uns 15% do total). Aí pensei em pedir um favor para quem mora fora e me dá honra da atenção: queria informações sobre como um cidadão do país pode se tornar legalmente jornalista. Quer dizer, como um americano pode se tornar jornalista nos EUA (se bem que deve variar por estado, mas serve assim mesmo); como um sueco pode se tornar jornalista na Suécia; um português na terrrinha, assim por diante. Precisa de diploma? Se precisa, de que nível? Precisa de registro? Quem concede este registro? Ele é pra toda a vida ou deve ser renovado? De quanto em quanto tempo? Há algum tipo de prova para se obter o registro, escrita, oral ou apresentação de trabalho? Há algum tipo de Conselho como há aqui para médicos, advogados, professores de educação física, etc?

É que eu queria saber como é lá fora e, claro, fazer circular esta informação por aqui. As respostas podem ser dadas pra picadinhodiario@coleguinhas.jor.br. Desde já agradeço a sua ajuda.

3.3.03

 
E já temos nova enquete aí ao lado. É sobre o Conselho Federal de Jornalistas. É coisa simples: sim ou não. Enviarei o resultado para a Fenaj e para o Sindicato do Rio. Vamos lá! Vote!

 
Não disse que a disputa pelo título de colunista que mais torce contra o governo Lula ia ser sensacional? Pois foi tanto que terminou empatada! Dona Míriam e Companheiro Gaspari acabaram com 22 dos 73 votos computados (30,14%), bem à frente do terceiro colocado, Diogo Mainardi, com 11 votos. Em quarto, novo empate, entre Merval Pereira e Augusto Nunes, com cinco votos, seguidos de perto por Fernando Rodrigues, com quatro. Na sexta posição, outro empate: com dois votos cada, Dora Kramer e Lauro Jardim. Em último, sem nenhum votinho, César Giobbi (embora eu acredite que seja porque muito pouca gente o lê...).

Como prometido, os dois vencedores podem vir buscar aqui no bloguinho a estampa do personagem Amigo da Onça, do imortal Péricles. É só copiar a figura abaixo:



1.3.03

 
Aliás, alguém ainda duvida que é necessário jornalista ser treinado para enfrentar situação de guerra? Assim, está na hora de a Fenaj e os sindicatos chamarem os patrões à responsabilidade para que eles paguem cursos de treinamento específicos para cobertura de guerras civis. Pois, não sei se você notou, a situação mudou de patamar...

 
Os colegas que fizeram a cobertura dos ataques terroristas ocorridos na Avenida Brasil na madrugada de quinta par sexta estão de parabéns pelo profissionalismo e pela bravura. Não sei se eles estavam com equipamentos mínimos para a ação - colete inteirço à prova de balas e capacete -, mas deveriam estar. É urgente que as empresas de comunicação comecem a comprar estes tipo de equipamento para suas equipes, antes de que alguma tragédia aconteça. Para depois não ficar dizendo-se surpreendidas como no caso de Tim Lopes. E os colegas devem se recusar a ir para o front sem estar devidamente equipados.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Assinar Postagens [Atom]