31.1.03

 
Plantão de Polícia, série de histórias ocorridas com jornalistas, já fez rir meio mundo nestes anos todos (acho que uns sete) desde que Maurício Menezes começou a contar as nossas aventuras e bobagens. Agora, o resto do mundo que faltava conhecer a verve do Maurício terá uma boa chance. Amanhã, a partir das 11 horas, o Plantão começa na Record. É gargalhada na certa!

 
A Gazeta demitiu 15 colegas, entre eles o Paulo Totti. E o Luiz Fernando Levy tem lá moral pra demitir alguém, ainda mais o Paulo Totti? Já não sei se o caso desse ex-jornal é mais ridículo do que triste ou vice-versa.

 
Os donos de jornais estiveram com o Eleito ontem, informa o Globo. Durante uma hora e meia choraram pitangas sobre a queda da receita de publicidade e sairam dizendo esperar que a alocação de publicidade oficial seja feita "de forma técnica". Traduzindo do lobês isso que dizer: mais grana pra gente que tem maior circulação. Se for esperto, o Eleito e o Pat Morita, codinome Luiz Gushiken, distribuem aquela grana toda regionalmente e de maneira equilibrada, matando dois coelhos "com uma caixa d´água só": mantêm o pé no pescoço desses grandões e ganham a lealdade canina daquele povo do interior, tão importante principalmente na época de eleições municipais.

 
Saiu na coluna Informe do Dia:

NOTA 0

Para o INSS, que fechará seus postos nos shoppings com aluguel e condomínio caros.

Ué, o colunista defende que o INSS continue pagando condomínio e aluguel caros?



 
O JB, depois da troca de retirada de ações judiciais por espaço na página de opinião, parece que agora está tentando inventar o "jornalismo seqüencial", no qual você lê o início de uma notícia numa coluna e termina de saberdo resto em outra. Exemplo são essas notas, a primeira da coluna Boechat e a segunda do Informe JB, ambas de hoje:

Destino
Antônio Carlos Magalhães estava ontem a um passo de assumir a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.



Como sempre

Antonio Carlos Magalhães voltou com tudo ao Senado. Ontem, na reunião da bancada, fez barba, cabelo e bigode. Primeiro, convenceu a bancada a exigir uma das duas comissões mais importantes da Casa. Depois, foi indicado para presidir essa comissão. Para completar, apoiou a candidatura de Romeu Tuma a um lugar na Mesa Diretora do Senado, contra a vontade da direção do partido. Deu Tuma, por um voto.

 
Mais uma prova de que as coisas não mudaram muito nos útlimos 30 dias está aqui, na coluna do velho Villas-Boas Corrêa.

 
Anda palpitante a disputa pelo título de melhor caderno de variedades na enquete do Ipope. A Ilustrada lidera, como esperado, mas o Caderno 2, do Estado, está perto, e o Caderno D, do Dia, vem surpreendendo em terceiro. O pleito termina sábado. Ainda dá tempo de depositar seu votinho na urna virtual.

 
Dona Míriam melhora muito quando resolve ser somente repórter. Veja aqui.

 
Ô materinha vadia essa do Globo sobre o reajuste do funcionalismo público! Um técnico da equipe econômica não identifcado (pode ser um digitador do Ministério da Fazenda), o aumento será de 2,5%. Aí vem o companheiro diretor da Confederação dos Servidores (devidamente identificado) e dá o seu recado, ameaçando com greve. Veja o próximo segmento, no qual alguma autoridade governamental virá dizer que não há nada disso, que o aumento será no mínimo de 4% como previsto no orçamento e coisa tal. E assim, o bode será retirado da sala. Veja a dita aqui

 
Aliás, está ficando ensurdecedor o silêncio da ANJ sobre o caso da Gazeta.

 
A falta de vergonha na cara dos responsáveis pela Gazeta parece não ter limites. Veja o comunicado divulgado hoje:

"COMUNICADO

A Gazeta Mercantil comunica que:

A. amanhã, 31 de Janeiro de 2003, o jornal Gazeta Mercantil estará nas mãos dos seus assinantes, como tem acontecido nos últimos 82 anos;

B. a empresa admite que existe um atraso salarial e se sensibiliza pelas conseqüências que isso vem provocando na vida de seus funcionários. Por isso, essa questão vem recebendo tratamento prioritário;

C. os valores da dívida salarial não são os que vêm sendo divulgados, mas eles existem e serão honrados;

D. as demais questões empresariais vêm sendo tratadas e as negociações em curso surtirão resultados a curto prazo.

A Direção"

A empresa está sensibilizada com situação de seus empregados...Ora, como diria o Millor, vá....Deixa pra lá, que isso (ainda) é um blog família.

 
Os coleguinhas estão com uma fissura para que o governo do Eleito resolva todos os problemas do país que uma coisa. Está certo que até agora foi muito papo e pouca ação, e a cobrança vem exatamente em cima deste gogó todo, mas essa cobrança da Eliane Cantânhede é meio demais. Ela quer saber o que o Eleito fará quando a guerra do Bush começar. Isso se vê na época, né? Se falasse agora, o governo seria tachado de precipitado ou até coisa pior. Cobrar a "dudamendoncização" da adminsitração, tudo bem; querer que ela anuncie estratégias em assuntos delicados com semanas de antecedência, nas quais muita coisa pode mudar, é meio over, não? Veja a Eliane aqui.

 
Clóvis Rossi ainda vai ser acusado de se a Heloísa Helena da imprensa. Veja por que aqui.

30.1.03

 
Texto de Millor Fernandes que você pode ler na Pensata (que está novamente operacional graças ao Blogger)dá um repertório para definir a situação da Gazeta Mercantil. Para mim, a última expressão analisada, então, é a que define o quadro de ontem e hoje. Veja aqui.


 
Sábio na tradição com quem tive o prazer de almoçar esta semana definiu a situação da Dona Míriam com muita propriedade em mina opiniao:
- Enquanto ela era só repórter era muito boa. Mas resolveu dar uma pensadora e sem ter estudado para isso, pelo que parece. Aí, a coluna dela virou um tijolaço - comentou o nobre descendente de Elrond, o Meio-Elfo.

Pois é. Parece até aquela história do dono de uma mecânica que tinha um rapaz que parecia ter inventado os motores de tanto que entendia deles. Impressionando com a habilidade do garoto, promoveu-o a gerente. Em seis meses a empresa faliu. Quem é bom deve fazer aquilo que sabe, ou, como diria aquele pintor italiano (acho que Tintoretto): "não suba o sapateiro além das tamancas".

Ah! E para você que acha que eu sou ruim com Dona Míriam, releia a opinião do Sábio. Mau como um pica-pau, ele sutilmente compara os escritos da colunista do Globo com os de Leonel Brizola, também chamados de tijolaços.

Para entender direitinho não só a sábia análise como o sutil tique no tornozelo, leia aqui a coluna de hoje.

 
Aliás, os barões da mídia brasileira parecem estar em alguma competição mafiosa - depois de Tanure estabelecer um recorde ao trocar espaço nas páginas de opinião do JB em troca de retirada de ações na Justiça, seu Levy o supera ao enganar o freguês vendendo pão dormido como se fosse fresco. Qual será o próximo e que marca estabelecerá? Fique atento! Não dá pra perder as provas dos Jogos Olímpicos de Mau-Caratismo na Mídia!

 
Essa história da Gazeta Merantil repetir a edição de ontem é caso de Procon. O jornal enganou, deliberadamente, a boa-fé do leitor vendendo como novas notícias antigas. Anunciou peixe fresco e vendeu peixe podre. Se os patrões fossem realmente decentes e levassem a sério o seu negócio, expulsariam o seu Levy da ANJ.

29.1.03

 
LUÍS NASSIF


O BNDES, a escrita e a fala

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, padece da chamada "dissonância cognitiva" entre o que escreve e o que fala. Seu discurso de posse, no banco, tinha nexo e, em linhas gerais, abordava o que se espera de um banco de desenvolvimento. Dizia que banco de desenvolvimento não é banco de investimento, porque, enquanto o segundo privilegia a segurança, o primeiro precisa apoiar setores novos, que sejam relevantes para o país.

Igualmente correto é seu conceito de "operação-hospital". Quando uma empresa viável é inviabilizada por problemas de gestão ou de capitalização, deve-se afastar o empresário, mas preservar a empresa. Se fechada, perdem os empregados, perdem os credores e perde o país. Não faz sentido, no entanto, colocar o BNDES como gestor de empresas em dificuldades.

No plano das declarações, o meio-de-campo embola. Tome-se sua afirmação de que o banco vai se engajar no Fome Zero, financiando indústrias de alimento, especialmente da cadeia protéica, e a logística de distribuição. Ou sua declaração de que "entre financiar uma indústria para dar alimentos ou uma emissão de capital vou para a indústria".

O problema da fome no Brasil é de renda, não de insuficiência de produção de alimentos. O banco vai continuar financiando a indústria de alimentos, assim como a de autopeças, a indústria de base, de base tecnológica e outras que se habilitarem aos seus financiamentos, porque esse é seu papel. Vai financiar a logística porque ela é fundamental para o aumento da competição interna. O fato de alimentos transitarem pelos novos caminhos abertos não tornará o banco mais ou menos engajado no Fome Zero, porque esse não é seu papel.

Também é falso o dilema entre financiar indústria de alimentos ou emissão de capital. Confunde-se setor de produção com modelo de capitalização.
Declara que a prioridade do banco é a "inclusão social" e que irá privilegiar a geração de empregos. Dito assim, fica parecendo que definiu como prioridade apoiar setores de mão-de-obra intensiva -justamente os que menos agregam valor, os que menos aumentam a renda e os que menos ajudarão o país a se tornar competitivo internacionalmente e, certamente, os que menos se encaixam no conceito de "setores novos", defendido por ele próprio.

Quando ele diz que o novo modelo de atuação do BNDES não será o de JK, nem o de Vargas, nem o de Geisel, ótimo! Mas qual o modelo? Fome Zero pode vir a ser modelo de política social, não de política de desenvolvimento. O discurso escrito esclarece alguns pontos; o discurso falado confunde. Como a fala rende mais manchetes do que a escrita, seria prudente policiar-se mais nas declarações.


Fome tutelada
Essa história de o Fome Zero controlar como deve ser gasto o dinheiro distribuído aos famintos é o auge da síndrome da tutela e do academicismo. Montar uma estrutura em âmbito nacional para adquirir alimentos, definir que o beneficiado pode comprar arroz e feijão, mas não pode comprar bolachas, exigir nota fiscal para comprovar o que foi comprado é de uma falta de senso fantástica.

É operacionalmente inviável, politicamente autoritário, socialmente antipedagógico. Na maioria das cidades ou esses conselhos municipais serão manipulados pelos respectivos prefeitos ou pelos fornecedores ou politizarão a bandeira. Será a volta dos padrinhos na política social.

 
Este posts abaixo era pra estar no Picadinho, mas graças à incompetência do Weblogger ficaram pra hoje. Como no caso do Janio (lá embaixo) e do Nassif (em cima), ele vai na íntegra porque o Pensata ainda está fora de combate. Mas aos poucos vou acertando as coisas. E como dizem os caras do Weblogger, desculpe a inconveniência...

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Até os melhores escrevem bobagens (o que é alentador, pelo menos para mim). A excelente Eliane Cantânhede, por exemplo, diz que a moça que atirou a torta na cara do Genoíno é da oposição petista, como Heloísa Helena e Luciana Genro. Mas que besteira! A mocinha é anarquista e jamais seria de partido algum até porque não reconhecem poder ou hierarquias, o que, como se sabe, são estritamente seguidas dentro do PT (pelo menos até o momento. O partido tem mudado tanto...). Eliane está certa que atualmente só Helô e Luciana são oposição neste país, mas elas não são, nem nunca serão, iguais a confeiteira de Porto Alegre. Dito isto, veja a coluna da Eliane aqui.



ELIANE CANTANHÊDE


Pastelão

BRASÍLIA - A moça entra no auditório como quem não quer nada e atira uma torta na cara do deputado José Genoino. Não era uma moça de direita. Era, digamos, de "esquerda" -ou seja, velha aliada do PT que Genoino hoje preside e que subiu a rampa do poder.

A simbologia do gesto e da foto estampada na primeira página de todos os jornais, justamente quando Lula discursava para os neoliberais engravatados de Davos, dá o que pensar. E confirma: a principal oposição ao governo petista vem da esquerda e de setores do próprio PT.

O PMDB redescobre a utilidade de recuperar a "unidade" há anos perdida e assim finalmente botar o pé no governo Lula. Quem sabe no mesmo Ministério dos Transportes de sempre? Sai Anderson Adauto, volta alguém do PMDB e dá na mesma. Os tucanos descobriram que fazer oposição agora seria como criticar o programa do próprio PSDB, tão claramente requentado pelo PT. Abaixou as armas -ou "aliou-se"-, enquanto espera melhor momento e algum pretexto para disparar. Quanto mais quieto fica, mais voz o PFL dá a ACM -que está fechado com Lula e com Sarney, em condições até de vetar adversários escolhidos pelo Planalto para o segundo escalão.

Em sendo assim, confirma-se que a oposição continua restrita à senadora Heloísa Helena e à deputada eleita Luciana Genro, que se alternam em entrevistas e artigos desancando o governo do partido a que ambas pertencem. Numa semana, Luciana. Na outra, Heloísa. Às duas, vem se somar a moça de Porto Alegre. Em vez do ovo que a turma dela um dia jogou no tucano e ex-presidente da UNE José Serra, agora é a torta na cara de Genoino.

Radicais são chatos, mas cumprem um papel importante quando o eixo começa a tender muito para o outro lado. O que não entendem é que queimar um governo amigo nos seus primeiros 30 dias é a melhor forma de preparar o caminho para o sucessor. Da direita, é claro.

E quando a torta for no Lula?

 


JANIO DE FREITAS

Efeito omitido

Nos comentários suscitados a cada onda de alta do dólar no governo passado, um dos seus efeitos mais duros foi sempre negligenciado. As atenções eram postas no benefício para as exportações e para as reservas do Banco Central e, entre os efeitos negativos, no aumento do custo das importações para a indústria, no aumento de preço dos combustíveis e no agravamento da dívida externa empresarial. Observações cuja delimitação, excluindo higienicamente qualquer aspecto social, era muito adequada às circunstâncias de então.

Mas sob um governo com tantos ex-sindicalistas, a começar do próprio presidente, presume-se que não seja impróprio notar que o aumento do dólar, provocando aumento de preços por força daqueles efeitos, reduz o poder aquisitivo dos assalariados e assemelhados. O real que se desvaloriza com a valorização do dólar é o que está no bolso do assalariado, ou o que será por ele recebido já mais inferiorizado diante dos preços. Dólar mais alto é igual a salário encurtado.

Logo, seria razoável supor que o governo Lula se preocupasse em refrear as altas do dólar. A suposição sucumbe à precisa firmeza do ministro Antonio Palocci, indagado a respeito em Berlim:

"Não há limite para a alta do dólar. Temos um compromisso assumido e reiterado com o câmbio livre. E câmbio livre é câmbio livre."
Como a defesa do poder aquisitivo dos salários, já a partir do salário mínimo, era defesa do poder aquisitivo dos salários. Ou como a condenação dos aumentos especulativos do dólar era condenação.

E, em relação a "compromisso assumido", antes dos que foram assumidos depois da eleição, como seria o do câmbio livre, houve muitos outros compromissos assumidos com nada menos do que 52 milhões de pessoas, seus eleitores.

Não se trata, pois, senão de fazer o que o governo ainda não fez: avaliar com segurança os múltiplos aspectos das posições que vem tomando, expô-los ao país e justificar, se puder, suas decisões. As desvalorizações da moeda já deviam ter passado por isso, porque, para a grande maioria da população, significam comida, remédio, vestuário, educação -vida, em uma palavra.


 
Luciana Bittencourt está trocando a Gazeta Mercantil pelo GNT. Vai trabalhar no programa Alternativa Saúde

 
Bem...Estou tentando voltar à vida aqui pelo bom e velho Bogspot, depois que os loucos do Webblogger do Terra tiraram o site do ar por nada menos de dois dias (até agora está parado) impedindo de postar qualquer coisa.

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